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Como descrever Brasil senão enquanto viagem delirante por uma terra em transformação, em que o tempo e o espaço se misturam num delírio constante de possibilidades, num presente tão volátil que o futuro se encontra sempre em mudança? Este livro é a representação absoluta de uma terra colonizada: uma mistura de diversas influências, culturas e temas para resultar numa salada que, ao mesmo tempo, inova e ecoa lembranças dos antecessores que teve por base. Desde a missão do admonitório papal Luís Quinn, onde revemos traços de Marlow e o seu percurso selva dentro para recuperar Kurtz, a Marcelina, que num tempo que acabou de acontecer, se embrenha numa situação de personalizades trocadas e duplos ambulantes, a Edson, envolto numa mistura de histórias alternativas e estados quânticos, este romance mistura géneros, línguas e culturas para contar, do ponto de vista de um autor britânico radicado na Irlanda, Ian McDonald, uma história para todos os efeitos estrangeira, embora envolta em colorido local e uma reflexão sobre o difícil convívio entre superficialidade e significado de determinado espírito brasileiro. Um dos melhores romances de ficção científica publicados em 2008 pela chancela da Gailivro. A não perder.
(Edição de 2008) A Fantástica Aventura dos Anões da Luz é o livro de estreia de Catarina Coelho no domínio do Fantástico, com edição da Chiado Editora. Nas palavras da autora: «Esta é a história de uma comunidade de anões, os Anões da Luz, que possui uma magia muito poderosa (a qual eles não sabem utilizar a não ser para fazer o bem) e vive em harmonia, na sua aldeia, longe de todo o mal e sem ter sequer a verdadeira consciência de que, fora da sua comunidade, há seres muito diferentes deles, seres capazes de fazer o mal para atingir os seus fins. O responsável pela poderosa magia deste grupo de anões é Sulti, o feiticeiro da comunidade, sem a presença do qual a magia não funciona. Um dia, a aldeia dos Anões da Luz é invadida por um grupo de homens, que querem raptar o feiticeiro, para assim obter a magia dos anões e o poder que esta confere. Os anões tentam defender-se usando a magia, mas, perante a assustadora visão das armas e do que estas são capazes de fazer (os anões não faziam ideia de que existiam tais objectos), o feiticeiro não consegue pôr em prática a sua magia e acaba por ser raptado pelos homens. É assim que um grupo de anões decide deixar os restantes habitantes da comunidade e partir numa perigosa viagem...» Esta edição apresenta o subtítulo «Em Busca de Sulti». Estaremos perante o início de uma nova série? Mais informações e contacto com a autora poderão ser encontrados através do blogue do livro, uma feliz iniciativa de promoção que começa a ser seguida, ainda que de forma modesta, pelos autores portugueses. [link]
Ainda edição de 2008, O Último Navegador é o romance de estreia de Virgilio Castelo, mais conhecido na profissão de actor, e é um romance de futurismo nacional e sátira social. De acordo com editora: «Um novo Portugal onde, depois de uma guerra civil sangrenta que vitimou milhares de portugueses, nasce uma monarquia moderna. Um país de prosperidade e crescimento, onde não há atrasos nas consultas médicas, onde a Justiça funciona, uma nação com uma nova e fascinante capital chamada Lusitânia, situada entre a Beira Baixa e o Ribatejo. É este o país de Benjamim, o último navegador. Benjamim é um homem amargurado e sem esperança. Sofreu toda a vida pelo amor de Mariana, assistiu impotente ao suicídio do seu irmão e foi acusado de um crime que não cometeu. É em Rosa, uma jovem psiquiatra, que procura um porto de abrigo para contar a sua terrível história. Rosa, a viver uma crise conjugal, vê o seu mundo virado do avesso. Este homem provoca-lhe sentimentos estranhos, fá-la duvidar da sua ciência e da razão. Leva-a a conhecer novos mundos». Edição da Esfera dos Livros.
A Máquina do Tempo Acidental é um dos mais recentes romances de Joe Haldeman com que as Publicações Europa-América têm presenteado o público nacional. De acordo com a editora: «Matt Fuller é um simples e exigente assistente no centro de investigação no MIT. Durante uma experiência de medição quântica, Matt é surpreendido por um calibrador, controlado agora por forças estranhas que fazem com que comece a aparecer e a desaparecer, a viajar no tempo. Cheio de curiosidade e graças a alguns infelizes acidentes, Matt aperfeiçoa engenhosamente a técnica da viagem no tempo. Sentindo que o seu trabalho está num beco sem saída, enquanto a sua vida privada se encontra condenada ao fracasso, pois a sua namorada trocou-o por um outro homem, Matt não tem nada a perder e parte à aventura. É então que decide comprar um carro velho, no qual armazena os alimentos que precisará, e parte à descoberta. Mas, antes da partida, algo sucede... um assassinato que resulta numa perseguição; uma fuga que desencadeia uma união com um ser de Inteligência Artificial, uma jovem mulher que ele resgata de uma tecnoditadura religiosa. Para sair ileso desta perseguição, resta-lhe uma única opção: encontrar um lugar onde possa estar em segurança... porém, esse lugar pode nunca surgir no seu horizonte, pode nem sequer existir!»
De acordo com a agência Lusa, «Trinta anos depois da primeira edição, o autor de banda desenhada Victor Mesquita acaba de reeditar pela Gradiva a obra Eternus 9 - Um filho do Cosmos, uma narrativa de ficção científica sobre a condição humana. A primeira prancha de Eternus 9 foi publicada em Abril de 1975 na revista Visão, que Victor Mesquita fundou e dirigiu, mas o álbum só seria publicado na íntegra pela editora Meribérica-Liber em 1979. A história centra-se na viagem cósmica de Eternus 9, um homem que "é ponto de partida e de chegada de todas as coisas", escolhido pelo telepata do templo de Kairos para procurar uma verdade universal. "Eu na altura pensei em conceber um herói que representasse a Europa, porque na América já existiam super-heróis. Mas eu queria que fosse humano apesar de ter faculdades paranormais", disse o autor à agência Lusa. Victor Mesquita desenhou uma Lisboa futurista, com um centro de biologia experimental suspenso por cima do Castelo de São Jorge, onde cientistas investigam o comportamento humano e procuram vida inteligente no universo por causa das alterações ao equilíbro ecológico.»
O Grande Sono da Ficção Científica é o título apropriado do artigo que a jornalista Eduarda Sousa publicou no passado dia 12 de Dezembro no suplemento Ípsilon do Público, jornal português. Neste, aborda um corajoso conjunto de temas e questões que assolam o estado actual da FC portuguesa e em Portugal: a menor visibilidade face ao fantástico, o trabalho relativamente isolado dos seus criadores lusos, as dificuldades de investimento num mercado sem expressão pelas editoras. É um artigo que surge num momento importante, em que a pujança das edições de fantasia ofuscam a crise de um género melhor definido como «laboratório de ideias» e apresenta um apanhado de opiniões. É uma pena que o espaço reduzido da publicação em papel (e em particular, o Público, jornal de destaque nos tempos da minha juventude) imponha limitações de espaço tão rigorosas e extremas, sentindo-se neste texto uma necessidade de respirar profundamente e aprofundar os temas que nos são apresentados, em particular por conhecermos o esforço e dedicação que a autora colocou no artigo. Esperemos poder incentivá-la a desenvolver este material e colocá-lo na internet, enriquecê-lo com material de referência e ligações para outras fontes, algo tão próprio a este meio (e depois ainda se pergunta porque está a imprensa em papel em vias de acabar). [link para artigo online]
26 Abr 2011: Encontra-se disponível para leitura gratuita a antologia Lugares Distantes, organizada por Daniel Cavalcante e Jonathan Cordeiro Cavaca, contendo relatos fantásticos de autores portugueses e brasileiros, entre os quais Emanuel R. Marques, João Rogaciano e Bruno Resende Ramos. [link]
14 Nov 2010: Hoje, no Fórum Fantástico: workshops de escrita com David Soares e Luís Pereira, painéis sobre sugestões de leitura, banda desenhada e fantástico, e curtas portuguesas. A não perder [programação]
14 Nov 2010: Atribuidos os prémios franceses Utopiales 2010. Vencedores ex-aequo: Cygnis de Vincente Gessler e Tancrède de Ugo Bellagamba [link]
20 Jul 2010: Lançamento inaugural do jornal Conto Fantástico, dia 21, às 19h, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa.
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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