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Era uma vez uma autora que sob o pseudónimo Megan Lindholm ia publicando obras de fantasia ligeira e contemporânea, e a vencer alguns prémios, até que, numa tentativa de renovação, criou o pseudónimo Robin Hobb e alterou o tema para fantasia medieval europeia - e descobriu ouro. Aprendiz de Assassino foi o primeiro livro com essa nova pele, e rapidamente se tornou num sucesso de vendas, assegurando-lhe lugar entre as fileiras dos que produzem fantasia ao quilo. A história movimentada do pobre e solitário Fitz, que tem de orientar-se numa corte inóspita, repleta de inimigos, e que só na arte de assassinar consegue revelar o seu verdadeiro talento. Da sinopse da edição da Saída de Emergência: «O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino. Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino. Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.» Trata-se do primeiro volume da «Saga do Assassino» (são três - pelo menos, esta sequência). Vale bem a pena descobrir - quando esta saga começou a ter sucesso ainda não se verificara o empurrão comercial do início dos anos 2000, e os livros ainda tinham de conquistar mercado por si mesmos. [ler excerto da obra] [assistir a booktrailer]
O Fado da Sombra é o sexto volume da saga com que Filipe Faria fez a sua estreia literária no início desta década e na qual tem desenvolvido os seus crescentes dons enquanto escritor. Foi esta saga também (denominada de «Filhos de Allaryia») a responsável por um breve e discreto, mas importante, revivalismo (na verdade, nascimento) da fantasia épica portuguesa, a qual se traduziu por um surgimento de um mercado e grupos de fãs portugueses que pela primeira vez na história se centraram em torno de um autor nacional - e de forma efectivamente não perene. Já não é a primeira vez que afirmamos (quer no site quer pessoalmente ao autor) que aguardamos pela próxima iniciativa literária de Filipe Faria e que esperamos que nos surpreenda a nível de tema e abordagem - queremos conhecer que autor sairá desta experiência alargada e perseverante de vários anos. Positivo também é o facto de Filipe Faria estar quase a completar a promessa que fez ao público e não ter abandonado a história a meio. Quando a terminar estaremos perante a maior (e primeira) saga de fantasia épica portuguesa. De que trata então esta sexta entrega? Segundo a Editorial Presença: «Os deuses estão mortos, e a sua queda deixa Allaryia à beira de uma espiral de desordem e destruição. As sementes dos planos d´O Flagelo germinam em segredo, e Aewyre Thoryn e os seus companheiros são os únicos que estão cientes da insidiosa ameaça, bem como os únicos em condições de a combater. Dá-se então início a uma desesperada corrida contra o tempo, enquanto servos renegados de Seltor conspiram para levarem a cabo a queda de Ul-Thoryn. Uma ameaça de tempos imemoriais acerca-se entretanto da Pérola do Sul, ameaçando cortar pela raiz a resistência contra O Flagelo. Este é ponto de viragem da Oitava Era, após o qual nada será como dantes em Allaryia, que neste sexto volume levanta a parada num inesquecível épico de acção e aventura.»
Duas belíssimas edições contendo dois aspectos diferentes da rica vida literária de Edgar Allan Poe, autor que pela sua contribuição para as letras não pode mais ser considerado norte-americano mas universal, surgiram recentemente nas prateleiras das nossas livrarias, fazendo jus ao ditame, em eras de digitalização e virtualidades, que um livro impresso consegue ser um objecto ímpar e uma obra de arte em si mesma, e logo continuar a ter um papel distinto no mercado. Todos os Contos, numa colaboração Quetzal-Círculo de Leitores, é o primeiro volume de uma iniciativa que procura recolher num par de volumes encadernados com belíssimas ilustrações de Joan-Pere Vliladecans o espólio contista de Poe, contendo clássicos tão famosos como «O Escaravelho de Ouro», «Mistérios da Rua Morgue», «O Gato Preto», «O Poço e o Pêndulo», e talvez o conto mais próximo da Ficção Científica de Poe, «Descida ao Maelström». A tradução é de J. Teixeira de Aguilar, um dos mais interessantes tradutores da praça e que durante anos foi contribuindo para elevar a qualidade média (nem sempre muito alta, admita-se) das colecções de FC nacionais, nomeadamente das da Europa-América (foi dele a tradução de Robot Completo de Isaac Asimov, por exemplo). Espera-se para breve a edição do segundo volume. Numa outra vertente literária, a da poesia, temos também recolhidos num belíssimo volume encadernado da Tinta-da-China, a Obra Poética Completa, também contendo ilustrações fantasmagóricas (estas da autoria de Filipe Abranches) e uma tradução requintada de Margarida Vale de Gato, que também contribuiu com a introdução e notas. Eis assim, depois de Fernando Pessoa e Machado de Assis (e possíveis outros), que «O Corvo» é novamente vertido para lusitano. A não perder.
Onde Os Últimos Pássaros Cantaram, de Kate Wilhelm é nitidamente um romance da década de 1970, com a linguagem e preocupações relativamente à possibilidade de um desastre ecológico e investigação da tecnologia da clonagem genética. Contudo, que um romance dessa era ainda seja extremamente relevante na nossa apenas revela a capacidade da Ficção Científica para soltar os primeiros gritos de alarme para as preocupações que virão a ser de todos. Trata-se de um romance sufocante sobre a necessidade da clonagem para sobreviver, particularmente numa era de infertilidade sexual, até que o estado das coisas regresse à normalidade - algo que parece não se vir a concretizar. Ou de acordo com a contracapa: «David, estou a contar-te aquilo que o maldito governo ainda não quer admitir. Estamos no início duma longa depressão que vai arrastar a nossa economia, e a de todas as nações deste mundo, para uma crise como nunca antes imaginámos. A poluição espalha-se mais rapidamente do que sabemos. Já estamos com um crescimento zero da população há alguns anos. A fome já se estende a um quarto do mundo, neste preciso momento. Há mais doenças agora do que quando Deus lançou as pragas sobre os egípcios. Há mais secas e cheias do que há registo. Espécies inteiras de peixes desapareceram, simplesmente desapareceram. Não há o raio duma colheita neste mundo que não sofra de algum tipo de praga ou doença, e as coisas só vão piorar. E eles não sabem o que fazer a respeito de nada disto. Estes loucos vão justificar cada catástrofe, atribuindo-a a uma condição isolada, e virarão as costas ao facto de se tratar de uma questão global, até ser tarde de mais para o evitar.» Excelente ilustração e conceito gráfico na edição portuguesa da Gailivro, que contribui para o aspecto pesado e sério da obra. Este foi um livro que demorou a surgir nos nossos escapates. Por terras de Além-mar, venceu o prémio Hugo em 1977.
Anunciada como a nova revelação da Fantasia portuguesa, Ana Vicente Ferreira estreia-se na editorial Ulisseia com Sangue de Dragão, a primeira entrega da trilogia Contos de Khaila, cujos próximos volumes, Coração de Lobo e Asas de Grifo se encontram em preparação. «Ariana odiara toda a vida aquilo que a tornava diferente dos outros elfos: o sangue de dragão, herança de um pai há muito desaparecido. Através do diário de um antepassado seu, pensa ter encontrado na pedra mágica Sylmaen, o lendário açaime de dragões, a solução para o seu problema. Parte então com Kels, em direcção ao Sul, sem saber que o objectivo da sua demanda é conhecido por aqueles que têm planos bem mais negros para a pedra mágica. Durante a viagem, Aelanna será obrigada a rever tudo o que sempre lhe fora ensinado sobre o mundo. Quando o elfo Ghyalt se junta ao grupo, Aelanna fica dividida entre o que sente pelo mago Lorean e o alívio de ter consigo alguém que partilha a sua mundividência.» Seguem-se surpresas e reviravoltas de enredo, infelizmente denunciadas no material promocional mas que nos coibimos de transcrever aqui. Demandas, viagens, elfos, magos, dragões, pedras mágicas... os aparentes ingredientes base de uma fantasia moderna. É mais um autor português, felizmente com bastantes projectos em carteira. [link]
Jack Dann efectua a sua estreia entre nós em edição da Saída de Emergência com O Caderno Secreto de Leonardo, tradução de «The Memory Cathedral» por David Soares, uma fantasia sobre a vida de Leonardo da Vinci escrita antes deste cultista florentino se ter tornado alvo de conspirações milenares e filmes bocejantes com o Tom Hanks. Contado com a verve de um mestre fabulista, é uma mistura de tecnofantasia, história alternativa e recriação história, a par de obras como A Loucura de Deus e Jack Faust (brevemente), ambos desta editora. De acordo com a contra-capa: «Imagine todas as máquinas de guerra que Leonardo desenhou no papel a ganharem vida e a travarem uma batalha que poderá mudar a História tal como a conhecemos... Numa obra-prima da fantasia histórica, Jack Dann recria a magia da Itália Renascentista e oferece a sua própria história secreta de um ano na vida de Leonardo da Vinci... Florença do século XV. Numa cidade governada pelos Médicis, num tempo em que a magia e a ciência eram uma só, irrompe o génio de Leonardo Da Vinci. Rodeado de figuras brilhantes maiores do que a vida como Sandro Botticelli e Niccòlo Machiavelli, Leonardo vive a vida prestigiada de um artista e ama uma mulher arrebatadoramente bela. Mas um inimigo implacável conspira a sua queda. E cedo este grande artista inventor será forçado a abandonar a cidade onde nasceu, para dar início a uma viagem mística para um destino - e uma aventura - que poderiam ter sido realidade.» Em dois volumes. A não perder.
Divulgação de evento cinematográfico a decorrer no Porto: «2009 marca os 200 anos do nascimento do escritor Edgar Alan Poe. A convite da editora Alma Azul, a Videolab associou-se também às comemorações do aniversário. Assim a livraria-café Gato Vadio no Porto, vai acolher a primeira sessão, Videolab & Poe – Contos Poesia. O evento vai ter lugar no próximo sábado, dia 18 de Abril, a partir das 22 horas, na Rua do Rosário, n.º 281. A entrada tem o custo de 0,50€. Vão ser apresentados trabalhos de realizadores de diversos países, alguns dos quais premiados em festivais internacionais. Durante o evento vão decorrer também apresentações de livros e leituras de poemas.» Destaque para The Raven de Peter Bradley, The Pit and the Pendulum de Marc Lougee, El Corazón Delator de Alfonso S. Suarez.[link]
«Meggie é uma grande apreciadora de histórias e adoraria que o pai lesse em voz alta para ela. Mas ele não o faz há muitos anos, desde que a mãe desapareceu misteriosamente. O pai possui um dom especial: quando lê um livro em voz alta, as palavras ganham vida na sua boca e coisas e personagens das histórias saltam do livro para o mundo real. O pior é que quando algo salta cá para fora, alguém ou alguma coisa deste mundo entra para dentro do livro... A partir daí, sucede-se um sem-fim de desconcertantes aventuras, mistérios e muito suspense... Cornelia Funke escreve com mestria, fazendo o leitor sentir que está dentro da história. Talvez ela também tenha o dom... » Inkheart - Coração de Tinta é a primeira aposta da colecção Via Láctea para o ano de 2009. Edição da Presença, a tempo do filme.
Um título como A Maldição poderia destacar-se na obra de um outro autor; contudo, quando encimado pela «marca» Stephen King, torna-se praticamente num dado adquirido, uma vez que de certa forma todas as suas histórias versam sobre maldições de um tipo ou outro - não se esqueçam que foi ele quem tornou os telemóveis em veículos do inferno em «Cell» -, e conduz o leitor a procurar que bendita obra representa afinal aquela tradução. Felizmente, apagado na capa surge «Duma Key», como se se tratasse de uma tímida confissão da desconfiança dos editores de que o título português poderia não funcionar. E somos assim presenteados com a edição nacional de um pobre construtor cujo acidente profissional o leva a perder um braço e afastar-se da família, para se refugiar no istmo de Duma, a primeira incursão de King ao estado da Flórida. Após umas centenas de páginas de uma perfeita descrição da melancolia de ter-se mais de cinquenta anos, os filhos crescidos e uma vida inteira pelas costas, começa a surgir aos poucos a inevitável intrusão do fantástico, à boa maneira King - sem sobressaltos, intrometendo-se ligeiramente, criando uma atmosfera envolvente e perturbadora. Longe de ser uma obra prima (teria merecido o escalpelo de um editor sem remorsos que lhe reduzisse o tamanho para metade), é no entanto um livro bastante sólido e que confirma o estatuto de grande mestre do terror. Edição da Bertrand.
«Um homem – Artur Poeira, nome já em si premonitório – é esquecido pelo próprio destino. Os “esquecidos” são, mais tarde ou mais cedo, conduzidos à Casa do Esquecimento pelo seu Destino personificado. O que acontecerá quando um “esquecido” tem oportunidade de se tornar, ele próprio, o Destino de muitas outras pessoas?» Eis a proposta de narrativa de A Casa do Esquecimento, de Fernando Dinis, da Teorema. A publicidade fala-nos de invulgaridade, narrativa estranha e cheia de suspense, e no meio enfia referências a Kafka e Murakami. O autor, nascido em 1976, iniciou-se pela poesia com o livro Dá-me-te (2003), e nos anos seguintes publicaria ainda dois outros volumes de poesia. Além de escritor, Fernando Dinis é também músico, tendo lançado este ano o disco Piano Works, o primeiro trabalho de composição em piano. A Casa do Esquecimento, título que inaugura o ano de 2009 a nível originais portugueses relacionados com a área do Fantástico, foi galardoado com o Prémio Literário Fnac /Teorema de 2008, escolhido de entre uma centena de «candidaturas de elevada qualidade», de acordo com a nota no site oficial do concurso. O Júri foi constituído por Carlos da Veiga Ferreira (Editorial Teorema), Rui Zink (Escritor) e Dóris Graça Dias (Crítica Literária). [link]
27 Fev 2010: Lançamento da Guerra da Pirâmide (HM Editora), o segundo romance de Paulo Fonseca na série Império Terra, na Fábrica de Braço de Prata, Lisboa - hoje pelas 17h.
21 Fev 2010: Balanço do ano, acompanhado de interessante sinopse histórica, sobre romances brasileiros de FC. [link]
21 Fev 2010: Lançamento do novo romance de David Soares, O Evangelho do Enforcado, na loja FNAC do Centro Comercial Colombo, Lisboa, dia 24 de Fevereiro pelas 18h30. A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Manuel J. Gandra.
22 Jan 2010: Novo artigo sobre a situação actual da Ficção Científica portuguesa no suplemento do jornal Sol, esta sexta-feira. [link]
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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