Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


26 Dezembro 2010

Noite De Consoada e o meu router fez-me o favor de se juntar aos anjinhos sem aviso prévio. Onde encontrar um novo router àquelas horas insanas? Quem, na urbe fria, daria abrigo a um pobre viciado em internet à procura do último twitter inútil? Como poderia ele manter contacto com os outros coitados sem vida real? Quantas milhas e nevões e casas na pradaria e corcéis velozes e saloons e copos de palheto percorreria o vingador cansado, até... aham. Pois, ainda tinha o modem. Resmungando pelo desconforto de ter de sentar-se num lugar fixo, ao invés de poder sentar-se na casa onde bem lhe apetecia. A privação tecnológica é uma coisa tramada. A idade, também.

Ainda se fala em cloud computing e descentralização dos dados. Sem uma cópia offline actualizada em tempo real, sempre queria ver quantos negócios se poderão manter vivos ante uma quebra generalizada das comunicações. O que implica custos, se não duplicados, no mínimo acrescidos, para manter, quer cópia quer original. Cheira-me que o cloud computing é mais uma bolha à espera de rebentar, e que alguns grandes negócios serão levados na enxurrada...

Por outro lado, escreve-se demasiada FC em que a tecnologia funciona sem falhas. Como se a nossa experiência não fosse outra. Falta uma visão de uma tecno-ecologia, de máquinas com auto-diagnóstico e auto-reparação, de uma forma tão básica e desapercebida que nunca notaríamos que tinham estado avariadas. E de tempos a tempos, uma quebra sistémica anunciaria a morte do mecanismo. Empregaríamos então os termos «doente», «obstipado», «falecido» aos nossos electrodomésticos com justificada legitimidade. Sentiríamos genuína pena e perda. Uma ponderação que deixo a todos vós, caros escritores.

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25 Dezembro 2010

Alguns Pensamentos Animadores nesta quadra festiva.

- Tem de me ajudar, doutor. Sinto-me um fracassado. Tudo aquilo em que me envolva... falho. Acabei por perder o emprego, a minha família, os meus amigos, a minha casa... Até me tentei matar.
- O que aconteceu?
- Atirei-me de uma ponte para a linha do comboio mas calculei mal e acabei por aterrar na relva. Nem sequer parti nada.
- Céus, homem - exclamou o médico. - Como é que é possível falhar isso?

 

Era tão procrastinador, que passou anos a afirmar que se ia matar, até morrer de velhice.

 

Ela escrevia livros de auto-ajuda por que gostava de ajudar as pessoas. Há vários anos, quando ele veio procurá-la com a enorme depressão, disse-lhe para dar importância ao que tinha. Prescreveu-lhe passeios e afazeres e rotinas, leu-lhe textos, atendeu-lhe as crises telefónicas das madrugadas durante meses.
Este ano ofereceu-lhe o livro Como Preparar Bombas Caseiras. Talvez assim resulte.

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24 Dezembro 2010

O Presente É O Futuro que ninguém quis. Entre a miscigenação do urbano e da fantasia fácil e indolor, e a distorção da História para assumir vestes de modernismo com pouca ou nenhuma preocupação com a crítica social nem com o relativismo dos nossos comportamentos sociais, não há mais espaço para a Ficção Científica. É quase comovente perceber o quão nos distanciámos das palavras de Jack Williamson, um dos poucos autores que esteve no início do género e talvez tenha estado no seu fim:

For people of school age in the 1920s, science seemed like a sort of wonderland that would be a means of changing the world and making things perfect. And this was a feeling shared by many of us who were drawn to writing science fiction in that period.

O deslumbramento pelo vislumbre do futuro foi substituído pela re-descoberta de um passado alternativo de glória tecnológica. É isto o steampunk, e é lá que encontrarão os autores que escreveriam de outro modo FC nos dias actuais. Também esta moda passará, e com um tempo de vida mais curto, pois nem sequer nos permite ansiar pela vinda dos mundos descritos. Mas esta não deixará herança.

Se houve gente desanimada com o que o futuro lhes promete, será sem dúvida a que habita o Planeta Portugal, foram empurrados no último ano, entre berros e pontapés, para dentro de um romance de K. Dick, daqueles em que a realidade é muito diferente do plácido sonho em que pensavam viver. Mesmo que a realidade não passe de um desafio impossível imposto pelos matulões do clube europeu, naquela atitude de impor tarefas humilhantes aos putos de óculos e borbulhas, se não dá-se-lhes porrada... para que o puto de óculos e borbulhas volte a perceber que nunca fez verdadeiramente parte do clube.

Também por estas paragens relativamente caladas cederemos lugar ao revisionismo histórico, ao poder do vapor e da electricidade a carvão, talvez com algum comentário sarcástico à mistura. No fim, convém colocarmos em ordem a história da nossa vida, para que não assinalem mal os factos. Aceitam-se novas designações para este planeta. Se comprarem por atacado, fica mais barato.

Feliz 1811.

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18 Dezembro 2010

Esta É A História De Uma Sociedade tecnocrática que sonha com campos verdejantes e prados de papoilas. Claro que já se esqueceu que foi ali que começou, dia após dia trabalhando arduamente sob sol e chuva e rezando aos deuses dos elementos para que a geada não queimasse as colheitas e os gafanhotos não se juntassem em «flash mobs» devoradores. Tão insatisfeita estava que preferiu atravessar uma Revolução Industrial e várias guerras europeias até atingir um estado de equilíbrio assente numa economia global e na saúde assistida. Não há mal nenhum em sonhar, desde que se tenha presente que é algo que acaba ao acordar, ou nos genéricos finais. E que até os cenários dos sonhos terão os seus próprios sonhos de perfeição, sinal de que não representam o paraíso.

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08 Dezembro 2010

O Escritório Electrónico vinha eliminar o uso do papel. Então surgiu a impressora...

O livro electrónico vem eliminar o uso do livro em papel. Estão a notar um padrão?

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28 Novembro 2010

Porrada Da Grossa Entre Humanos e bichos vindos do além-Terra, à boa maneira antiga. Só espero que não estraguem com mensagens pseudo-humanitárias.

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