Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


06 Novembro 2009

Aconteceu Na Semana passada o lançamento da Galeria do Sobrenatural - Jornadas Além da Imaginação, e aqui fica um relato pormenorizado do evento. Um dia devíamos fazer uma grande convenção da língua portuguesa (piscadelas de olho para os organizadores do Fórum Fantástico e do Fantasticon...).

Por outro lado, eis um livro que muito dificilmente surgirá no espaço luso - uma busca pelas livrarias online relevou que a Fnac Brasil não dispõe da obra nem efectua vendas para Portugal (então porque surge como opção de expedição?) e a livraria Saraiva pede acima de 100 reais (40 euros, mais ou menos) para fretes, o que constitui quatro vezes o valor da antologia. Assim não dá...

Outras publicações se avizinham até ao final do ano: uma participação na brasileira Imaginários, ao lado do João Barreiros, Jorge Candeias e outros nacionais e uma participação numa antologia portuguesa sobre brinquedos terríficos a anunciar brevemente. Todos estes meus contos são inéditos. Até ao momento de serem publicados nestas antologias. O que os torna numa contradição, I suppose.

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04 Novembro 2009

É De Uma Perfeição Invejável esta demonstração do dilema do apreciador de Ficção Científica - a necessidade de contrabalançar o maravilhoso com a verosimilhança, de ajuizar constantemente a sensatez do cenário, enredo e motivações literárias face à sua possibilidade científica de concretização. É um processo frustrante para o leitor e extremamente exigente para o autor. Contudo, quando o casamento é realizado com êxito - quando prosa e qualidade de escrita encontram uma visão científica original - o resultado é sublime; acontece uma experiência de encantamento avassaladora que duvido que os apreciadores de fantasia ligeira, agora tão na moda, sejam capazes de igualar. Torna-se num vício danado: a próxima injecção tem de ser mais intensa que a anterior, mais original, mais literária; a explicação científica menos didática e melhor integrada no enredo; os alienígenas mais convincentes, a sociedade humana mais bizarra; o estilo mais evocativo. Para tornar o espectáculo total mais grandiloquente.

Não admira assim que o próximo «xuto» seja difícil de encontrar, e desta procura incessante nasçam as atitudes de desânimo e amargura que os colegas autores e críticos da nossa praça repetidamente profiram, em contraste com os demais entusiastas de exigência mais moderada. Ambos os grupos reconhecem a natureza do deserto editorial, mas enquanto que uns se satisfazem com a multiplicidade de oásis pré-fabricados de qualidade variável, os outros procuram palacetes espelhados com torres de crómio de design único que não conseguem ser igualados.

O bom disto é que finalmente tenho uma forma ligeira, divertida mas muito eloquente de explicar em que consiste, afinal, a ficção científica. E agora vocês também têm. (Obrigado, Jorge).

 

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O Paradigma Do Brasil no mercado português é o paradigma dos universos alternativos intransponíveis. Eis um panorama editorial extremamente activo, no qual (como demonstrado no vídeo abaixo) exitem as edições completas da trilogia Sprawl de William Gibson (em Portugal ficámo-nos pelo primeiro livro da saga, Neuromante), Anno Dracula de Kim Newman (um dos melhores autores sobre o tema do vampiro - por cá completamente ignorado, não obstante o frenesi editorial sobre os dilemas dos sugadores de sangue) e até uma caixinha agradável com os primeiros livros da Fundação do Asimov; uma passagem pelas montras virtuais das livrarias brasileiras vai revelar outros títulos. São obras vertidas em português - poderá não ser a versão da língua a que estamos habituados, mas serão sem dúvida traduções literárias desprovidas de regionalismos que poderiam confundir ou afastar os leitores deste lado da poça atlântica. E contudo, não existem. Para nós, é como se nunca tivessem sido editadas, como se a língua portuguesa não tivesse sido enriquecida por estas traduções, chegando aos extremos de uma anunciada reedição do clássico Duna de Frank Herbert praticamente simultânea nos dois países: pela editora Aleph no Brasil e pela Saída de Emergência em Portugal. Há questões de direitos de autor, sem dúvida, mas o não aproveitamento global do grande mercado da língua portuguesa diminui a capacidade das editoras e reduz a possibilidade de promoção do autor (limitada a umas quantas celebridades mediáticas). O facto de um grupo como a Leya necessitar de posicionar-se em ambos os mercados realizando investimentos em activos locais demonstra como é difícil ultrapassar a barreira cultural, política e económica dos dois países. Talvez de facto o pouco que nos una seja a língua e um passado.

A situação é pior deste lado que do outro, pois as antigas colecções da Caminho e da Argonauta costumavam chegar às livrarias do Rio e S. Paulo (ignoro se ainda acontece), ainda que a preços inflaccionados pela política de importação do Brasil. Mais grave é obviamente o absoluto desconhecimento da ficção científica brasileira - por cá, apenas se conseguem encontrar a colecção da Devir, e ainda assim, em livrarias especializadas de Lisboa e só um pequeno punhado de exemplares (os Padrões de Contato do Calife continua invisível). Que dizer do Futuro Presente, dos Paradigmas, da Ficção de Polpa, do Imaginários, da Galeria do Sobrenatural e das outras imensas antologias que a ritmo alucinante vão surgindo naquele mercado? Quem esteja interessado em conhecê-las terá de recorrer às livrarias online ou entrar num sistema de trocas pessoais.

(Por outro lado, e para sermos justos, foi em Portugal que se procurou efectuar conscientemente a união destas duas literaturas, emparelhando autores portugueses e brasileiros em igual participação nas antologias O Atlântico Tem Duas Margens e Por Universos Nunca Dantes Navegados. Não obstante os antologistas brasileiros estarem normalmente receptivos a autores portugueses, ainda não surgiu, do meu conhecimento, um projecto igualmente unificador do outro lado).

Para nós, entusiastas de um género precário constantemente à beira da crise, é uma oportunidade desperdiçada de alguma estabilidade e crescimento. Escreve-se pouca ficção científica no Brasil e quase nenhuma em Portugal - mas em conjunto, talvez se escreva o suficiente para motivar outros autores e impor algum dinamismo a novas histórias e projectos. Neste admirável mundo de impressão-a-pedido (ou por-demanda), portes baixos, livros electrónicos e comunicação electrónica, a única desculpa que resta é afinal a que costuma estar na base da maioria das intenções não concretizadas: a grande falta de vontade. E contra essa não há tecnologia que ganhe.

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25 Outubro 2009

A Pergunta: porque não aproveitas a actual onda de vampiros e, enquanto autor de fantástico, escreves qualquer coisa sobre isso?

A resposta: porque o sucesso por associação é imerecido, e o repúdio por cansaço injusto. Aguardo até virarem as costas.

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24 Outubro 2009

Sim, É Um Mundo Maravilhoso, aquele em que se consegue realizar feitos desta natureza (explicação adicional e fonte). É um mundo racional, dedicado à preservação da vida humana e diminuição do sofrimento. Não há deuses, neste mundo - não há dragões, lanças mágicas, poderes encantados. Não há crenças em seres imaginários sem provas dadas. O que existe é a riqueza da compreensão humana, a humildade da colaboração em equipas transculturais e o deslumbre - o sublime, adorado deslumbre - perante a complexidade física do universo.

Pobre de ti, ficção científica, ignorada no canto, enquanto os atletas idiotas da turma e as loiras bimbalhonas dançam abraçados ao monstro da fantasia heróica. Sabes que vão voltar quando precisarem de ti, mas para já estão inebriados nas palavras daquela besta que lhes promete que cada um deles é único, que cada um deles é o Escolhido, que cada um deles não tem de levantar um dedinho para alcançar o êxito e obter a fama. De falos erguidos e mamilos espetados, dançam nesta orgia de auto-complacência e desprezam tudo o que se lhes antecedeu, tudo que os possa contrariar. Pobre geração de agora, se pensa que o mundo se tornou menos filho-da-mãe para os jovens e inocentes rebentos que saiem do abrigo dos pais.

(Sabes de uma coisa? Vamos levar a besta para o lago. Um empurrãozinho e pronto. Está gorda e inchada, qual verme sobre um cadáver recém-enterrado. Aqueles tomos de mil páginas são pesados como tudo, quando se molham. Olha, e se vier à tona, não te preocupes, enfia-se a cabecinha de novo dentro de água).

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Sobre O Caso Saramago, este é o mais pertinente de todos os comentários proferidos.

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18 Outubro 2009

Emergir Por Breves Instantes do mundo da escrita (pois o motivo de não vos escrever há algum tempo é porque tenho estado a escrever para vós) para destacar a «publicação» online de um dos gigantes da FC: Theodore Sturgeon e o seu Deus Microscópico. Vão ler, vá. Desliguem a treta da televisão.

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11 Outubro 2009

Uma Rara Oportunidade para conhecer Jorge Luíz Calife, responsável por Padrões de Contacto, considerada a primeira trilogia de FC hard brasileira e por inerência em língua portuguesa. Mais informações podem ser encontradas na obra fundamental de Ginway sobre a evolução da FC brasileira, disponível em pré-visualização limitada no Google Books.

A nível nacional, destaque para o artigo fundamental de Teresa Sousa de Almeida que ajudei a salvaguardar no blogue Correio do Fantástico

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