(Sem data prevista) Romance: terceira parte do tríptico A Bondade dos Estranhos, da editora Chimpanzé Intelectual, no qual colaboram João Barreiros e João Seixas.
Co-organizador, juntamente com Gerson-Lodi Ribeiro, de Vaporpunk - Relatos Steampunk Publicados Sob as Ordens de Suas Majestades, Editora Draco (Brasil).
Tradução: O Verdadeiro Dr. Fausto (Jack Faust) de Michael Swanwick, ed. Saída de Emergência.
Conto «Dormindo com o Inimigo» in Dagon! organização de Roberto Mendes.
Conto «Não É o Que Ignoras o Motivo da Tua Queda Mas o Que Pensas Saber» in Brinca Comigo! organização de Miguel Neto, ed. Escrito'rio.
Conto «A Casa de Um Homem» in Imaginários 2 organização de Tibor Moricz, Eric Novello e Saint-Clair Stocler, Editora Draco.
Conto «Dormindo com o Inimigo» in Galeria do Sobrenatural organização de Sílvio Alexandre, Terracota Editora.
Conto «Deste Lado de Cá» e entrevista in Dagon n.º 0 organização de Roberto Mendes, e-zine.
Tradução: A Guerra é Para os Velhos (Old Man's War) de John Scalzi, ed. Gailivro.
Prefácio ao livro As Atribulações de Jacques Bonhomme de Telmo Marçal, ed. Gailivro.
Membro do júri do Prémio Bang! de Literatura Fantástica promovido pela Saída de Emergência.
Tradução: «A Ficção, por Henry James e Roberts Louis Stevenson», de Dan Simmons, in Bang! nº5, Ed. Saída de Emergência.
Artigo: «Antologias, Fantasia & Odisseias», in Bang! nº4, Ed. Saída de Emergência.
Novela: «Aqueles Que Repousam na Eternidade», in A Sombra Sobre Lisboa, Ed. Saída de Emergência.
Tradução: As Crónicas da Espada - O Encontro, de Fritz Leiber, Ed. Saída de Emergência.
Poema: «Sonhos de Planetas e Estrelas», in Linhas Cruzadas, Ed. Portugal Telecom.
Romance, com João Barreiros: Terrarium, Editorial Caminho.
Romance: Vinganças (A GalxMente II), Editorial Caminho.
Romance: Cidade da Carne (A GalxMente I), Editorial Caminho.
Conto: «O Mundo Distante», in O Atlântico Tem Duas Margens, Editorial Caminho.
Colectânea: O Futuro à Janela, Editorial Caminho. [Versão Ebook]
Uma Das Melhores Histórias do ano. Notem como a estrutura em actos, e a abordagem distanciada do narrador ao início (como se dissesse ao leitor, «considerem a seguinte hipótese»), contribuem para nos aproximar da situação apresentada, e efectivamente ponderá-la enquanto cenário social. É sempre difícil encontrar o devido equilíbrio quando se escreve sobre o abuso físico e social das crianças - quase sem se aperceber, o autor pode incluir uma frase ou uma imagem chocante capaz de induzir ao repúdio imediato ou à lágrimazinha pungente, estragando o efeito do todo. A criança deve ser entendida, para efeitos literários, como um ser integral, com ideias e aspirações e hábitos e sentimentos, e não projecto em gestação de um futuro adulto. O que a história torna convincente, de uma forma inovadora, é encarar a criança como mais um recurso para uso social por que, para todos os efeitos, os verdadeiros senhores do mundo nunca chegaram a nascer. O estádio da criança, os passos do crescimento, são-lhe então alienígenas, e não têm lugar na definição vigente de moralidade.
Uma nota final sobre o conto: decorre num daqueles futuros, tão próprios da década de 2000, em que a humanidade se instrumentalizou a si mesma, de preferência pelo recurso à engenharia genética; os indivíduos são apresentados com capacidades físicas e cognitivas ampliadas e potenciadas para atingir níveis que não seriam alcançados pela mera evolução natural (lembre-se que a evolução está condicionada pelas exigências do meio ambiente e não pela vontade humana), existem várias facções/sub-espécies de seres humanos, e estão normalmente subordinados a uma consciência colectiva semelhante à internet. Aparte o facto de já ter escrito sobre este tipo de futuro, há um ponto em que, até certa medida, se tornam pouco convincentes: quando se pressupõe que a nova Humanidade requer concepção e parto assistido por tecnologia para vingar. Ora, se a Humanidade chegou ao ponto em que se encontra, é precisamente por que a reprodução é um mecanismo totalmente autónomo da vontade consciente - um mecanismo complexo mas relativamente fiável, pois acerta mais vezes do que falha, e que não requer a assistência de tecnologia externa à do próprio corpo para funcionar. Tão condicionados estamos pela insistência da reprodução que a única etapa que depende da nossa vontade consciente - a cópula - é algo a que dedicamos grande atenção durante as nossas vidas, que a nível individual quer colectivo. Interromper este processo e fazê-lo depender de tecnologia é, a meu ver, um passo para a extinção. A tecnologia humana é frágil, de vida curta e requer permanente assistência para funcionar - e quanto mais complexa ou delicada a tarefa, maior a probabilidade de erro. Apresentar um futuro em que a reprodução dependa, não apenas de um homem, de uma mulher e de quinze minutos, mas de uma equipa de técnicos e de maquinaria, e tentar torná-la sustentável, é, a meu ver, um futuro mal explicado, incompleto ou tendencioso.
Ainda assim, que esta perspectiva não vos estrague a leitura do excelente «Arvies».
Uma nota final: ao contrário de Abigail, e mesmo concordando com muito do que afirma, não consegui classificar este filme como ficção cientifica. Por muita explicação que seja apresentada em outros assuntos, a realização do sonho partilhado é algo completamente posto de lado, e não é uma veia injectada no braço que me vai convencer da capacidade tecnológica.
Além disso, o facto de ante-estrear num centro comercial creio que diz biliões... perdão, milhões.
(Bem, oxalá me engane.)
* - corrigido numa versão mais recente do mesmo trailer.
Actualização: o sempre atento Luís Rodrigues, faz notar, e bem, o seguinte: «Já dizia Einstein que tudo é relativo. E relativisticamente falando, todos os satélites GPS sofrem com dessincronizações por dilatação do tempo, diferenças na velocidade angular entre o satélite e o receptor à superfície, excentricidades da órbita, etc. Tal significa que estes satélites têm de ser constantemente monitorizados e os relógios de bordo corrigidos. Alguma monitorização é automática (partindo do princípio que os computadores de sincronização têm corrente eléctrica para funcionar), mas não é resposta a todas as emergências. Por isso diria que o bom funcionamento do GPS é um excelente sinal de que há outros seres humanos vivos no planeta, entre outras coisas ocupados a sincronizar os relógios dos satélites numa base militar algures no Colorado.» Infelizmente, o Luís, que eu saiba, não foi consultor criativo do filme...
O Dia Acordou, surpreendentemente, com citações de Kurt Vonnegut Jr., em particular: «Any reviewer who expresses rage and loathing for a novel is preposterous. He or she is like a person who has put on full armor and attacked a hot fudge sundae.» Ah, e com a descoberta da elevada toxicidade do paracetamol, que tem um nível mínimo de sobredosagem muito baixo (cinco vezes inferior ao da aspirina), podendo resultar em graves lesões hepáticas, a qual deu outra perspectiva ao futuro custo/benefício de aliviar as mazelas da gripe (as minhas leituras estão algo eclécticas...).