Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


29 Setembro 2005

À SOLTA EM GIJÓN. Um apressado mas ilustrado comentário bastante livre sobre o que aconteceu em Julho passado, pois já tardava. Não esperem uma missiva literária.

Após quase nove horas de viagem (Gijón dista de Lisboa cerca de 900km), efectuadas com um breve intervalo para descanso na noite de sexta para sábado (pois, que isto de ter um fulltime job não perdoa nos horários de saída: a partida foi às 20h de Lisboa), lá chegaríamos, cansados mas vitoriosos, à vila asturiana, para sermos confrontados com o espaço da convenção Espaço da feira- uma tenda com uma estranha estátua gigantesca Tenda da Asturconà porta, perdida num conjunto de barracas que se estendiam ao redor do exterior do estádio local - barracas de sul-americanos a vender bugigangas e material falsificado, churros, cañas, t-shirts, música, uma roda gigante, e até barraquinhas de livros com saldos e tudo...

Convém mencionar que este é o terceiro ano da Asturcon, e que se integra nas actividades de uma festa cultural patrocinada pela Câmara local (e que já é famosa na Comunidade), a Semana Negra (sim, inclui activismo político). Logo, há dinheiro e patrocínios, que os organizadores gastam no convite de autores nacionais e estrangeiros e não em instalações ricas...

Lá dentro, espaço para uma mesa de conferências, que estava a decorrer já (sobre FC em castelhano)Javier Negrete, Elia Barceló, e dois que não identifico, cadeiras para a malta bacana e um balcão de bebidas. Tinham tradução ao vivo, pois o inglês não é falado com muita facilidade, e um grande espírito de convivialidade. Encontrámos logo o editor do João - Luis Prado, o rapaz de barba e óculos de uma foto mais abaixo - e acabaríamos por conhecer o John Kessel e o Sapkowski, um velhote polaco muito animado e que se via gostar daquelas andanças (principalmente porque o tratavam como um dos grandes autores de sempre, não admira...).

Após alguns encontros e desencontros para o almoço - ficámos num hotel do outro lado da cidade, que não passa de uma praia situada num recanto de dois istmos com uma vila de bom aspecto logo atrás, sim nada da chunguice das vilas piscatórias/turísticas à lá Caparica, esta tinha a maior dignidade de algumas das vilas do nosso norte - e de percorrermos várias vezes Gijón à procura do restaurante, mortos de fome e cansaço, lá nos sentámos com alguns dos autores No restaurante...e participantes. O rapaz na fotografia era o tradutor do polaco, e era historiador, com conhecimentos da nossa história (a rapariga parecia menor de idade, pelo que nem faço comentários nestes dias que correm...)

Foi nessa conversa que me apercebi mais profundamente que os leitores espanhois vivem intensamente os autores nacionais - falavam das Lágrimas de Luz do Rafael Marín (não ponho link, googlem, sefazfavor) como o grande livro da juventude deles; eu tentei imaginar sentir-me da mesma forma com os Caminhos Nunca Acabam, e ia ficando mal-disposto...

As conferências aborrecem, em particular se os autores castelhanos se sentam à volta de um centro e deixam a audiência de fora - aconteceu este ano e o ano passado -, e começam a falar de private jokes&happenings, e logo percebemos que o melhor era estar cá fora, a ver os livros e a gastar dinheiro. Acabei completando a colecção do Sapkowski (são 7 dos quais sairam 5) e o novo do Rudy Martínez sobre o Sherlock Holmes. O João, autor babado, estava ao lado da Guerra de Los Mundos, que, segundo o editor, vendia-se que nem ginjinha Barreiros apontando a edição espanholade Óbidos... (isto aconteceu na semana de estreia do Spielberg - eat your heart out, Presença, que com tanta ocupação de livrarias nem sequer soube aproveitar o empurrão...)

Voltámos para dentro para ouvir o Kessel falar e ter problemas com a tradução simultânea - aquele livro na foto é a tradução do Good News from Outer Space, e John debatia os problemas de encontrar um bom titulo em espanhol (a edição, por sinal, era da Bibliopolis, que tinha publicado todos os autores estrangeiros presentes na convenção e que deve ir de vento em popa).

John Kessel

No fim do dia, e antes do jantar programado, houve tempo para descobrir um pouco de Gijón e tentar caçar alguma da cultura local - leia-se: doces e cidra.

O jantar seria num restaurante daqueles perdidos no meio do campo, onde se celebraria a espicha (acto de furar os barris de cidra, de onde esta jorra fortemente para dentro do jarro e que depois é servida extra-borbulhante) e um manjar volante de queijos e vinho e jamón em que não comi quase nada e paguei 30 euros (FC, a quanto obrigas), ainda houve possibilidade para estar numa mesa com o Valerio Evangelisti, a Sylvie Miller, o Alejo Cuervo (dono da livraria e editora Gigamesh, catalãs) e a Rachel Tanner, autora e esposa do Michel Pagel (vá lá, googlem...) Daí que o convívio fosse agradável. Lá dentro, os espanhóis O gajo das ligaduras fazia parte do figurino, não estava acidentado...dançavam, bebiam, riam e faziam concursos de máscaras...

Faz frio naquela região - estamos para lá dos picos da Europa. Voltámos para casa bem tarde, pois ali  festeja-se à espanhola. E pelas 11h da manhã era o lançamento da Guerra dos Mundos...

 Quando chegános à tenda no outro dia, havia apenas a malta nova da equipa organizadora, o que nos fez lembrar um pouco a Simetria... lá nos sentámos, a aguardar o desfecho da apresentação de como se fazia bonecos de RPG e de um catálogo bastante interessante com personagens que envergavam diversas fatiotas militares da história. O tempo passou, tínhamos de fazer Rachel Tanner e João Barreirosmais nove horas de viagem, mas lá chegou o editor, fez-se uma pequena e verdadeira mesa redonda, e em breve havia assistência suficiente para um lançamento condigno.

Na volta, comentámos com espanto que, embora estivéssemos afastados de casa menos de 48 horas, parecia que se tinha passado dias... os milagres de quem viaja e se afasta da realidade mundana do dia-a-dia.

 

Uma pequena demonstração de como os autores de FC obtêm ideias...

[] [30.Set.2005 03:08:54]

17 Setembro 2005

ESPECIALISTA DOS TRINTA SEGUNDOS, graças ao Google e Google Earth, instrumentos indispensáveis para o autor de ficção científica. Ah, mais a internet, os satélites, a biomedicina, os transportes modernos, a fibra óptica por todo o mundo, os centros universitários, a extracção de petróleo, a aviação comercial, a mecânica quântica, e o resto do mundo.

[] [17.Set.2005 17:17:32]

27 Agosto 2005

UM FILME SIMPÁTICO é a apreciação curta e apressada que tiro do visionamento da Boleia Pela Galáxia, última manifestação de um fenómeno que teve início nos anos 70. Além do facto surpreendente de se estar a recuperar material antigo numa era em que tudo tem uma vida curta de prateleira, e que todos parecem tomar como certo, é a ligeireza do texto de Adams e de suas ideias, nunca se levando a sério e com a dose correcta de crítica social, que na adaptação ganha uma dimensão muito própria pelo fenómeno visual, que nem o programa de rádio nem os livros teriam. Os Vogons são burocratas antipáticos e manifestamente britânicos, Arthur Dent é patusco e confundido como devia ser, Ford parece mais apagado, e a minha única pena foi o pouco relevo do adorável robot deprimido. Mas tudo se junta no fim para uns momentos bem passados. Única nota verdadeiramente negativa: pena de prisão perpétua com chicotadas horárias até ao final da vida para o tradutor português (sim, foi daquelas traduções que é melhor ignorar e ouvir o original. Triste.) Ah, e já agora, comprem a nova tradução da Saída de Emergência.

[] [27.Ago.2005 16:55:14]

23 Agosto 2005

GOOGLAR «Ficção Científica Portugal» apresenta resultados deveras sui-generis e atrasados (e também uma certa lembrança)...

[] [23.Ago.2005 17:49:41]

09 Agosto 2005

MUDANÇAS DE GOSTO. O que dizer do anúncio dos novos premiados com o Hugo? Uma preponderância extrema para a fantasia? Embora reconhecendo a maestria de Strange & Norrell, porquê escolher The Fairy Handbag quando havia o excelente conto de FC (ou Tecnofantasia, para ser mais preciso) The People of Sand and Slag? O terrível vírus anti-tecnologia já invadiu as preferências de quem vota? E será que quem vota (mais mulheres que homens) é capaz de influenciar os gostos (lembrem-se dos Cátaros...)? Que há de terrível neste fantástico mundo em que habitamos, quando os instrumentos nos permitem fazer e ser o que praticamente quisermos? Será que confiamos demasiado nas nossas capacidades que nada é impossível, e logo só o improvável nos fascina? Será que procuro respostas ou só levanto questões?

[] [10.Ago.2005 01:42:39]

06 Agosto 2005

RENDEZVOUS COM MIMASE na forma de uma imagem-filme.

[] [06.Ago.2005 21:23:45]

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