Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


08 Agosto 2009

Uma Visão Textual da Festa que decorre no outro lado do planeta, e nós cá, no meio da rua, encostados a espreitar à janela e a saudar com latas de cerveja vazias.

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31 Julho 2009

Para Quem Possa Interessar, este blogue entrou de férias e assim irá continuar (espero) nas duas próximas semanas. Estão a decorrer alguns debates interessantes sobre críticas e fantasia lusófona que infelizmente só poderei acompanhar no regresso.

Entretanto, algumas actualizações:

  • Old Man's War do John Scalzi (Gailivro) - tradução entregue, será publicado daqui a poucos meses
  • Pulp Fiction à Portuguesa (Saída de Emergência) - encontramo-nos a preparar o cimento que irá unir as histórias e já em processo de paginação.

Irei, na medida da disponibilidade informática e pessoal, mantendo-vos informados. 

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26 Julho 2009

É Um Período De Grande Actividade no Brasil, no que toca à literatura fantástica. Este fim-de-semana tem estado a decorrer o Fantasticon 2009, um evento brasileiro anual de FC&F, inaugurado há poucos anos (é a terceira ocorrência), em plena São Paulo, cujo programa reune algumas das principais personalidades do género brasileiras e que este ano tem transmissão em directo, supostamente (ainda não consegui confirmar) pela TV Cronópios. Quinze dias depois será a vez de Ana Cristina Rodrigues, actual presidente do Clube de Leitores de FC do Brasil, defender a honra da FC lusófona em plena Worldcon, a convenção mundial de FC&F, num painel que versará sobre o fantástico que se escreve dos Pirinéus à Terra do Fogo. Dado que se realizará em francês, decorrerá às 10h da manhã de sábado, e dada a riqueza deste impressionante programa a nível de ofertas alternativas, tenho as minhas reservas a respeito da quantidade de participantes da sessão, but let's keep our fingers crossed. A Ana contactou a mailing-list mais conhecida da FC nacional para obter detalhes a respeito da nossa literatura, uma vez que a sua experiência versa, naturalmente, sobre o Brasil; por minha parte enviei-lhe a informação que tinha - nomeadamente, links para artigos de discussão recente, e outros mais antigos, que estão públicos e são do acesso de todos.

Fica o aviso que estão ausentes destes artigos aqueles novos e jovens autores da nossa praça cujos seguidores (ou melhor dizendo, um muito pequeno conjunto destes, cujas opiniões quase certamente não representam o colectivo) tanto se crisparam ao não os verem mencionados num artigo internacional recente. Por minha parte, nos meus artigos, como já terão tido oportunidade de ver, apenas me refiro ao fenómeno literário em que estes autores se inserem, mas não os enumero por nome, não por despeito mas por real desconhecimento da obra. Será provas de uma cabala ou talvez sensatez e respeito pelos autores? Outros o dirão. A vertente noticiosa deste espaço (a página principal do TecnoFantasia) sempre procurou divulgar os livros nacionais, como poderão constatar, e se não o faço mais é pela simples razão que os próprios autores/editores não se dão ao trabalho de me enviar um simples e-mail a comunicar a sua existência.

Mas pronto, isso não tem de continuar. O equilíbro pode ser agora mesmo reposto. Eis a vossa grande oportunidade. De ombrear com a velha guarda que vos coloca na sombra. De escrever um artigo definitivo, exaustivo, enumerando estes autores, as virtudes, os defeitos, a contribuição para as letras nacionais. De torná-lo informativo e num verdadeiro guia para a nova, moderna literatura fantástica portuguesa. De enviá-lo à nossa representante lusófona, para devida consideração quando falar de Portugal.

Não há aqui ironia. Vocês lançaram o desafio, passaram as cordas do ringue - agora, mostrem o que valem.

Fico aqui à espera.

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25 Julho 2009

Se A Experiência Resultar continuarei a contribuir com artigos informativos/de opinião para o espaço do Correio do Fantástico, iniciativa de um conjunto de autores e fãs da nova geração (se se pode designar por tal) do género lusófono. Este foi o primeiro. Que por sincronicidade fez eco (inadvertido) com o texto de Nuno Fonseca sobre Isabel Meyrelles (sábias palavras, Nuno), uma das personalidades de destaque da nossa Ficção Científica (além do surrealismo) dos anos 60/70, e que tive o prazer de ouvir numa sessão do Instituto Franco-Portugais na década de 90, acompanhada do Cesariny e outros. Acabaria por confessar, numa breve troca de palavras posteriormente, que já não se dedicava à FC há muito. Sic transit.

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Afinal Ainda Havia Mais Uma. Spot on, Stewart. A ida à Lua tornou-se chata (no sentido figurativo do termo, pois chatas são as tábuas, ou assim ensinou uma professora de Português do meu antigamente). O autor de FC que se tivesse atrevido a sugerir algo parecido teria sido apedrejado sem julgamento prévio. Ainda que, passe a comédia, o programa espacial tenha produzido uma série de efeitos secundários (onde é que já vi este termo?) positivos.

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E Pensar Que Já Tinha Escrito Sobre Isto numa das minhas anteficções. Refiro-me a voltarmos à Lua. Para concluir o tema.

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20 Julho 2009

And Now For Something Completely Similar. Reportagens sobre a Lua dos diferentes senhores e senhoras da Ficção Científica:

Há mais. Vão ver.

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Pai, Que Horas São Na Lua? O relógio recomeça, filho, o relógio recomeça.

Vivemos na presença de uma dezena de homens (infelizmente nenhuma mulher) que colocaram os pés noutro planeta. Ainda que fosse por motivos egoístas de índole política (alguma vez se conseguiu algo sem ser por motivos egoistas? O que julgam que foram os Descobrimentos?). Realizado por um pequeno grupo de pessoas (comparativamente aos milhares de milhões que éramos e agora somos mais). Pessoas munidas de computadores básicos e muito engenho matemático. Enquanto espécie adoramos o espírito de equipa. Fomos, e ainda mais milagroso, voltámos, incólumes (a grande tragédia do programa Apollo aconteceu em Terra). Eis algo que os nossos netos não conhecerão. Somos a geração que não precisa de deuses para rasgar os céus.

Hoje muitos olhos vão estar postos no passado. Vão utilizar a tecnologia para reviver, passo a passo, os minutos daquele acontecimento extraordinário. Vão aguardar pela EVA de Neil Armstrong, vão pedir-lhe que pouse fisicamente no terreno. Duvido que os astronautas conseguissem resistir a sair da cápsula. É patente a emoção que os domina na singela frase «Tranquility Base here, the Eagle has landed». Aldrin descreveria a Lua com outra tirada de mestre, a Desolação Magnífica. Quando a ocasião assim inspira, todos nos tornamos em poetas.

O sempre inovador João Seixas lançou um desafio para contribuições relativas ao tema, que se encontra a publicar no blogue, a um ritmo moderado. Leiam a do António de Macedo e as do próprio João, sendo que daqui a pouco o João Barreiros entrará em cena com outro conto de mestre. Enquanto não chega, e se estiverem interessados, podem ficar a conhecer a minha modesta participação, escrita durante este fim-de-semana. Não sei que outros textos nos aguardam, neste formato que consiste, em si mesmo, num canal muito particular, muito pessoal, uma janela sobre o passado. Não estivemos lá, mas a verdade é que ainda lá estamos.

Ninguém melhor para exprimir a Desolação Magnífica do que os Pink Floyd, nesta gravação que capta a desgarrada emitida em directo pela BBC, na noite do evento. Que possa trazer alguma paz a (mais) uma celeuma que assolou a comunidade portuguesa de fantástico nos últimos dias, potenciada pelo imediatismo da internet como o restolho seco potencia os incêndios florestais. Apesar de tudo o que foi dito, é o silêncio que irá revelar onde se situam os interesses, como sempre tem revelado. Neste caso, e de forma muito explícita, o silêncio sobre o presente feito, sobre o aniversário, sobre um sonho ao mesmo tempo realizado e impedido. Nenhum verdadeiro apreciador de Ficção Científica lhe fica indiferente - não é um dogma mas uma constatação quase genética. Do outro lado, nenhum verdadeiro apreciador de Fantasia lhe confere igual fascínio - não é um juízo de valor, mas um assumir de postura. Somos água e azeite, semelhantes na nossa forma líquida mas de difícil convívio. Eis a nossa natureza. Isso nos cria. Isso nos destroi.

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18 Julho 2009

40 Anos Depois Dos 40 Anos da ida à Lua foi o desafio do SAPO. Foi-me impossível responder ao convite presencial de gravar umas palavras sobre o assunto, mas contribui com um pequeno texto, caso a reportagem vídeo fosse acompanhada de um artigo. Fica aqui o destaque ao trabalho dos jornalistas (no qual surge o nosso «enviado a Marte», José Saraiva), bem como a minha contribuição.

A espécie humana é lenta e acomodada por natureza e só nos movemos pela força da necessidade ou do incómodo. Não há nada de moralmente errado, trata-se do mais básico imperativo genético: chegados à fértil pastagem ou à pradaria recheada de caça, há que parar e reproduzirmo-nos. O esforço termina quando o objectivo é alcançado e se assegura o futuro.

Isto, infelizmente, é a postura pragmática da mentalidade adulta, anti-heróica, desprovida de ideais, contrária à perspectiva romântica de quem ainda é jovem. Sabemo-lo bem, já o fomos ou estamos em fase de o ser, e não há quem não passe por esta transformação.

As sociedades humanas não são diferentes neste aspecto, e se jovens e românticos sonhámos com a exploração espacial, a conquista dos outros planetas e elaborámos ficções a esse respeito, quando finalmente lá chegámos deparámo-nos com a pergunta que não soubemos responder antes.

O que fazemos agora com isto?

Perante os riscos (enormes) e o esforço (imensurável) de colocar humanos em condições muito precárias no espaço e noutros planetas, por reduzidos períodos de tempo, o sonho desfez-se, e não se voltou a ouvir falar de exploração espacial a não ser pelos métodos muito mais razoáveis, mas menos idealistas, de sondas não tripuladas. Inclusive a ficção científica virou-se para dentro, para o planeta e para os problemas humanos. Éramos o filho que, tendo-se aventurado para fora de casa, se deparara com um mundo inóspito e agreste.

Voltar ao espaço terá, assim, de ser um empreendimento de adultos, de uma espécie madura. Já não pelo entusiasmo da descoberta mas pelos passos pequenos, progressivos, seguros, da necessidade. O espaço terá de nos dar o que a Terra não é capaz, e alguém irá ganhar dinheiro com isso. Pode não ser uma atitude nobre, mas a conquista espacial é, acima de tudo, uma conquista financeira.

Existem efectivamente condições únicas no espaço, ou mais especificamente, na imponderabilidade. Certas ligas metálicas só conseguem ser produzidas em ambientes de queda livre, ou determinada cristalização de compostos. É possível que os novos computadores quânticos, cuja capacidade de processamento será amplamente superior à dos computadores actuais, necessitem de ligas supercondutoras e que estas só possam ser fabricadas em órbita. É possível que situações de crise energética levem determinados países com escassez de recursos a montar plataformas em órbita para capturar a luz solar e enviá-la para estações espaciais em feixes concentrados de infra-vermelhos (não obstante os riscos inerentes). É possível que a aviação consiga recorrer a trajectórias balísticas sub-orbitais para reduzir os tempos de viagem e os custos de combustível, habituando assim uma geração ao fenómeno da queda livre e promovendo o turismo espacial.

São processos graduais. Todos derivados de uma necessidade concreta. Mas quando acumulados, irão estabelecer as condições para avançarmos para o espaço. As fábricas construídas em órbita necessitarão de uma tripulação permanente, o que conduzirá ao estabelecimento de condições adequadas de vida para período prolongados no espaço. Nascerão crianças longe da superfície terrestre, constituir-se-ão famílias, comunidades, culturas. O fenómeno humano a acontecer, como sempre na nossa história.

Ignoro se isto surgirá nos próximos 40 anos - é possível que sim. Mas em último caso, será necessário darmos este passo fundamental. O sol não durará para sempre, o nosso planeta é extremamente frágil, como temos visto, e para sobrevivermos daqui a uns milhões de anos teremos de começar, um dia, a tornarmo-nos numa espécie capaz de sobreviver à dureza de ambientes não planetários.

Fica esta pequena/grande curiosidade, impossível de satisfazer: como será a Ficção Científica desses magníficos novos seres humanos?

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