Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


29 Janeiro 2009

«Let's Tweet Again, Like We Did Last Summer» O fascínio das curtas frases, do discurso abreviado, aliada à facilidade das etiquetas-cardinais. Estas, longe de serem um novo prelado eclesiástico, tornam possível seguir os ditos por várias vozes. Juntem-se à conversa. O Twitter tem mais um discurso: fc&f. Para participar, basta entrar no Twitter e dizer de sua justiça, sem se esquecer de começar ou acabar com o dístico #fc&f).

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28 Janeiro 2009

Vale O Que Vale e ainda não se tomam decisões vinculativas de natureza legislativa ou executiva. Mas é um começo, segundo o Paulo Querido. E mais do que isso, um surpreendente uso de uma ferramenta que está para a riqueza de comunicação como o ralo está para a porta: não permite mais que uma espreitadela. Na verdade impede, que se aprecie a riqueza do mundo, que se apresente um discurso elaborado e rico em ideias. Esta ferramenta é de memória curta e espaço reduzido, 140 caracteres e não mais, e ainda assim continua a crescer e dar que falar. A permitir efectuar experiências sociais como esta. Que chegou a ser, aparentemente, noticiada na SIC. E a permitir o recurso a jornalistas de ocasião. E a ser alvo de estatísticas sobre usos e influências.

Como não podia deixar de ser, também lá estamos. Essencialmente para chamar a atenção para a  festa contínua da página que estão a ler. Mas esse é tema para outra ocasião. O comentário não era sobre o Twitter mas sobre a influência da tecnologia na forma como conduzimos a política. E não para elogiar ou denegrir, mas tão somente para recuperar do baú das ficções um texto que ilustra alguns possíveis efeitos secundários. A respeito dos principais afectados por esta mudança. E não, desta vez, finalmente, não será o povo.  

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Isto e Marte. Isto é uma citação de Michael Anissimov, trans-humanista: «2200 will never come. Our brains will be accelerated by a factor of millions before 2100. 2200 won’t be for millions of years.» Pessoalmente tenho as minhas reservas acerca da humanidade se reinventar por completo por intermédio apenas da tecnologia, em particular porque a tecnologia precisa ela mesma primeiramente de evoluir e tornar-se autónoma (em termos de reprodução e reparação - imaginem se dependessemos de uma outra espécie para sararmos a mais pequena das feridas ou fazermos bebés), mas afirmações e visões como esta são excelentes para a criação de futuros e de ficções sobre estes futuros... a essência da Ficção Científica, ou neste caso particular, da Tecnofantasia (uma forma de existência só possível através da tecnologia).

Marte é... bem, Marte. Mas outro. Terraformado. Que é o equivalente planetário de uma operação plástica. Mas daquelas que resolvem um problema físico para um fim útil e não enquanto exercício de vaidade e de desconforto emocional com a inevitabilidade da morte.

   

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24 Janeiro 2009

O «Guardian», Eminente Periódico Britânico, tem uma secção literária dedicada à Ficção Científica, Fantasia e Terror. (Chocante!) Convida nomes da praça para contribuir com artigos de opinião e crítica, e depois recolhe-os online e deixa-os assim expostos, para qualquer um consultar, de graça. (Que desavergonhados!) E recentemente decidiram compilar uma lista dos 1000 livros mandatórios para qualquer leitor, de entre todos os géneros e feitios. (Imagine-se esta manipulação descarada do público!) Entre os quais se encontram, precisamente, obras do Fantástico. (Não há ninguém que páre esta gente?!) Recomendações que se encontram aqui, aqui e aqui. (Ó da guarda!) Concordando-se com umas, discordando-se de outras, são obras que marcaram a nossa cultura recente. (O que sabem eles, se vivem numa ilha?) Até Saramago foi incluído. (Tirem lá as patorras do nosso iconezinho cultural, que não temos assim tantos... temos?) Como não podia deixar de ser, algumas destas obras acabaram por surgir em Portugal. (Também há cá disto?) Tiveram a sua expressão na nossa humilde expressão deste género literário e acompanharam a minha juventude, bem como a de tantos outros que iam espreitando as prateleiras das livrarias à procura do próximo tesouro escondido. (Ai sim? Nunca me enganaste...) Por isso pensei deixar aqui uma pequena selecção pessoal da selecção maior, um texto inicial que pretendo continuar nos próximos dias, em jeito de apresentação resumida de edições que tiveram vida curta. (Mas estás para aqui a insinuar coisas a respeito da imprensa nacional? Páginas na internet? Sítios de referência? Estás doido? Fazes ideia do custo monumental desse projecto? Não venhas com ideias...)

 

Uma Boleia Para A Galáxia - Douglas Adams

O primeiro contacto com esta série do Douglas Adams acabou, por um acaso, por ser O Restaurante no Fim do Universo, o segundo livro da série, e só depois procuraria o primeiro. Estamos a falar da edição da Distri Editora, dos anos 80, com tradução da Maria Nóvoa (e do marido, se não me engano), uma colecção singela que durou poucos números e que surgiu na que se poderia designar vaga editorial portuguesa, que consistiu num par de anos algures nessa época em que meia dúzia de editoras iniciaram colecções de FC em simultâneo, sem razão aparente, apenas para terminarem ao fim de quatro ou cinco livros.

Nesta obra, um grupo bizarro de companheiros impelidos pelas desgraças da burocracia galática, num enredo convuloto que se mantém intacto pelo virtuosismo do humor. Se a história não fica na memória como um organismo inteiro, determinadas vinhetas, pelo contrário, são absolutamente inesquecíveis. Para sempre veremos o número 42 com outros olhos, pensaremos em vacas que se virão apresentar e falar connosco à mesa do restaurante para que as escolhemos como prato do dia («obrigado por me preferirem», dizia ela, «vou já ali dentro pedi ao cozinheiro para me matar»), elevadores deprimidos por passarem a vida a subir e descer com desejos de poderem andar na horizontal, ratinhos-cobaia que são uma manifestação no nosso plano universal dos seres mais inteligentes do universo («os ratinhos deixavam-se ser usados para experiências no vosso planeta?! Ná, olha que estavam a gozar convosco»), e o imperdível Marvin, o Andróide Paranóico, com uma visão tão derrotista da vida que a consegue transformar em arma e salvar o grupo de amigos: perto dele, não há inimigo que não fique deprimido e se suicide de imediato.

Anos mais tarde encontraria em Londres um conjunto de cassettes com o programa de rádio, que também recomendo vivamente. Recentemente a Saída de Emergência voltou a editar o livro, por ocasião do filme, com o título À Boleia pela Galáxia. É interessante notar que nenhuma das editoras arriscou a tradução mais prosaica e exacta de O Guia Galáctico do Pendura.

 

Nave-Mundo – Brian Aldiss

Pois, a tradução estraga tudo. O título original, Non-Stop, também pode não ser dos mais charmosos, mas ao menos esconde a principal revelação do livro, que é o facto de a sociedade em causa existir dentro de uma nave espacial, revelação que apenas surge no fim do enredo como devido. Desta obra de Aldiss infelizmente recordo pouco, apenas uma sugestão de um enredo movimentado e interessante. Edição da Livros do Brasil, na colecção Argonauta, com tradução obrigatória do Eurico da Fonseca (a quem a FC em Portugal ainda não prestou a devida homenagem) algures nos anos 80 e na minha juventude. Ainda hoje penso que o tema foi melhor tratado pelo Fritz Leiber e a sua Nave das Sombras (também edição da Argonauta, uns aninhos mais tarde).

 

Fundação – Isaac Asimov

Asimov, que enquanto era vivo tornou-se num dos testa-de-ferro da FC mundial, o nome de referência a que os meios de comunicação aludiam quando o assunto «ficção científica» passava pela redacção, após a sua morte caiu praticamente no esquecimento, e se em tempos era um dos autores que as poucas colecções nacionais estavam sempre a editar (e bem poderiam continuar a editar por toda a eternidade, graças à produção superior a quinhentas obras nas quais o nome dele surgia com uma desculpa qualquer), um autor que ia vendendo, hoje em dia desconfio que será desconhecido dos jovens leitores de fantasia épica, excepto nos casos em que continua a existir na biblioteca dos pais. Era impossível evitar o Isaac, uma figura larger-than-life mesmo na escrita, e sempre muito cândido a respeito da sua própria vida (a sua autobiografia em três volumes creio que será a maior de qualquer autor internacional de FC). Contudo, parece não ter sobrevivido aos tempos, e não terá deixado as marcas e o culto de um Dick ou de um Herbert. Asimov sempre teve uma escrita cerebral, pouco emotiva, e a sua pertinência literária derivava da inteligência do enredo e do conhecimento da ciência. O que não é o mesmo que dizer que fosse um mau escritor - contra isto bastará procurar-se e ler-se The Gods Themselves (O Planeta dos Deuses, perdoem-me se detesto a escolha do título na versão portuguesa) para se encontrar um autor de FC no seu melhor.

Quanto à Fundação, teve uma primeira edição portuguesa pela Ulisseia nos anos 60 (e uma segunda pela Livros do Brasil há dez anos), que obviamente não se encontrava disponível quando das minhas visitas às livrarias, duas décadas mais tarde – o meu contacto com esta obra aconteceu através da edição brasileira da Hemus, que era distribuida (se não me engano) pela Dinalivro. A Hemus, aliás, publicaria a trilogia completa, seguida do quarto livro que na época era o grande retorno do Mestre e lhe granjeara um prémio Hugo, e um outro punhado de romances e colectâneas (entre eles O Fim da Eternidade, uma história de viagens no tempo e paradoxos espaciais ainda hoje considerada como uma das suas melhores obras). Se esta colecção era distribuída em Portugal, estou em crer que se devia principalmente ao relativo sucesso do nome Asimov. Fundação ajudaria bastante a sua fama, graças à noção de uma psico-história que conseguiria matematicamente prever, com modelos estocásticos, o comportamento da civilização galáctica no período entre a queda de um império e o nascimento de outro. O livro é na verdade uma série de contos interligados, que teriam saído nas revistas americanas, um após outro, nos anos 50. Para sempre Hari Seldon, o matemático que tornaria tudo isto possível e que se transformaria no herói intelectual do autor, revisitado no último livro que escreveu (Forward the Foundation); para sempre Trantor, a cidade-planeta localizada no centro (ou o mais humanamente perto do centro, como o autor mais tarde corrigiu) da galáxia.

 

(Os meus agradecimentos ao indispensável Bibliowiki e ao esforço do Jorge Candeias por facilitar o trabalho de pesquisa para a feitoria de artigos como este.)

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Só Porque Se Trata do Neil Gaiman, e porque, como ele próprio conta, não se trata de um filme de grande orçamento de um estúdio conhecido, mas principalmente porque a história é inteligentíssima e as imagens prometem uma fantástica jornada (realização de Henry Selick, o responsável pelo Pesadelo Antes do Natal do Tim Burton), fica aqui o trailer de Coraline, publicado entre nós pela Presença (com o título de Coraline e a Porta Secreta).

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22 Janeiro 2009

Caso Tenham Tentado Aceder a Este Site nos últimos dias, fica aqui um alerta para a possibilidade de terem ficado expostos a software malicioso. Houve um ataque não especificado a todos os sites da empresa na qual o TecnoFantasia se encontra alojado, e é possível que tenha afectado a nossa página de entrada. Foi pelo menos necessário intervenção nossa para repor a situação inicial que vos permite aceder a qualquer conteúdo pela mera digitação de um prefixo na hiperligação, sem necessitarem de memorizar um chorrilho de letras e números. Lamentamos o sucedido, ao qual somos totalmente alheios, e segundo indicação da empresa, foram tomadas medidas para evitar repetições. Da nossa parte, informamos que jamais incluiremos software nas nossas páginas para o qual seja necessária autorização de descarregamento e execução, à excepção de componentes Flash e Java.

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19 Janeiro 2009

Conselhos Para Escritores. Joss Whedon é o criador das séries-conceito Buffy - Caçadora de Vampiros, Angel e Firefly, e embora se reconheça e respeite o sucesso, nenhum dos quais se encontra realmente na lista dos preferidos cá em casa (por motivos variados, estando talvez o principal relacionado com questões de originalidade e/ou credibilidade; se Firefly ainda tentava e conseguia de certa forma ser algo bizarro, uma mistura que acabou por se revelar infrutífera, já convencer-me de que uma miudinha frágil e de uma banalidade extrema, desde o aspecto físico ao da personalidade, como a Sarah Michelle Gellar, conseguiria ser a líder de um bando de caça-vampiros sedentos de sangue, é pedir de mais...). Apesar de tudo, é um criador cujos esforços acabam por cair no espaço do Fantástico, e de alguma forma ser diferente. Mais interessante é o projecto de filme do Livro de Cantigas do Dr. Horrível, produzido e distribuido pela internet numa série de mini-clips. Por esse motivo, e pelas palavras finais, apresentamos aqui uma breve entrevista ao autor, na qual refere, com bastante propriedade, e como se conhecesse o meio português, que não existem mais escolas nem terrenos de exercício para treinar os jovens criadores, excepto a internet, e que quem quiser ter sucesso já não lhe basta escrever ou produzir a obra e enviá-la para a editora, mas recorrer à internet para gerar entusiasmo e uma base de seguidores e possivelmente, com sorte, uma editora interessada em lançá-la...

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16 Janeiro 2009

Where's Wally? Uma torrente quase insuperável de tarefas e afazeres, em boa parte relacionadas com letras e livros, despejou-se sobre mim desde o início do ano. Assim continuam à espera de entrar comentários, post, notícias e respostas atrasadas a emails. Tentarei ir colocando aqui informações enquanto a vida não amansa. Obrigado pela compreensão. E para não perder o hábito, fica aqui uma adaptação russa feita em 1984 do conto de Ray Bradbury, «Virão Chuvas Mansas», publicado em Portugal por uma colecção da Verbo (colecção Espaço, se não estou equivocado) da qual só sairam 5 volumes de contos diversos. Talvez devido a ter sido o primeiro contacto com Bradbury, mas seguramente pelo mérito da própria história, continua a ser um, para mim, dos textos mais marcantes deste autor.

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