Organizador de Pulp Fiction à Portuguesa, antologia de contos inéditos em língua portuguesa subordinada ao tema de pulp fiction. A publicar em 2009 pela Saída de Emergência.
O prazo de submissão decorrerá até 31 de Novembro. Consulte o regulamento.
Membro do júri do Prémio Bang! de Literatura Fantástica promovido pela Saída de Emergência. O prazo de submissão já terminou. Para mais informações consulte o site da editora.
Romance: terceira parte do tríptico A Bondade dos Estranhos, da editora Chimpanzé Intelectual, no qual colaboram João Barreiros e João Seixas. Data prevista: 2009
Tradução: Jack Faust de Michael Swanwick, para a Saída de Emergência.
A promessa em questão referia-se ao primeiro tríptico da Ficção Científica portuguesa, ou seja, um conjunto de três histórias passadas num universo/enredo comum e partilhado, feitas por três autores distintos. Com o título genérico e bastante sugestivo de A Bondade dos Estranhos, contará com a participação de João Barreiros, João Seixas e moi même.
«O Projecto Candy-Man», pontapé de arranque da história, foi lançado em finais de 2007 pelas Edições Chimpanzé Intelectual (até ao final da semana no pavilhão dos pequenos editores da Feira do Livro de Lisboa), e serve como movimentada introdução (embora deva também ser lida como uma história completa em si mesma) a um futuro imediato no qual o nosso planeta é obrigado a lidar com a presença incómoda de três espécies extra-terrestres extremamente distintas entre si e não necessariamente amistáveis. Neste primeiro livro, o João Barreiros apresenta-nos Joana, uma jovem vitimada por uma experiência secreta do Governo que se vê a braços com uma tarefa que lhe pode custar a vida... A sequência deverá ser continuada por João Seixas, com o título bastante prometedor de «A Alma do Louva-a-Deus», ficando para mim reservada a terceira parte e acto de encerramento (ainda sem título).
E digo «será continuada» porque, se o primeiro livro aguardou alguns anos antes da publicação, os restantes continuam em fase de concepção, e estão a ser elaborados sequencialmente, razão pela qual não se podem apresentar datas firmes e seguras. A história tem crescido de forma peculiar e orgânica, da qual premissas anteriores conduzem a viragens de enredo inesperadas (qual cadáver esquisito semi-destapado), pelo que capítulos posteriores apenas irão assumindo a forma final à medida que os anteriores estiverem escritos e concretizados. O que é um desafio em si mesmo. Caso contrário, escrever não passará de encher carne num esqueleto, e se isso é adequado para escribas a metro, não iguala o prazer de ser-se leitor da própria obra em crescimento e logo desconhecedor da aventura no virar da página.
Futuramente vos trarei mais considerações sobre este universo, sobre os desafios da escrita em conjunto e sobre a possibilidade de comentário social ao nosso presente que a estrutura destas sociedades alienígenas permite. Fica aqui um relembrar da promessa e a indicação de que o projecto não está esquecido.
O INTERESSANTE É QUE NINGUÉM PARECE NOTAR o efeito derradeiro que se retira da Praça LeYa, e de toda a discussão que ocorreu em torno desta, tal como se apresenta nestes dias húmidos e frios de Feira do Livro. Apenas Eduardo Pitta lhe faz menção («Editoras com fundos imemoriais, como a Asa, a Dom Quixote, a Caminho, etc., reduzidas às novidades dos últimos 15 dias»), mas como muitos considera que foi um acidente de caminho, um much-ado-about-nothing, e revê na luta de galos dos stands da Feira um incorrecto e ingénuo exemplo de como o mercado livreiro se comporta (senão não acrescentaria «Portanto, em vez da batalha campal, a concorrência devia estar agradecida. Dali não vem (não pode vir) prejuízo», esquecendo-se de que os canais de distribuição onde realmente se vende ao longo do ano não são tão democráticos quanto uma Feira que dá igual oportunidade a todos os editores). Se a escaramuça LeYa terá partido de uma decisão consciente ou aconteceu como sucedâneo de uma mais vasta estratégia de gestão (cujo aspecto trapalhão e prepotente como terá sido conduzida escondeu o facto de ter, aparentemente, resultado de uma decisão súbita, como se tivesse surgido algum factor novo que levou os administradores a mudarem de opinião - o que, em linguagem de gestão de topo, significa normalmente uma oportunidade tentadora em vista), a verdade é que em pouco menos de seis meses, ninguém mais se lembra que terá existido uma Caminho, uma D. Quixote, uma Asa, nem restam quaisquer esperanças que as voltemos a ver como editoras ou marcas independentes, como antigamente o eram. Tudo agora é LeYa, vermelho e indiferenciado entre si, demarcado dos restantes. Assim se acaba com a reputação de décadas e a importância dos catálogos distintos de editoras sem as quais (se a LeYa tivesse partido do nada) o novo grupo não teria qualquer relevâcia no mercado. Livros e autores assim misturados no mesmo caldeirão, uma nova marca presente na consciência do público e dos meios de comunicação - eis o que se consegue com uma pequena polémica, envolvendo associações e Câmaras e influências óbvias. Que nunca mais se diga que os livros não se conseguem tornar em arma política, mesmo nesta época pós-censura em que se pensa que os romances servem principalmente para satisfazer as volúpias fantasiosas das solteironas e das mal-casadas... Algo é certo: a Praça LeYa não está ali para vender livros em grandes volumes, está ali para vender a marca LeYa. Se este foi realmente o propósito, se não estou completamente equivocado na minha leitura, tiro o meu chapéu de gestor. Eis uma manobra económica e eficiente. Contribuiram sem dúvida para tirar o mundo editorial português da situação de apatia e auto-comiseração em que se encontrava há muito, qual cordeirinho deprimido. Embora não creie que, pelo menos no curto prazo, venha daí algum benefício concreto para a cultura portuguesa. Até porque não parece ser esse a finalidade do grupo, muito ao contrário da estratégia da Guimarães. O que se segue, agora que esta única e super-poderosa marca com um imenso goodwill acumulado se tornou presença efectiva e consolidada? Arrisco-me a adivinhar: venda antecipada antes do final de 2009? Talvez a algum grupo importante do Brasil, de Espanha? Seguiremos a telenovela com muito entusiasmo.
contém um extenso artigo meu sobre as dores de parto da antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados, que, a não ser que morem noutro planeta, já devem estar fartos de saber que foi resultado de uma colaboração de dois anos entre a minha pessoa e o Jorge Candeias para abrir um espaço de publicação de ficção curta de literatura fantástica em língua portuguesa; se de facto moram noutro planeta (ou estão a ler este texto num outro site), têm aqui uma explicação mais detalhada; contudo, se moram em Lisboa ou arredores, ou planeiam por cá passar durante as próximas semanas, sugiro que dêem um salto à Feira do Livro de Lisboa, para arreganhar o cenho antes o mistério do parque LeYa (mais comentários num post futuro) e adquirir um exemplar da nossa antologia à venda no stand da Saída de Emergência (e porque a editora é malta porreira e tem bons livros, acompanhar com algumas das recentes edições deles - sugere-se vivamente a Criança Roubada, de Keith Donohue);
contém um conto de Wolmyr Alcantara, «Oberon», em gloriosa representação da nossa antologia, e que serve como gostinho para mais (assim não têm de comprar às escuras...);
e contém ainda a minha participação meta-literária à paisana, muito discreta, numa emocionante saga de João Barreiros sobre o estado actual da nossa literatura fantástica...
A somar a isto junta-se o regulamento da antologia Pulp Fiction à Portuguesa, que todas as semanas cresce em colaborações, e que irá manter-se aberta a colaborações até 31 de Outubro (o prazo inicial era o próximo 31 de Maio). Face ao interesse, à nossa aposta na qualidade e na apresentação de novos valores, e no adiamento estratégico da data de publicação para o início do próximo ano de forma a que o livro não se perca no meio das edições de treta habituais da época festiva, estendemos o período de submissão e leitura - já não precisam de terminar à pressa, aproveitem o Verão para polir as vossas emocionantes aventuras rocambolescas.
LIVROS À MEDIDA? A ideia é um pouco mais sofisticada: soluções à medida para a indústria do livro. A aposta inovadora dos Booktailors (no meu humilde entendimento) pretende assim trazer conhecimento especializado e abordagens diferenciadoras por uma equipa de especialistas, ajudando o editor a desempenhar a sua actividade e disponibilizando-lhe a informação necessária para tomar decisões de negócio fundamentadas. Serão nesse sentido dos poucos consultores profissionais da indústria do livro a actuar junto das nossas editoras, com conhecimento do mercado, e, factor essencial, gosto pela literatura. Foi com satisfação que vi a empresa surgir, pois a mera existência e viabilidade deste modelo de negócio é um dos indícios mais importantes da profissionalização do sector editorial português. A equipa mantém um blogue interessantíssimo, capaz de suscitar comentários e participação. Por algum motivo (decerto insanidade...), consideraram um dos meus comentários de qualidade suficiente para ser transposto para a página principal, honra que agradeço imensamente. É uma das minhas chamadas de atenção para os modelos de divulgação por internet que se encontram a ser utilizados pelos nossos compadres editoriais norte-americanos, sempre atentos à melhor forma de aproveitar meios de comunicação baratos ao nosso dispor. Algo que abra um pouco mais a porta das nossas mentalidades ainda demasiado empoeiradas e tacanhas.