Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


04 Setembro 2009

Tipinipunk - o ciberpunk no Brasil, de acordo com Roberto de Sousa Causo. Este artigo apresenta os (necessariamente, como por cá) poucos exemplos da FC brasileira inspirada no ciberpunk. Todos estes exemplos deveriam existir na internet, para serem conhecidos, uma vez que os livros dificilmente se encontrarão disponíveis - só esta disponibilização universal, creio, nos irá mantendo em estado de animação suspensa e evitando o desaparecimento completo. Por cá, não teremos tantos exemplos, pelo menos a nível do romance. Existirá em alguns contos do João no Caçador de Brinquedos e Outras Histórias, está sem dúvida presente na Pedra de Lúcifer do Daniel, e sei que me deixei influenciar por essa estética quando concebi a GalxMente (o Terrarium, creio, não se deixa limitar por subgéneros nem movimentos). Agora, e em particular devido à proximidade com as obras, deixo a outros a classificação literária, ficando apenas algumas notas para o caminho.

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03 Setembro 2009

Não É Todos Os Dias que alguém do clube surge na imprensa... daí que fica o destaque para a entrevista do João Seixas ao Diário Digital a respeito da antologia que organizou, Com a Cabeça Na Lua. Parabéns, João.

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Não Deixa De Ser Espantosa a generosidade com que os autores estrangeiros oferecem as suas obras para leitura gratuita. Generosidade ou sagacidade, pois o grande inimigo do escritor não é o plágio mas o desconhecimento. Como qualquer passador de droga saberá (modelo exemplar de construção de um mercado cativo...), é na distribuição de amostras gratuitas que os agarramos... mas divago.

Periodicamente vão surgindo notícias de que se encontra mais ficção disponível, mais material para ler. É impossível digerir toda esta informação em tempo útil de vida - cada um de nós irá começar a precisar de primeiros leitores que pré-seleccionem o trigo do joio... esperem lá - não era essa a função do editor?

Fica aqui a nota de Buddy Holly is Alive and Well on Ganymede, um romance que parece ser uma viagem muito pessoal (qualquer vida criativa terminada abruptamente devido a um acidente de viagem torna-se numa história de infinitas possibilidades), Queen of the Iron Sands, o romance de FC de Scott Lynch que se encontra a publicar aos pedaços, e exemplos recentes de quem utiliza o Twitter para escrever (algo que pessoalmente considero ser levado ao exagero. Como dizia e bem a Virginia Woolfe, a ficção manifesta-se no parágrafo, não na frase, pelo que o limite de 140 caracteres é simplesmente idiota para esse fim). Contudo, parece ser na internet que o futuro da divulgação da Ficção Científica - e não só - se encontra, como afirma John Scalzi, alguém que tem conseguido construir audiência graças à sua presença contínua online.

O fenómeno parece ser tão popular como forma de apresentação de novos autores que existe já um sítio que inventaria e comenta a imensidão destas experiências: Web Fiction Guide. Sem dúvida que gostaria de ver algo semelhante surgir por cá. Não deixa de ser curioso o facto de, da quase centena de obras recebidas ao prémio Bang!, não existir uma única (que saiba) cujo autor tenha tentado experimentar este veículo alternativo.

 

Adenda ao Post Anterior: eis um artigo sobre os 25 anos do Neuromante, que tenta analisar a qualidade do romance enquanto antevisão de um mundo futuro. Eis um dos maiores problemas da Ficção Científica e de como é encarada pelos leigos. Por algum motivo, cada romance sobre tempos não existentes acaba por ser avaliado pelas capacidades predictivas e não pela unidade estrutural da história em si, como se o romancista fosse um ser iluminado que comunica com o futuro. É óbvio que falhará, como falhará inclusive qualquer ficção que descreva situações ou momentos que o autor não tenha assistido em primeira mão, motivo pelo qual não conseguido ficar convencido com os diálogos das biografias romanceadas. Sorte têm os autores de romances históricos, pois não se vêm confrontados com o juízo dos peregrinos a tempos idos («Ó Miguel Real, olhe que a vida a bordo daquela nau não era bem assim...») - ou pelo menos, até se inventar a máquina do tempo.

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01 Setembro 2009

Enquanto Evento Que Ninguém Celebrará, fez o ano passado (final do ano, se a memória não me atraiçoa, seria Outubro ou Novembro, pois foi na época em que começou a minha incursão de cinco anos na faculdade - sim, malta nova, na era medieval pré-Bolonha tirar uma licenciatura demorava cinco longos e extenuantes anos) vinte anos da publicação em Portugal das duas mais importantes obras do movimento Ciberpunk: Neuromante e Reflexos do Futuro.

A primeira é conhecida de todos, e praticamente dispensa apresentações. É a história de um mercenário caído em desgraça que se vê tentado a recuperar a vida anterior num golpe proibido e perigoso. Como o confirmaria mais tarde, Gibson procurou um enredo simples para apresentar aquele novo e complexo conceito do ciberespaço, um mundo em que mente e máquina se encontravam irremediavelmente ligadas. Naquele mundo havia espíritos, mas dependiam de plataformas físicas de processamento de informação e poderiam ser interrompidos, mantidos em suspenso, reinicializados. A informação era navegável, existia enquanto universo paralelo ao nosso, imediato mas invisível e acessível apenas aos iniciados. Que melhor droga conceptual para adolescentes inteligentes que cresciam na emergente sociedade informatizada em que hoje vivemos? Como encarar Case e a sua postura melancólica, sombria, perante a existência, senão como um reflexo da atitude desprendida, romântica, do jovem adulto que ainda não entrou definitivamente no frenesi do quotidiano do dever profissional e das dívidas bancárias? Como esquecer a célebre frase de arranque que equipara o céu cinzento a uma televisão sem emissão - uma tecnologia em mansa extinção, por sinal - e que de imediato estabelece o tema do livro? Criticado por muitos, foi no entanto, acredito, aquela poesia extremamente delicada do estilo que Gibson escolheu para a textura da sua visão que sustentou - e simultaneamente impossibilitou que se igualasse em qualidade - toda a panóplia de seguidores e imitadores do que se viria a designar por ciberpunk. Esta seria também a obra que encerraria a versão em capa dura da saudosa e curta colecção Contacto que João Barreiros orientou para a Gradiva.

Reflexos do Futuro, por outro lado, será, para sempre, a péssima escolha de título para a edição portuguesa de Mirrorshades, antologia organizada por Bruce Sterling, e que procuraria definir - de uma forma muito lata e pessoal - os temas que se poderiam considerar como «ciberpunks». Os óculos espelhados tinham sido adoptados pelos autores como um símbolo estético do «artista da rua», não o maltrapilho/hippie de antigamente, mas o jovem inteligente, audaz, autónomo, capaz de conversar directamente com a tecnologia do quotidiano e desta obter o poder necessário para subverter tradições e defrontar os powers-that-be. Sterling escolhera - já o movimento, longe de ser algo novo e excitante, começava a extinguir-se, embora entre nós estivesse a surgir - um conjunto muito concreto de autores, que lhe granjeou algumas polémicas, e designara os que seriam os temas essenciais. (Um aparte importante: a alegria pessoal de saber que Portugal veria a tradução deste livro - uma alegria que só quem atravessou uma época sem Amazon nem internet nem facilidades de encomendar no estrangeiro é capaz de entender, e esses, malta muito nova, não são vocês, garanto-vos - seria imediatamente cortada, qual bofetada dada com luva de ferro em brasa, assim de forma tão graficamente dolorosa, ao descobrir que a tradução estava assegurada pelo senhor Eduardo Saló, talvez um dos piores tradutores de que há memória nas letras nacionais e que tinha um infortuito pendão pelo género da ficção científica. E tal como prometido, eis que ciberpunk surgiria transformado em cibermaníaco - tradução sem dúvida indispensável, pois quem seria capaz de entender um termo tão recôndito como «punk»?... -, apenas para ressalvar uma das atrocidades que mereceram o devido repúdio numa crítica publicada na revista portuguesa Omnia.)

Depois destas obras - sem dúvida, seminais -, o silêncio. Só cortado, numa fugaz passagem, pela publicação descontextualizada, mais de dez anos depois, de Software de Rudy Rucker pela Caminho e Schismatrix Plus de Bruce Sterling pela Editorial Presença, este último numa edição completa que se queria definitiva e não inovadora para uma colecção nascente. Eis o que representou o movimento ciberpunk, a nível literário, no nosso país. Ficaram para trás - como ficarão, pois pouca ou nenhuma atenção é dada a livros que não sejam novidades internacionais ou que não tenham sido publicados nos últimos anos - as obras dessa época de Pat Cadigan, Lewis Shiner, Mark Laidaw, Tom Maddox, Paul di Fillipo, George A. Effinger, Walter Jon Williams, e outros.

Os autores ciberpunks, diga-se em boa verdade, depressa desbravaram outros terrenos, desligando-se do género que fugazmente ajudaram a fundar. Mas a obra ficou. Foi talvez um dos últimos movimentos pró-tecnologia e pró-ciência da FC do século XX, que logo enveredaria por uma fase de encantamento pelos temas vampirescos (sim, antes da Meyer, pessoal de memória curta, houve quem tentasse explicar cientificamente o vampiro, tendo daí nascido obras como O Império do Medo, do Brian Stableford e Children of the Night, do Dan Simmons - claro que estes eram vampiros a sério, e não as versões metrossexuais que encantam as miudinhas de hoje, por isso talvez não tenham tido sucesso milionário...) e outros temas mais esotéricos... e pelo caminho, a FC adulta - positivista, racional, activa, crítica do mundo - perdeu o rumo.

Paul di Fillipo evoca algo da época e do que o movimento significou para todos os envolvidos. É um artigo que sabe a pouco e que contudo abre muitas portas escondidas. Algures, intimamente, escrever ciberpunk ainda me sabe a actual.

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30 Agosto 2009

O Outro Grande Destaque destina-se ao lançamento mais aguardado da temporada - o da fanzine Dagon, organizada por Roberto Mendes (um dos principais organizadores do blog colectivo Correio do Fantástico) e que vem apresentar um novo espaço de publicação aos autores portugueses, tão necessário depois do cancelamento recente da Phantastes e da Nova. Conta com ficção, poesia e ensaios de Jorge Candeias, Pedro Ventura, Roberto Mendes, Carla Ribeiro e um outro tipo que assina LFS, além de outros temas de interesse. Uma apresentação mais extensa será feita futuramente. Para já, fica a notícia e a indicação: vão ler

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Ainda Em Tempo De Férias (só terça-feira é que o blogue regressará ao banal social), não queria deixar de fazer dois destaques, o primeiro do qual se destina a um conjunto de artigos recolhidos pelo indispensável Universo Fantástico a respeito do steampunk:

- Virtual Steamcon 2009 - que infelizmente decorreu ontem, pelo que se trata de um anúncio atrasado, mas fica a indicação e a possibilidade eventual de participação portuguesa graças ao mundo virtual

- Um artigo de Romeu Martins sobre a difusão do sub-género no Brasil

- Uma crítica à antologia brasileira Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário

- Um artigo de Bruno Accioly, do Conselho Steampunk do Brasil

Inspirações e incentivos, portanto, para a antologia de inéditos Vaporpunk, descrita abaixo.

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20 Agosto 2009

O Passado Vestido de Futuro. Passou discreta esta convocatória de escrita em território nacional por um motivo de ordem logística, que seria concentrar as participações em autores que, de uma forma ou outra, tenham contribuído ou estejam a contribuir para o debate sobre história alternativa e steampunk. Desta forma, poder-se-ia obter como resultado, não só ficções de peso, como contribuições para um debate literário sobre a relevância da revisão histórica em duas culturas com posturas tão distintas perante o futuro - no sentido em que o Brasil é um país novo com fogo na vista e Portugal, pelas evidências comprovadas, anda a sofrer de um problema de rugas e artrite emocional.

Passou discreta mas não devia ter passado - porque se esse debate é possível a nível do Brasil apenas com autores nomeados, por cá não existe massa crítica, e nem por vezes disponibilidade. Assim, e enquanto emissário da antologia deste lado do Atlântico, venho dar-lhe novo alento e divulgar por mais meios.

Segue o texto da convocatória, com o prazo alargado para os autores portugueses:

 

Antologia VAPORPUNK - Guidelines

A antologia Vaporpunk pretende reunir noveletas de história alternativa do subgênero steampunk escritas por autores brasileiros e portugueses, com fins de publicação em mercados de ambos os lados do Atlântico, em meios de comunicação convencionais e/ou e-book.

Por considerarmos que a dimensão ideal precípua para expressar um enredo de história alternativa é a noveleta e não o conto, como no caso da ficção científica, gostaríamos de fixar os limites dos trabalhos que aceitaremos entre 8.000 e 18.000 palavras. Isto não quer dizer, em absoluto, que trabalhos fora deste padrão serão sumariamente rejeitados. Se vossos escritos forem realmente bons, a qualidade decerto pesará, ainda que eles sejam menores ou maiores do que o limite proposto. No entanto, convém deixar claro que olharemos com mais simpatia trabalhos dentro do intervalo citado.

Analogamente, gostaríamos de receber trabalhos steampunks cujos enredos dissessem respeito, direta ou indiretamente, às culturas brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social do avanço tecnológico precoce na história dessa(s) cultura(s).

Vaporpunks, por assim dizer.

Não se trata de uma exigência estrita. Trabalhos steampunks que nada tenham a ver com o Brasil ou com Portugal serão apreciados com a atenção devida e também poderão ser eventualmente aceitos. Porém é honesto frisar aqui nossa predileção por vaporpunks que sejam lusófonos não só de corpo (ou seja, escritos por autores portugueses e brasileiros), como também em espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).

O prazo proposto é 18 de Outubro de 2009, para autores de nacionalidade portuguesa.

O mais importante é que não nos prendemos à definição castiça de steampunk / vaporpunk.

Isto quer dizer que a ação de vossas noveletas não precisa necessariamente transcorrer na Londres Vitoriana da segunda metade do século XIX. Afinal, As Loucas Aventuras de James West é considerado steampunk e se passa no Velho Oeste, certo?

Da mesma forma, consideramos vaporpunk o romance de Paul McAuley, Pasquale’s Angel (publicado em português sob o título de A Invenção de Leonardo, Saída de Emergência, 2005), onde os inventos de Da Vinci são concretizados e a Revolução Industrial começa com três séculos de antecedência.

Não se faz necessário que o vapor seja a única tecnologia precoce presente em vossos enredos.

Em resumo, estamos interessados em enredos que mostrem o impacto social do emprego amplo e precoce de avanços tecnológicos nas culturas portuguesa e/ou brasileira. Tais enredos podem se constituir em passados alternativos ou em presentes alternativos.

Nos passados alternativos, a ação transcorre numa época bastante anterior ao presente, como por exemplo, na noveleta «Custer’s Last Jump», de Steven Utley & Howard Waldrop, em que o advento da aviação em meados do século XIX modifica a história da Guerra de Secessão e das Guerras Índias que se seguiram.

Nos presentes alternativos, a ação se passa mais ou menos em nossa época, só que numa linha histórica alternativa, modificada pelo advento precoce de uma tecnologia.

Quando principiamos a cogitar essas guidelines, pensamos em conceituar steampunk aqui.

Contudo, descobrimos uma definição castiça adequada na Wikipedia. Os conceitos ali expressos são mais restritivos do que aqueles que lhes estamos propondo, mas já dá para ter uma idéia geral. Portanto, usem e abusem: http://en.wikipedia.org/wiki/Steampunk

Se possível, dêem preferência ao verbete da Wikipedia em inglês, visto que sua tradução na Wikipedia em português encontra-se incompleta e, em alguns trechos, errada.

Se quiserem, sintam-se à vontade para consultar o ensaio «Steampunks!» constante na coletânea em e-book Ensaios de História Alternativa, cujo download é gratuito no site: http://www.scarium.com.br/e-books/sebook3_06_03.html

No que se pese que se trata de um texto escrito em 1998, é mais atualizado do que o verbete da Encyclopedia of Science Fiction, escrito pelo Peter Nicholls.

Contamos com a submissão da sua noveleta.

A submissão deve ser mandada somente em versão eletrônica, formato universal de texto (.txt) ou rich text file (.rtf), para os emails glodir@centroin.com.br e antologia@tecnofantasia.com (enviem para ambos de forma a que não se perca nenhuma submissão. Por favor, solicitem confirmação de recepção). Indicando na folha de rosto o nome de nascimento do autor, o nome literário (se diferir deste), o título da obra, a dimensão (número de palavras) e um meio de contacto (endereço, email). Se tiver de enviar mapas ou gráficos, por favor envie em ficheiro separado e faça a devida nota no corpo do texto.

Mãos à obra!

Gerson Lodi-Ribeiro & Luís Filipe Silva

 

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14 Agosto 2009

De Regresso da WorldCon, Ana Cristina Rodrigues fala-nos sobre a sua experiência em terras norte-americanas.

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