Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


13 Outubro 2010

Antes Que Fizesse Desta Iniciativa o meu habitual silêncio, e porque já percorre a internet, eis a publicidade necessária ao colóquio Mensageiros das Estrelas, que espero sinceramente se torne num acontecimento complementar e indispensável aos outros (poucos) encontros de fantástico do nosso país. Acontece novamente em Lisboa, o que entendo seja desagradável para quem habite longe da capital, mas o centralismo de meios e oportunidades, como todos sabem, é uma infeliz condição do país e não uma teimosia do género. Aqui fica o incentivo para que os clubes e associações locais organizem as suas próprias festas do fantástico noutras zonas (por que não nas Ilhas, por exemplo?).

O anúncio contém um breve mas necessário enquadramento com o Fórum Fantástico e com a (talvez já não tanto) pequenez do meio nacional. Diga-se de passagem que o contacto mencionado entre os dois eventos é estreito, sendo que a Safaa Dib é elemento organizativo de ambos. O colóquio do Centro de Estudos Anglisticos, a meu ver, apresenta uma vertente académica bastante mais acentuada que o habitual no Fórum, o que o torna diferente e imprescindível, oferecendo assim uma oferta complementar e não sobreposta (até os convidados estrangeiros são distintos). O que importa destacar é que o Mensageiros não se procura ser, consciente ou inconscientemente, uma extensão ao Fórum nem uma forma de antecipar os acontecimentos do mesmo, ainda que (mais por constrangimento de disponibilidade dos participantes e dos meios logísticos do que por propósito) ambos ocorram a poucas semanas um do outro. Nem o Fórum será um revisitar ou remastigar de temas já abordados. Ainda que desconheça o conteúdo e programação do Fórum deste ano, é de esperar uma continuidade do trabalho desenvolvido desde 2004, com particular incidência na divulgação dos trabalhos nacionais, numa luta contra o desconhecimento e a falta de promoção, e na inclusão de temas e criadores, procurando evitar temas e preferências que fossem contra a necessidade de divulgação.

Se tivermos de escolher entre reflexão e divulgação, creio que o predomínio inconsciente, inclusive missionário, de quem organiza - consciente de que o meio é pequeno e precisa de desenvolver-se - será a da divulgação, deixando a reflexão para quando existir obra suficiente. E como o tempo e os meios são escassos, por vezes ocorrerá uma maior incidência sobre a divulgação e um menor contacto com a academia. Na maioria das vezes, esta incidência será acidental e ocasional, fruto das circunstâncias e das decisões à última da hora. Penso que o Fórum Fantástico tem tido um trabalho excepcional e até certo ponto inglório nesta divulgação, e que tem cumprido para além das expectativas. Se concordo com a exposição de determinadas obras e modas editoriais, antes de se consolidarem num padrão mínimo de qualidade literária? Não - porque prejudica o meio e, no fim, o próprio evento; mas aceito e entendo e aplaudo o esforço de divulgação e inclusão do todo, deixando democraticamente ao público a escolha do bom.

Resumidamente, se o Fórum Fantástico não existisse, não seria possível fazer-se um colóquio como o Mensageiros nos moldes em que são propostos. Ou, se se fizesse, iria cair-se no umbiguismo dos encontros da Simetria, cuja linguagem especializada não tinha correspondência no público-leitor. Para o bem e para o mal, não somos um país com uma tradição firme de fantástico. Entenda-se isto de uma vez por todas. Pedimos emprestado aos outros os moldes pelos quais imaginamos e concebemos estes mundos. E sem esta tradição, não há exigência que lhe valha. Vou repetir: (ainda) não temos um público exigente. Ainda não aprendeu a sê-lo. Iniciámos no ano 2000 um percurso nacional de descoberta do género que ignoro se terá continuidade quando o mercado internacional desviar a atenção para outras tendências. Se fizermos uma comparação, estamos na era do pulp. A audiência é jovem e impressionável, no bom sentido, aceita o que é produzido e sente que é seu dever patriótico incentivar a produção interna, e apenas uma pequena percentagem se preocupa em obter referências internacionais e fazer comparações. Esta percentagem, contudo, não influencia as vendas nem enche as salas dos encontros. Eis uma evidência impossível de ignorar.

Mas a alternativa de cruzar os braços e aceitar o destino também não é desejável. Espero que a oportunidade dada pelo Centro de Estudos Anglísticos este ano, de se debater e pensar o fantástico com a perspectiva académica, consiga despertar numa fasquia do público essa necessidade de conhecer e descobrir o vasto universo existente para além das modas e das edições nacionais, sempre dependentes da triagem empresarial.

UPDATE: na versão anterior deste texto, havia uma referência ao cartaz alternativo do evento, que não era um desmerecimento do cartaz oficial nem uma comparação de qualidade (a qual nem se aproxima do mesmo), mas tão-somente uma preferência por uma ilustração com uma sugestão ficcional, que me fez pensar nas capas das edições francesas e no primeiro cartaz dos encontros de Cascais (autoria de Diniz Conefrey). Aqui também existirá, quiçá, algum saudosismo. Como a alternativa estaria a ser promovida pela organização do colóquio, a par do cartaz oficial, senti que não haveria problemas em torná-la pública, em jeito de comentário final. Esta situação mudou, aparentemente, e isso levou-me a também eliminar a afirmação - perfeitamente irrelevante no contexto crucial do estado da arte do género e sobre o qual devemos efectivamente concentrar as nossas energias de argumentação.

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09 Outubro 2010

Referências E Hiperligações, eis a matéria de que os sonhos são compostos:

Once Upon a Place: Haunted Houses & Imaginary Cities é o inspirador título de um ciclo de conferências que terão lugar nesta próxima semana na Calouste Gulbenkian (Lisboa), dedicado à mistura entre arquitectura e ficção. Falar da influência recíproca destes dois elementos é um propósito cativante, que deu azo a algumas das criações artísticas mais interessantes do século passado. Imaginar espaços urbanos do futuro é um dos mais conhecidos prazeres culpados da FC, e de imediato nos lembramos das cidades espaciais de Blish, da cidade submersa de Pohl e Williamson  (e claro, as cidades submersas de Júlio Verne, da Atlântida e como cenário de inúmeros filmes), das cidades flutuantes de Silverberg, da Veneza afundada de Robinson, da cidade-mundo de Trantor, da cidade-planeta designada por mundo-anel, das cidades verticais de Roberts, de Ambergris e Lankhmar e tantas outras. Uma breve avaliação das palestras não faz transparecer nenhum destes conceitos, e apenas se espera que haja algum espaço para a cidade no fantástico no decurso deste evento - para que o público não se convença que as cidades imaginárias terminam em Calvino. Ainda que, nesta matéria, uma imagem valha por mil páginas...

Outra conferência invejável é a que irá ocorrer na Faculdade Cásper Libero (e é preciso navegar até à página dos contactos para percebermos que se situa em São Paulo) no dia 30, sobre uma mistura mais tradicional e saudável, que é a da ciência e da ficção. Science'n'fiction tem participação de autores de FC e cientistas brasileiros, e o leque de temas é interessantíssimo, algo que gostaria de replicar por cá. O evento vai ser transmitido pela internet mas é preciso uma inscrição prévia para obter o link.

Por coincidência, eis uma ficção que mistura fantasia, cidades e Brasil: Uma Cidade Sonhando Seus Metais.

Terminamos com uma versão stand-up comedy do RUR, uma versão lesbo-burlesca do Twilight (para meninas com certas inclinações e meninos com as inclinações correctas), e uma entrevista ao Peter V. Brett na qual ele menciona Portugal (autor publicado pela Gailivro que estará presente no Fórum Fantástico em Novembro, com apoio da editora).

E hoje começa a Hispacon.

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07 Outubro 2010

Como Nos Viam: na introdução a The Best From The Rest of the World: European Science Fiction, edição da Doubleday de 1976, o organizador Donald A. Wollheim, procurando traçar um breve e (assumidamente) pouco informado percurso da evolução da Ficção Científica na Europa Ocidental durante o século XX, consegue, apesar das dificuldades, identificar e comparar os autores e tendências da França, Itália, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Espanha e inclusive diferenciar as duas Bélgicas (a flamenga e a francesa) - apresentando, no geral, uma fotografia positiva, entre vontade e dinamismo.

Depois chega a vez de Portugal:

Of Portugal I can say nothing. I do know that translations appear regularly in Portuguese, but it has always been my impression that they emanate mainly from Brazil, and it may be that Portugal is little more than an outlet for its giant South American offspring's productions.

Palavras para quê?

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23 Setembro 2010

Sic Transit Gloria Mundi. Ou: passados vinte anos. Vinte anos. Que número tão redondo e insolente. E passou-se em Setembro, o mais arrogante dos meses. Ali, ao lado da seguradora (Bonança? Império? Foi antes do Tempo das Fusões, essa mítica era da qual pouco de fala nas obras de fantasia). Um lançamento discreto, mas com tantos autores que se poderia hoje comparar com aqueles concursos de vanity press que publicam os 1000 melhores contos de entre os 1001 participantes. Aqui também havia vanity, e em fartura, mas creio que se pode dizer saudável e merecida - havia, afinal, um critério de selecção que procurava alguma excelência literária, e concordando-se ou não com ele, nem o crivo era baixo nem todos o passavam.

Como as mencionadas iniciativas, a distribuição foi reduzida, não criou qualquer impacto, ninguém procura o livro em alfarrabistas, não aparece nos saldos das Feiras do Livro, e rapidamente desapareceu de memória. Ao contrário delas, ajudou a cimentar um espírito de comunidade, que tanto mais forte era quanto escassas e inesperadas as oportunidades de convivio. Se as ferramentas sociais da internet nos trouxeram o diálogo e a proximidade, também nos negaram o silêncio e a ausência - factores indispensáveis para podermos compenetrar-nos do que realmente tem valor na nossa vida.

O livro em questão chamava-se Antologia DN Jovem. Um livro gordo, de capa dura, da Editorial Notícias, que recolhia uma selecção generosa das contribuições do suplemento do Diário de Notícias ao longo de quase dez anos (o suplemento teve início de 1983). O organizador, Manuel Dias, também mentor da iniciativa, teria consciência que só os livros são eternos - quem mais consutará as edições originais do matutino em que saiam os nossos textos? Quis fazer dali uma obra de testemunho, e conseguiu. O livro tem qualidade, bom papel, bem organizado, paginado e impresso a preceito. Revisto decentemente.

Tendo iniciado a colaboração meros dois anos antes, entrei quase de fininho, e, devo dizê-lo, não com um dos textos que mais aprecie - estes viriam depois, a par da publicação do Futuro à Janela e da GalxMente. O Manuel Dias considerou que eu devia ser representado pela minha Ficção Científica, uma vez que isso me distinguia. Incluiu o conto «As Aventuras de Leia e Herbi no Desumano Mundo dos Humanos». Que não era um título da minha lavra. Que jamais seria um título de que me orgulhasse. A minha submissão inicial tinha a designação, pensava eu, mais poética de «As Águas Amargas do Desespero» (eis o angst juvenil ali em toda a sua pujança), uma peça em três actos sobre a injustiça de um pogrom anti-robôs. Era demasiado grande para o suplemento, e o Manuel Dias, tendo-o apreciado, preferiu retirar o primeiro acto, o mais fraco, acrescentar uma introdução justificativa e de enquadramento, e manter o segundo e terceiro actos inalterados. Numa correcta atitude de editor, alterou o título, pois já não se tratava da obra inicialmente submetida. Infelizmente não me perguntou a opinião, mas na verdade não faz mal, nunca me importei verdadeiramente. Pelo contrário. Conhecia os queixumes exasperados dos autores estrangeiros sobre os editores que lhes mudavam titulos e alteravam passagens - exemplo do Horace Gold. Ao passar pela mesma situação, ainda que irrisória, ao ter uma história semelhante para contar, ajudou a sentir-me autor.

Acompanham-me muitos outros colegas, neste livro, e todos melhores do que eu. Alguns que permaneceram (Joaquim Cardoso Dias, Venda, Agualusa, Direitinho), outros que andam um pouco calados. Merecem um comentário mais profundo do que sou capaz de fazer nesta nota apressada.

De destacar, no entanto, a outra colaboração de Ficção Científica, que só vim a descobrir neste livro e a encontrar nessa data do lançamento: o Ricardo Loureiro. Hoje em dia ajuda a dinamizar os fóruns sobre o género e a divulgar bons livros. Também já foi editor do Hiperdrivezine e da Nova, revistas literárias nas quais se estreou, entre outros, o Telmo Marçal, recentemente publicado em livro. Mas então era o meu compadre na ficção. Nos tempos em que era difícil e inglório escrever neste género, e as editoras, ao contrário de hoje, nos franziam o nariz ante o fedor de tal categoria.

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07 Setembro 2010

Pode Não Ser Crime, A Ingenuidade, mas por ela paga-se uma pena severa, que tanto mais severa se torna quanto mais pessoal e irrisório o acto (no sentido em que actos ingénuos causadores de calamidades ocupam de tal modo as vítimas na sua resolução que o perpretador acaba ofuscado da lembrança colectiva). No caso da literatura, não há maior ingenuidade do que contrariar as expectativas dos leitores para agradar aos editores. E deste acto - bem como de muitos outros - fui, e ainda continuarei a ser, por vezes culpado.

Uma das ocasiões de maior ingenuidade terá sido sem dúvida a participação nas Linhas Cruzadas, antologia da PT Telecom. Eis um livro de grande divulgação, com nomes sonantes, com um orçamento de marketing sólido a suportá-lo e um convite feito pelos organizadores (creio que era o Rui Zink). Condições: texto inéditos, que podiam ser de ficção científica. E um limite fatal: não mais de 800 palavras. Garantiram-me: absoluta e intempestivamente não mais que 800 palavras.

O ingénuo do autor não tinha contos de 800 palavras inéditos nem ideias para tal. Debatia-se com uma história sobre uma suposta invasão de um mundo alternativo, que podia não passar de uma doença - dez mil palavras no menos. Além de estar a braços com importantes alterações na sua vida (mudar de casa, desafios profissionais, a constatação que a Simetria, alvo de tanto esforço e anseios, se tornara num projecto zombie, etc, etc), banais e pouco originais, mas que lhe deixaram pouco tempo para pensar em alternativas. Não foi de modas: condensar uma mini-visão do futuro num poema.

Entendam o enquadramento não como desculpa mas memória. Como disse no último post, não interessam as circunstâncias do nascimento do texto, mas apenas a sua própria condição de ser. O poema, na opinião de muitos, ficou aquém do que poderia ter sido, ainda que não pretenda ser mais do que um conjunto de quadras, simples, directas, não sofisticadas, infantis. Algo que destoava - negativamente - de uma antologia daquele calibre.

De tempos a tempos alguém desenterra o morto, calhando ao Miguel a incumbência mais recente e, graças a ele, a pergunta que me levou a lembrar-me e escrever sobre o assunto. Agradeço-lhe pela atenção e peço desculpa pela frustração da expectativa, a ele e aos demais leitores. Devia ter ignorado os limites dos editores. Devia ter enviado o conto que realmente me apetecia. Eis uma lição aprendida.

Ainda assim... ainda assim, o poema tem um charme infantil que me continua a cativar. Talvez não o início mas sem dúvida o embalo. Será uma questão de ingenuidade permanente, será a história épica escondida no interior, ou ainda, uma musicalidade que a página não consegue reproduzir. Embora precise de uma boa revisão da métrica.

E pensar que este sacaninha me deu um trabalhão a compor...

Sonhos de Planetas e Estrelas

À distância da eternidade,
a Terra é um imenso formigueiro
De espécies convencidas de imortalidade,
mas que duram apenas um dia inteiro

De todas elas, a mais peculiar
será a bípede de aspecto simióide
Que antecedeu a artrópode polar
e reinou após a titânia sauróide

Pouco sabemos a seu respeito,
e tudo o que temos é curiosidade
De determinar o defeito
que a ceifou em tenra idade

Tinha raciocínio de construtora
e capacidades de manipulação
Mas natureza de predadora,
talvez seja essa a razão

De ter usado o planeta sem mente,
rumo a um destino fatal
Embora fosse a primeira inteligente,
enquanto espécie não era nada de especial

Uma civilização comunica pelos desperdícios,
uma espécie de organismos
Desta restam apenas indícios
de pedra, plástico e mecanismos

Que outrora abundaram em demasia,
sintoma de caos e desperdício
Fizeram da descoberta, teimosia,
e da tecnologia, vício

Sem controlar as hormonas em ebulição,
perderam-se em actos de amor e violência
Prova de que a animais de criação
não se concede o dom da inteligência

Em breve faria Gaia a rasura
que apagaria tão fracassada iniciativa
Esperaria milénios para a cura
e depois nova tentativa

Desaparecida e enterrada se encontra,
a pequena espécia valente
Que tentou cometer a afronta
de espalhar por outros mundos a semente

Pois, também na ambição pioneira,
havia sonhos de planetas e estrelas
Mas como lição derradeira
nem os tiveram a eles nem a elas

O erro não voltará a ser cometido,
pertence agora só ao passado
E a espécie, cujo nome foi esquecido,
vive apenas na alma de um sonhador cansado.

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05 Setembro 2010

Erros Meus e Má Fortuna, que sem dúvida sobejaram - pela especial graça das investigações para o Pulp Fiction à Portuguesa -, conduziram-me às folhas de O Isqueiro de Ouro, título com que Dick Haskins, também conhecido por António Andrade Albuquerque, inaugurou a sua actividade literária. A edição original data de 1959, embora a Web afirme que o número representa na realidade 1954, e a Web, como sabemos, nunca se engana. A qual, e não só, também o proclama um sucesso internacional em vintena de países. Se nesta realidade se numa alternativa, não faço ideia. Para tal, espero que o texto se tenha magicamente transformado numa preciosidade noir. Ou que o autor se redima nos romances seguintes. O que duvido, pois também li o Expresso de Berlim, livro bastante recente e que prometia uma boa história. Ficou-se pela promessa e pelos diálogos insalubres (tão pouco plausíveis como, por exemplo, os do Desafio de Aniceto).

Em O Isqueiro, o aparente suicídio de uma rapariga na linha de metro de Londres não convence o intrépido reporter Haskins, que julga tratar-se de assassínio e que tudo faz para o comprovar. Até consegui-lo, prega bofetadas, murros e ameaças em tudo o que é gente, numa demonstração de subtileza jornalística. Diz ao chefe de redacção para publicar parangonas que contradizem a afirmação da polícia e para as quais não tem provas, e espantosamente, o jornal manda a sensatez jurídica às favas e vai em frente. Mulheres caem a seus pés sem que tenha exibido um único prenúncio de carisma ou bom hálito. As deduções científicas recaem no presumível trajecto da bolsa da vítima, que foi encontrada longe do que seria o local de pouso se o suicídio fosse verdadeiro (e claro que os outros passageiros não poderiam ter-lhe dado um pontapé no corre-corre da comoção), e que só Haskins considera como pista relevante, contra toda a equipa de investigação forense da Scotland Yard. Grande homem.

Dirão que os anos 50 eram complicados e que o autor, jovem então, labutava por prazer contra a falta de material, de conhecimento e de experiência, inspirado em más ficções populares. Ninguém diz o contrário. Mas um livro é um livro é um livro. As circunstâncias do seu nascimento não devem ditar a apreciação futura e o tempo de vida, e às vezes é melhor simplesmente enterrá-lo de morte matada.

Mas nem tudo é mau. Dizer que, no final do livro, apeteceu-me escrever um conto em que o protagonista enchia de porrada este personagem Dick Haskins e o metia no devido lugar, não uma mas várias vezes, é, se o quiserem ver pela positiva, uma forma de explicar que o livro não me deixou indiferente.

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