Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


11 Junho 2007

A INTERNET DAS COISAS tal como descrita por Bruce Sterling num dos últimos debates nas instalações da Google (uma das vantagens de uma empresa bem cotada na bolsa que trabalha na vanguarda da interacção social por intermédio da tecnologia é que pode dar-se ao luxo de ser cool e convidar - pagando, claro, o processo criativo nos EUA é um negócio, e assim é que deve ser - visionários desta natureza). O conceito da internet das coisas é poder saber, a qualquer momento, onde se encontra fisicamente qualquer objecto, qual a sua situação (integridade física, ambiente, etc) e respectivo ciclo de vida (no caso de fazer parte ou ser um produto) - por intermédio de transmissores inteligentes embutidos que trocam informação com receptores rádio. O que se seguirá? Uma internet de pessoas? Ou será isto um pleonasmo?

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10 Junho 2007

(AINDA UM POUCO DE ARTE, MAS TAMBÉM FC). Mas garanto que se trata de TecnoFantasia: arte que não poderia existir na presente forma sem o recurso à tecnologia, e muito em particular, à informatização globalizada do planeta. Porque só através da tecnologia podemos telefonar para a Islândia, directamente para o coração de um glaciar, e escutar a agonia do seu derretimento. Essa instalação fez-me recordar outra magnífica (porque o edifício em si é magnífico e imponente e feito de metal e ferrugem como a Central Tejo de Lisboa) situada em Montreal, num silo de armazenamento de trigo para descarga de navios, no qual um conjunto de altifalantes e microfones permitem reproduzir no espaço oco sons gravados no computador pessoal e enviados pela internet (ou escutar os milhares de sons enviados pelos curiosos ao longo dos últimos anos): o Silophone - pode escutar o seu eco a 5000 km de distância, e sem sair de sua casa... E para terminar, o link de FC: a entrevista de Roberto de Sousa Causo, eminente autor brasileiro, a Orson Scott Card, pela iniciativa de publicação da saga completa de Ender na Devir Brasil (em Portugal, os dois primeiros volumes encontram-se na editorial Presença).

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ENTENDO QUE SE TRATE de uma questão de definições distintas e de hábitos de leitura diferentes sobre o género. E de certa forma poderei ser alvo de uma sensação semelhante quando finalmente ler o livro. Mas confesso que fiquei algo surpreendido com o comentário do Nuno Galopim (personalidade que tem seguido e acarinhado o género em português desde sempre) sobre A Estrada de McCarthy, no qual afirma categoricamente que o livro "de ficção científica nada tem". McCarthy definitivamente não é reconhecido como fazendo parte do panteão da FC americana, pois à semelhança de Philip Roth trata-se de um autor de mainstream que necessitou de recorrer a instrumentos literários normalmente desenvolvidos no seio do género para passar uma mensagem... (ao contrário de Michael Chambon e David Mitchell, bastante mais próximos e conhecedores da FC, mesmo apesar da sua principal condição de fabulistas de mainstream). Contudo, mais adiante o Nuno refere-se refere ao livro «(...) cuja escrita, simples, mas precisa e eficaz, transpira imagens expressivas, através das quais imaginamos uma caminhada para o fim de tudo. Visões de melancolia cinzenta que convocam memórias de, por exemplo, um Stalker, de Tarkovsky.» Não se trata aqui de demarcar um território em torno da obra, no sentido de ter de apropriar tudo o que pareça ser minimamente especulativo como FC. Mas o mero tema de uma América desolada pela qual pai e filho encetam viagem e na qual a memória perdida do passado deu lugar a um novo, desconhecido e angustiante mapa mitológico sugere-me de imediato imagens fortes de FC, semelhantes a cenas e retratos do filme Os Filhos do Homem (embora não no livro original), do qual também muito se afirmou não conter nada de ficção científica. Creio que é algures entre a certeza daquela afirmação inesperada e o seu respectivo não desenvolvimento que reside a minha curiosidade - a curiosidade de entender o que haverá na obra (e o que poderá haver em obras semelhantes), por um lado, e o que se entende como FC na mente inconsciente, por outro, que efectivamente as separam...

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UMA CAÇADA COM FINAL INESPERADO. As turvas águas do capitalismo num mundo em mudança. Os humildes poderão herdar o reino dos céus mas os resistentes terão hipótese de começar já nesta vida. Um vídeo que muito possivelmente seria censurado pela mentalidade branco-cristã dos estúdios Disney (talvez não nos tempos actuais, porque os não caucasianos detêm finalmente um efectivo e significativo poder de compra nas américas). E sim, os próximos posts voltarão a ser sobre ficção científica...

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VENEZA AFUNDADA. Bem, na verdade é mais para o lado de Grenada, Índias Ocidentais, mas fica a ideia, preconizada por Kim Stanley Robinson na colectânea O Planeta Sobre a Mesa, mais uma das edições relativamente despercebidas do nosso mercado (a história de Veneza finalmente conquistada pelas águas, ao lado da fabulosa hipótese que o Enola Gaye poderia ter lançado o Little Boy ao lado de Hiroshima apenas como aviso e mesmo assim conquistado uma vitória militar). Um conjunto de esculturas subaquáticas do artista Jason Taylor. O mais perturbante é talvez o slideshow da decomposição da estátua deitada, retrato da vida enquanto morte.

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09 Junho 2007

HOOKED ON CLASSICS. Um percurso pelo feminino na arte. Atentem em particular na transição dos olhares.

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06 Junho 2007

UMA EXPLICAÇÃO MUITO RACIONAL para as questões do trans-humanismo (que por vezes transpiram atitudes pseudo-religiosas). E uma resposta saudável ao espanto de perdermos tempo e energias da nossa economia e sociedade a desenvolver melhores cosméticos, embalagens, sitcoms... esta espécie parece merecer a extinção...

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A MINHA CRÓNICA FALTA DE TEMPO para dedicar-me como devia às matérias que interessam na vida (ficção científica, descansar, cinema, descansar, viajar, descansar, etc, descansar) e o prazer de escutar a leitura de textos literários impelem-me a considerar indispensável a existência de audiolivros e de podcasts de índole ficcional (que vou ouvindo no carro ou no emprego ou em casa enquanto desempenho outras tarefas). Ora, na internet a qualidade é substancialmente variada no que toca a criações artísticas, e é mais frequente encontrarem-se obras deficientes ou mesmo más que os autores, por falta de incentivos por parte de editores com bom gosto, disponibilizam no intuito de conquistar uma audiência e provar que o livro em questão, se publicado de forma «oficial», teria um número substancial de vendas - atitude perfeitamente legítima do ponto de vista democrático, mas perturbadora no sentido de provar que a internet pode conter tanta ou mais qualidade, de graça, que os meios tradicionais. Já devem ter adivinhado que vos vou apresentar uma das excepções: Escape Pod, um podcast de emissão regular editado por Steve Eley desde Maio de 2005, cuja qualidade tem melhorado de forma sustentada e que se propôs, recentemente, a divulgar os nomeados em ficção curta para os prémios Hugo deste ano. Um dos mais interessantes, e para o qual vos direcciono desde já, é «Eight Episodes» de Robert Reed, uma noveleta em forma de artigo (podem também lê-la aqui) que nos apresenta o caso particular de uma série televisiva cujo conteúdo aborda a hipótese de chegada de extra-terrestres ao nosso planeta em épocas remotas sem sencionalismos; a construção do texto é particularmente interessante, e Reed tem imenso cuidado em tornar o artigo credível, embora, para mim, tenha sido difícil aceitar a hipótese que explicaria a autoria desconhecida da série (teria sido mais apetecível deixar o mistério intocado, ou apresentar outras hipóteses igualmente válidas como "explicação subtil" do fenómeno, instigando a dúvida no leitor). De qualquer forma, uma pequena obra bem escrita, divertida, especulativa, e possivelmente a primeira vez que consigo chegar ao fim de um texto do Robert Reed - um autor louvado por muitos críticos mas que contém, algures no estilo, uma qualidade que me impede o apreço e dificulta a leitura. Os livros têm destas coisas...

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26 Maio 2007

ONTEM FOI Dia da Toalha e aniversário da estreia da Guerra das Estrelas. Os eventos cruciais para a humanidade que os nossos meios de comunicação ignoram...

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A IDEIA É NOTICIAR O APARECIMENTO de zombies, ou mortos-vivos na acepção portuguesa, embora infelizmente sem o efeito de pânico provocado pela Guerra dos Mundos de Orson Wells (tempos sofisticados, estes...). Está a ser promovido pelo Steven Wilson do My Elves Are Different. A data é 13 de Junho. Talvez me lembre de postar alguma observação oculta. Por outro lado, se me dirigir nesse dia a um qualquer serviço público e conseguir ser atendido prontamente e com eficiência, saberei que os mortos regressaram à vida...

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16 Maio 2007

UMA PROPOSTA POLÍTICA DIFERENTE merece ser divulgada. Talvez se esta campanha belga tiver sucesso outros países imitem... (ao menos punha um sorriso na boca deste nosso triste povo).

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