Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


02 Julho 2009

Tropecei Por Mera Circunstância, pois ainda não me havia deparado com o blogue em questão, no círculo de sugestões em que consiste o Prémio Lemniscata: cada premiado deverá escolher, por sua vez, 7 outros blogues, ad infinitum. A escolha de José Eduardo Lopes centrou-se na área da ficção científica, entre os quais nós estávamos. Estou bastante agradecido pela escolha e pela oportunidade de, pela minha vez, destacar alguns dos meus preferidos. Uma vez que a selecção do José já contempla parte dos principais blogues nacionais deste género, irei diversificar a escolha.

Eis a lista:

Indico também o Correio do Fantástico, mas a nível de extra-concurso por ser um dos contribuidores (ou melhor dizendo, serei assim que recuperar do atraso após o amável convite feito), e que é um trabalho de paixão desenvolvido por um conjunto de jovens entusiastas, com particular destaque para o Roberto Mendes.

Sobre o prémio:

«O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.

«Lemniscata: curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante. Lemniscato: ornado de fitas; do grego lemniskos, do latim, lemniscu; fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores. (in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)».

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28 Junho 2009

Além Da Alienação Das Gentes Com Fios Brancos dependurados das orelhas, afastadas do momento e lugar presentes como quem lê um livro, o iPod, aparelho anódino de uma empresa que só não dominou o mercado informático devido à sua eterna postura de encarar o computador como algo no qual ninguém podia mexer (diga-se o que se disser da Microsoft, a verdade é que a visão «um PC em cada secretária» foi absolutamente revolucionária - tratar o computador como plataforma de trabalho universal e não como outro electrodoméstico), trouxe também a facilidade (efectivamente permitida pelo iTunes, mas isso são pormenores técnicos...) de poder descarregar-se ficheiros áudios publicados periodicamente por determinadas fontes - assim nascia o podcast.

Por meio de feeds, que é como quem diz instruções que informam de forma normalizada os restantes computadores e aplicativos do tipo de conteúdo de determinado sítio, a colocação regular destes ficheiros áudio tornou-se no equivalente de programas de rádio emitidos em determinados dias, a determinadas horas. Bastaria à pessoa interessada «subscrever» a referida publicação - para todos os efeitos, controlar automaticamente a existência de novos ficheiros e descarregá-los assim que estivessem disponiveis - e ir ouvindo, tranquilamente, os novos programas. O mecanismo estava montado: havia criadores e havia ouvintes.

A adopção foi bastante rápida - uma  rapidez que começa a ser habitual nos nossos dias, como se estivessemos já preparados para a nova forma de utilizarmos a tecnologia existente (o terrível choque do futuro de que se falava há umas décadas torna-se progressivamente no delicado embate de uma pena do futuro). De novo, a internet permitiu que qualquer criador atingisse qualquer ouvinte sem a intermediação das estações de rádio, deixando funcionar a meritocracia da qualidade e do interesse. Os podcasts abundam, actualmente - tanto que, tentar segui-los a todos, ainda que numa humilde área como a Ficção Científica, seja impossível nas poucas horas de lazer do dia. Há podcasts de divulgação, podcasts de debate, podcasts de ruminações pessoais. Há podcasts que oferecem a leitura de contos e romances, aquilo que se conhece como audiolivro, ou promovem folhetins radiofónicos (um formato do meu grande apreço que graças a este meio está a renascer).

Nem todos são bons - se a organização do texto é importante para a palavra escrita, a qualidade da voz, do som e da leitura são imprescindíveis para uma emissão áudio. Aliás, a grande maioria resultam de esforços pessoais, por quem ainda está a dar os primeiros passos neste meio. O que interessa aqui ressalvar é que a tecnologia está ao dispor de todos, e com perseverança e algum engenho, consegue-se sair do anonimato e acabar nas páginas do New York Times, como aconteceu ao Scott Siegler (um autor mediano que teria dificuldades em ser publicado e a seguir teria desaparecido nas prateleiras de uma qualquer livraria, não fosse a forma original como decidiu edificar uma audiência - colocando capítulo a capitulo a leitura dos seus romances e a seguir promovendo-se até à exaustão).

Claro que ao «dispor de todos» tem um senão - há que saber inglês. E há que conseguir ultrapassar alguns dos sotaques e alguma terminologia específica dos países de que estes criadores são oriundos. Neste caso, como em muitos, a adopção pela língua portuguesa, àparte as ocasionais experiências na área do humor por profissionais que também têm presença na rádio e na televisão, ainda é um deserto.

Felizmente que, como é regra nos desertos, nem todos os oásis são miragens, e foi com prazer que descobri o que talvez seja o primeiro podcast de fantástico em língua portuguesa chamado Papo na Estante. O título denuncia imediatamente a origem além-mar, e embora só o tenha descoberto recentemente, já se encontra na 11ª emissão, a última dedicada a vampiros tupiniquins (leia-se: histórias de vampiros escritas por autores brasileiros) demonstra a potencialidade deste veículo para a divulgação do fantástico, de uma forma leve, divertida e bem-humorada. A produção é de Thiago Cabello, Ana Carol, Eric Novello, Alfredo Monte e Ana Cristina Rodrigues (actual presidente do Clube de Leitores de FC brasileiro).

Desejamos-lhe vida longa e ficamos a aguardar por mais exploradores arrojados, de qualquer parte do mundo lusófono.

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27 Junho 2009

O Círculo Continua Desenhando-se, embora cada vez mais curto, o que o terá transformado (penso) numa espiral. A invasão externa - de outros bloguistas - (ainda) não aconteceu. Gostariam que nos debruçássemos sobre obras disponíveis em português? De autores mais debatidos? Não deixo de sentir que, em caso afirmativo, estaríamos então a desvirtuar o lado educativo, cultista, deste clube de leitura.

Neste mês o objectivo era ler Mindbridge, de Joe Haldeman, e apenas alguns de nós o conseguiram, não obstante ser uma obra de pequena dimensão. Dos que chegaram ao fim, particular destaque para a crítica do Nuno, que abrange duas partes. A Cristina oferece também a sua opinião.

What say you?

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14 Junho 2009

O Fenómeno dos Buracos Negros - a singularidade criada pelo colapso gravitacional de uma estrela da qual nem a própria luz, e logo o tempo, se escapa - é possivelmente uma das mais fascinantes descobertas teóricas do século XX, e alimento para uma série infindável de histórias de Ficção Científica. Entre estas, o romance Gateway, de Frederik Pohl, publicado entre nós com o título de A Porta das Estrelas na colecção Argonauta - a saga de um explorador de artefactos da misteriosa raça Heechee que andava sem sorte, até a sua equipa (onde se encontra a amada) acabar presa nas suas garras gravíticas de um buraco negro durante a última missão; como o pobre coitado é o único a escapar-se, volta para casa cheio de remorsos e roído pela culpa, e nem todos os milhões de dólares que recebe como único sobrevivente da expedição o aliviam deste pesar. É então que a teoria relativistica intercede e lhe lembra que a dilatação temporal quando se cai para um buraco negro implica que, mesmo tendo-se passado décadas, os amigos ainda não morreram, a queda ainda continua a acontecer, de forma cada vez mais lenta, dando ao homem a possibilidade de tentar um salvamento. O livro é muito interessante e um dos melhores de Pohl. Infelizmente, o autor decidiu dar-lhe continuação numa série de outros romances e contos de menor qualidade - embora acabem por revelar que os Heechee possivelmente desapareceram para o interior de um buraco negro massivo.

O grande destaque da edição portuguesa desta saga ficará contudo para sempre com a criativa tradução do título do segundo volume, de nome Beyond the Blue Event Horizon no original. Perceber o título requer uma explicação técnica, que avisamos desde já, é feita por um amador na matéria e deverá ser confirmada por leituras de quem conhece realmente o assunto... O «horizonte de eventos» é o que se chama à zona limítrofe entre a singularidade e o espaço comum, a partir da qual nada escapa - nem a luz, nem a matéria nem qualquer outro «evento» cósmico. Existe contudo, a possibilidade de que um buraco negro em rotação, principalmente por via do princípio de incerteza quântica aplicada ao efeito quântico de túnel no vácuo (criação de pares de particulas virtuais em que um dos elementos do par consubstancia-se numa partícula real por via da atracção gravítica do buraco negro sobre o outro elemento antes de ambos terem tempo de se aniquilarem mutuamente), emita partículas, ou seja, tenha uma temperatura, com desvio espectral para o azul. Ora, esta capacidade de «fuga» de um buraco negro rotativo é fundamental para o nosso caro protagonista socorrer a equipa e a amada, e livrar-se do sentimento de culpa, e logo o título, ao falar de um «horizonte de eventos» que é «azul» e prometer que iremos viajar «para lá de» está a criar desde logo uma expectativa no leitor e a explicar de que trata afinal o romance.

O tradutor português não entendeu nada disto, ou alguém na editora não quis entender. Foi assim que «Para Além do Horizonte de Eventos Azul» foi traduzido no lírico Para Além do Acontecer...

Tristes tristezas, sem dúvida.

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12 Junho 2009

Um Vídeo Perturbante passado em Lisboa. Aparentemente isto foi completamente ignorado pela imprensa portuguesa. Nele podemos ver a estrutura da Ponte sobre o Tejo a derreter ante a acção de um feixe de calor extraterrestre. A qualidade da imagem não deixa perceber o feixe nem a nave (que se situaria algures sobre o Tejo) mas o testemunho é inabalável. As explosões ao fundo contribuiram para o espanto generalizado, mas felizmente que ocorreram acima da superfície pelo que não houve danos de maior, e até a ponte se safou. As pessoas estavam demasiado atordoadas para reagir. Após este encontro do terceiro grau, os alienígenas desapareceram na atmosfera. Havia quem dissesse que os tinha visto abastecerem-se de cerveja na 24 de Julho no início da noite... Até os extraterrestres tomam atitudes vergonhosas quando estão bêbados...

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11 Junho 2009

Apenas Para Avisar que o segundo desafio do Passatempo Kate Wilhelm já está no ar. Aguardamos as vossas participações. As respostas ao primeiro desafio ultrapassaram as nossas expectativas.

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