|
|
Uma interessante mistura de lançamentos caracteriza este passado mês, em que vemos chegar o recém-galardoado com o Pulitzer A Estrada, de Cormac McCarthy numa discretíssima edição da Relógio de Água, de capa negra e título minimalista (talvez demasiado discreta dada a importância do prémio e a qualidade reconhecida do livro; se a imprensa local não fizer a promoção, suspeitamos de mais um bestseller internacional que cá dentro passará despercebido), que nos apresenta a história terrível de um mundo desolado e da viagem (geográfica e emocional) que um pai e um filho têm de encetar para sobreviver. Como nos romances dos escritores de mainstream, a intensidade do cenário revela-se na precisão do estilo e das descrições, e segundo algumas críticas (ainda não lemos o livro) pouco tempo é dispendido a explicar as razões que tornaram o mundo no que agora é. Embora confiemos na imprensa internacional, não vamos para já por de parte a hipótese de que se enquadre naquelas abordagens apressadas na qual também colocaríamos Ensaio Sobre a Cegueira, e se num contestámos a sua adopção fácil do mecanismo que conduz ao cataclismo, não iremos agora louvar, antes de ler, o segundo, só porque não se chama Saramago... Uma nota: não encontrarão a edição nacional nas secções de Ficção Científica nem nada no livro sequer insinua que pertença ao género. Outra edição radicalmente diferente é a do quinto volume das Crónicas de Allaryia, Vagas de Fogo (Editorial Presença), a saga que apresentou Filipe Faria e que, para seu mérito, insiste em completar (só faltam dois livros). Não tendo acompanhado a série (derivados de Tolkien em nada enriquecem a nossa vida), esperamos que a idade e a experiência do autor tenham contribuido para enriquecer o estilo banal e a fraca qualidade do português presentes nos primeiros volumes e que constituiam um dos seus grandes e mais visíveis obstáculos. Gostaríamos de ver Filipe Faria terminar finalmente esta empreitada e dedicar-se a obras individuais, mais concisas e breves, e com maior nível de originalidade, pois o principal cerne das nossas críticas é de ver um jovem autor a ser empurrado para a ribalta com temáticas visivelmente influenciadas pelas obras de outros e sem possibilidade ou incentivo para apresentar o cunho pessoal, e antes ainda de ter atingido um nível de maturidade razoável na escrita que permita perceber qual será o seu verdadeiro contributo para as letras portuguesas. Finalmente, eis que nos chega também, pela Saída de Emergência, Eis o Homem, de Michal Moorcock, uma visão profana da vida de Cristo, na qual teria sido um viajante do tempo proveniente da nossa era que se deixa envolver pelas peculiares circunstâncias do seu objecto de estudo e da época - uma abordagem mais cínica que a de Nikos Kazantzakis. Escrito em pleno auge da New Wave (finais de 1960s), Moorcock venceu o Nébula com este livro, de leitura rápida e boa tradução por Luís Rodrigues.
Trata-se do Primeiro Concurso de Contos de Terror CTLX, patrocionado pelo Cineclube de Terror de Lisboa, em colaboração com as Edições Chimpanzé Intelectual e apoio da CML. O objectivo é premiar um conto original na área do terror em língua portuguesa, e o prémio aliciante é de 500 euros acrescido da publicação da obra. Para um texto que tenha entre 5 a 20 páginas a espaço e meio (2500 a 8500 palavras, por outras... palavras), o valor pecuniário não deixa de ser um factor importante, mas obviamente que o que interessa é dar a cara e responder ao apelo de um dos membros do juri, David Soares, que no seu blog exorta «sejam criativos! Mesmo criativos, está bem? Mas mesmo, mesmo. Mesmo!». Conseguem responder ao desafio? A literatura de terror portuguesa precisa de sangue novo (fresquinho, delicioso...) Até 31 de Maio. Mais informações no regulamento [link].
De acordo com o texto promocional da Editorial Presença: «Na Moscovo pós-soviética, uma raça de Seres Diferentes vive, lado a lado com os humanos, aparentemente indistinguíveis destes. Na realidade detêm poderes sobrenaturais e têm acesso a uma misteriosa dimensão paralela, a Penumbra. À noite, as Forças da Luz, das quais faz parte o jovem agente Anton, patrulham as ruas e o Metro, e protegem os humanos. Mas a sua tarefa principal é zelar para que as Forças do Mal não se tornem uma ameaça apocalíptica. O combate reacende-se numa corrida contra o tempo. O leitor é subjugado pelo sortilégio desta escrita brilhante e imaginativa, que flui num esplendoroso ambiente de thriller neogótico. Publicado em 1988, este livro, que já vendeu 3 milhões de exemplares só na Rússia, está traduzido em 15 idiomas e deu origem ao primeiro blockbuster russo. É o primeiro volume de uma trilogia.» Trata-se de Guardiães da Noite de Serguei Lukiánenko, e recentemente foi adaptado ao cinema, com algum sucesso entre nós, por Timur Bekmambetov. A tradução, de Natália Vakhmistrova, foi feita directamente do russo.
... é a primeira proposta da nova chancela Chimpanzé Intelectual, um singelo volume de contos de vários autores portugueses, alguns mais habituais ao género, outros frequentadores ocasionais: Luísa Costa Gomes, João Barreiros, Miguel Vale de Almeida, Luís Filipe Silva, entre outros. Disponível desde o Natal passado nas livrarias. Não deixem de consultar o site da editora para mais pormenores e caderno de imprensa. [link]
A Sombra Sobre Lisboa, antologia de contos originais sobre a obra de Lovecraft que decorrem em Lisboa ao longo da sua História, dos fenícios ao futuro, da chancela da Saída de Emergência. Participação, entre outros, de Rhys Hughes, Daniel Soares, Safaa Dib, José Manuel Lopes, João Seixas, João Ventura, João Barreiros, Rogério Ribeiro, Vasco Curado, Yves Robert, Luís Filipe Silva. Organização de Luís Corte-Real.
02 Dez 2008: Acaba de publicado o segundo número do fanzine brasileiro Black Rocket, com contos de Aguinaldo Peres, Carlos Relva, Charles Dias e outros, e dois ensaios de Edgar Smaniotto. [link]
02 Dez 2008: Encontra-se aberta a segunda edição do Concurso Literário FC do B, destinado a promover novos valores para a literatura brasileira. Os contos seleccionados farão parte da coletânea FC do B - Ficção Científica Brasileira - Panorama 2008/2009 [link]
01 Dez 2008: Entrevista com Octavio Aragão, autor de A Mão que Cria, a respeito da sua vertente steampunk. [link]
29 Nov 2008: «Falstaff» de Luís Filipe Silva adicionado ao nosso rol de ficções online. [link]
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
Email
contacto@
tecnofantasia.com
Folhear
Nota