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«Durante séculos, o mundo de Pern enfrentou uma força destrutiva, conhecida por Fios. Porém, os magníficos dragões que sempre protegeram Pern, assim como os homens e as mulheres que neles voavam, começaram a escassear. À medida que cada vez menos dragões deslizam pelos ares e a destruição insiste em cair do céu, Menolly, uma rapariga de quinze anos, tem apenas um sonho: cantar, tocar e compor a música que lhe é tão familiar - deseja tornar-se Harpista. Mas, apesar do seu grande talento, o pai acredita que uma rapariga não merece ocupar uma posição tão respeitada e proíbe-a de seguir os seus sonhos. Menolly foge e depara-se com nove lagartos-de-fogo que poderão salvar o seu mundo… e mudar a sua vida para sempre.» A Canção do Dragão marca o regresso a um dos universos mais conhecidos do fantástico recente, proveniente de uma era editorial em que as obras de fantasia precisavam de ser explicadas em termos de ficção científica para serem publicadas. Neste caso, os Fios são entidades alienígenas que caem da lua de Pern e os dragões treinados para os combaterem produto de engenharia genética. Tudo porque Pern é afinal uma colónia espacial que perdeu a memória dos tempos - a trilogia principal inclui a clássica cena de descoberta da espaçonave enterrada, algo que não faria sentido nos dias actuais. O presente livro inicia uma segunda trilogia que, contudo, é uma tentativa de recuperar a inocência antes da descoberta, e por esse motivo recupera o tempo narrativo da primeira trilogia segundo a perspectiva de um conjunto diferente de personagens. De Anne McCaffrey, publicada pela Gailivro, com algumas saudades das opções de tradução encontradas por Eurico da Fonseca nos tempos da colecção Argonauta.
Outra das nossas recomendações é As Atribulações de Jacques Bonhomme, o livro de estreia de Telmo Marçal. Com edição da Gailivro, esta obra tem vindo a marcar presença no fandom português de ficção científica através da sua escrita cuidada e da intensidade das narrativas - como o demonstram as críticas que, lentamente mas com igual certeza de opinião, vão surgindo, Formada por doze contos e um prefácio explicativo da intenção do livro, trata-se de literatura portuguesa como raramente vista e uma demonstração de que a Ficção Científica nacional é também capaz destas coisas. Ao contrário dos restantes novelistas actuais da nossa praça, Telmo Marçal começou a publicar com alguma regularidade em fanzines, sítios e revistas de fantástico online, estando uma parte destes contos disponíveis ainda hoje para leitura - contruindo assim uma reputação de qualidade, bem como desenvolvendo um manancial de histórias que rapidamente lhe permitiram saltar para o formato livro. Como, aliás, acontece lá fora aos autores a sério. A não perder. [Conto «Reconversão de Excedentes»] [Conto «O Paciente»]
O enredo de A Guerra É Para Os Velhos pode resumir-se assim: «No dia em que fazia setenta e cinco anos, John Perry realizou dois feitos. Visitou a campa da esposa pela última vez, e a seguir alistou-se no exército. Eis a boa nova: a humanidade viaja entre as estrelas. Eis a má nova: são poucos os planetas no universo capazes de abrigar a vida e já há quem os tenha na mira... Humanos e alienígenas defrontam-se numa guerra eterna pela posse destes territórios, procurando sobreviver e expandir-se a todo o custo. É uma guerra suja, sangrenta, sem tréguas. E enquanto for possível às forças de defesa coloniais, a terra continuará afastada do centro do conflito. Mas uma guerra não acontece sem soldados. E se a guerra é eterna, não é possível sacrificarmos constantemente os nossos jovens. Temos de sacrificar os nossos velhos. Prometer-lhes uma vida nova, lá longe, nas colónias. Um corpo rejuvenescido. Um recomeço. Só precisam de se alistar aos setenta e cinco anos de idade, abandonar para sempre a terra e tudo o que conheciam. E não tombar em batalha...» Da autoria de John Scalzi e edição da Gailivro, é um dos poucos livros de Ficção Científica publicados este ano em Portugal (a par de Com a Cabeça na Lua, Onde os Últimos Pássaros Cantaram, Darwinia e As Atribulações de Jacques Bonhomme), e consigue conter alguns dos atributos (bons e maus) da antiga FC dos anos 1950, na tradição de Robert Heinlein (embora Heinlein fosse no geral bastante mais político e acérbico nas opiniões manifestadas, além de um melhor contador de histórias na sua época inicial). Um texto leve e divertido, com bastante aventura e algum humor. Para efeitos informativos, foi traduzido pelo autor desta recomendação.
A primeira das recomendações de Natal que iremos apresentando durante o mês de Dezembro traz etiqueta de advertência: é que um dos contribuidores é o próprio autor desta recomendação, e logo pessoa suspeita. Indique-se, no entanto, que é acompanhado por João Ventura, David Soares e João Barreiros, o que lhe garante, pelo menos, 75% de qualidade. São quatro contos, cada qual com seu estilo e intenção mas todos centrados no tema dos brinquedos e como os brinquedos influenciam ou determinam o decurso dos acontecimentos numa vida, na vida de todos, ou numa das histórias, da própria vida dos brinquedos. Seremos nós os companheiros de folguedo dos brinquedos? Brinca Comigo!, E Outras Estórias Fantásticas Com Brinquedos é uma aposta segura (pelo menos a 75%) e bastante económica para oferecer neste Natal a quem gosta e a quem desconhece o género fantástico nacional. Da nova editora Escrit'orio. Se não o encontra na sua livraria, pergunte ao empregado - é bem possível que esteja soterrado debaixo de um qualquer clone vampírico. [editora]
Não deixa de ser assustadora a voracidade com que a fantasia heróica tem conquistado a oferta das principais casas editoriais do nosso país, as que são conhecidas principalmente pela oferta de mainstream. Trata-se manifestamente de uma oferta perene e dedicada a seguir na crista da onda - a fantasia que é oferecida provém dos catálogos recentes, dos autores da ribalta actuais, sendo que, em nenhum momento, nos deparamos com a edição de um dos clássicos do género (Jack Vance, Lord Dunsany, Sprague de Camp, Poul Anderson). Não se trata assim de uma edição especializada nem de uma editora com conhecimentos do género, algo que é reservado para as chancelas especializadas (Gailivro, Saída de Emergência, e por vezes a Presença) e sem dúvida que passada a moda, logo regressarão a editar aquilo que conhecem. Nada de mal nisso, a não ser uma oportunidade desperdiçada. Porque enquanto todos os olhares estão voltados para aqueles autores que mais se fazem cobrar, outros aguardam, possivelmente com direitos de mais fácil negociação, por um momento ao sol. Afinal, se a fantasia trata de mundos imaginados, um livro escrito nos anos 70 não teria iguais hipóteses de êxito? Fica a questão. E o destaque para Acheron, da Casa das Letras, chancela da Oficina do Livro, escrito pela americana Sherrilyn Kenyon. De acordo com a promoção (pois este não é o tipo de livro que costumemos criticar): «Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples... Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los – aos dois.» Fica a dúvida se "aos dois" (ou "a ambos") inclui a dita mulher, e porque será tão problemático que morra quem ameaça o protagonista. Esta obra conseguiu confundir o autor do texto publicitário. A não perder.
Trudi Canavan é uma autora australiana que ascendeu à fama com o conjunto de livros da série juvenil O Mágico Negro, comprovando que nesta era de globalização viver nos antípodas não impede de se ser conhecido. Depois de povoar durante anos as prateleiras das edições em língua inglesa, eis que a Bertrand, na senda de publicação de autoras australianas de fantasia, publica o seu A Guilda dos Mágicos, o primeiro tomo do Mágico Negro, ou não fossem as sagas de fantasia mais vastas e intermináveis que o mundano mainstream. A editora assim nos informa: «Todos os anos os mágicos de Imardin reúnem-se para purgar as suas ruas da cidade.Mestres de disciplina e da magia, sabem que ninguém se pode opor à sua vontade. Porém, o seu escudo protector não é tão impenetrável quanto acreditam. Quando uma multidão de pessoas é expulsa da cidade, Sonea, uma jovem rapariga, enraivecida com a autoridade dos mágicos e do tratamento que impuseram à sua família levando-os à miséria, atira uma pedra ao escudo. Para espanto de todos, a pedra atravessa o escudo e deixa um dos mágicos inconsciente. Trata-se de um acto inconcebível, e a Guilda dos Mágicos apercebe-se que o seu pior pesadelo se tornou realidade: existe alguém com poderes mágicos por treinar à solta pelas ruas, e deverão encontrá-la o mais depressa possível, antes que os seus poderes fora de controlo libertem forças que irão destruí-la a ela e à cidade.»
O Triunfo das Mulheres de A. Sacramento Campos (Fronteira do Caos Editores) é um daqueles objectos bizarros no mundo das edições nacionais. Com a chancela de uma pequena editora com algum vulto no nosso mercado, apresenta-se como uma história moralista com infelizes laivos de ficção científica muito à moda do Portugal dos nossos avós: arrasem-se com os malvados e escolham-se as elites dos bons costumes, sem hipótese de voto nem argumentação por parte do colectivo (o uso desta «fórmula mágica» para um mundo melhor continua a surpreender-nos, pois foi usada para fundamentar o Estado Novo, com o resultado que todos conhecemos...). As elites, neste caso, são femininas, à semelhança de AD 2230, de Amílcar de Mascarenhas (estamos em presença de um subgénero marcadamente nacional da FC?). O resumo da editora explica-nos o seguinte: «A enorme degradação política, económica, social e ambiental empurram a humanidade para um beco sem saída. Tudo parece perdido, até que surge Raul Bellow, entidade de conhecimento superior, designado para alterar o destino do planeta que vai contar com o precioso auxílio de um grupo de mulheres apostadas em mudar o mundo. A revolução está em marcha. Como será a nova ordem alicerçada na sensibilidade feminina? Será possível modificar uma sociedade essencialmente machista e esclavagista? Este livro relata-nos o que de mal existe na humanidade, e o que foi possível fazer pela sua regeneração através de uma força que nem sempre se vê – a das Mulheres!» Nuno Fonseca, intrépido navegante nestes incautos mares literários, abriu as páginas deste livro e sobreviveu. As suas palavras são claras. O que nos revelam é mais uma situação que empobrece o fantástico nacional e todos os seus praticantes por inerência. [crítica]
Chama-se Antagonista e irá surgir no início de 2010 com um catálogo de autores internacionais, pretendendo reanimar o género da Ficção Científica e do Horror no nosso país. Também procura autores nacionais. Nas palavras da editora: «A Antagonista Editora está a preparar uma colecção de novelas literárias de Ficção Científica e de Terror Fantástico para lançamento no primeiro semestre de 2010, estamos a aceitar manuscritos originais em formatos compatíveis com o Word (ou em formato .pdf), num mínimo de 34 páginas em formato A4, letra tamanho 10. Daremos resposta (negativa, ou positiva tendo em vista o início das negociações do contrato de edição) a todos os escritores que nos submeterem os seus manuscritos. Aceitamos submissões de todos os países lusófonos e ainda da Galiza, de Goa e de Macau.» Mais informações no link. [link]
Infecção é o primeiro sucesso em formato papel de Scott Siegler, um jovem autor norte-americano que não se conformou com as dificuldades editoriais da crise dos primeiros anos do novo século e decidiu agarrar nas rédeas do seu próprio destino. Pondo de parte o medo do plágio (ou seja, compreendendo perfeitamente que ninguém rouba obras de desconhecidos), Siegler dispôs-se a oferecer gratuitamente leituras dos seus romances através do recente formato «podcast». Montando um pequeno estúdio de gravação em causa, e lutando contra o desânimo, o autor acabou, em poucos anos, por conseguir uma base de ouvintes suficientemente vasta (fala-se em mais de 30 mil subscritores) para convencer uma editora a arriscar publicá-lo (isto devia servir de lição a todos os pretendentes a escritor por aí fora). Infecção, que agora chega ao mercado português pelas mãos da Gailivro, conta a história de uma misteriosa doença que se espalha pelo território americano, convertendo as vítimas em assassinos impiedosos (num tal cenário, oferecerias a outra face?). Uma doença que não é natural e que possivelmente terá sido criada em laboratório, com fins desconhecidos. Cheio de energia e emoção como se se tratasse de um filme - e na verdade, é possível que em breve vejamos esta história nos nossos ecrãs. Uma tarde de leitura bem passada.
Conan - Para Lá do Rio Negro é a mais recente contribuição para a saga do conhecimento cimério da autoria de Robert E. Howard, editada pela Saída de Emergência. O livro é composto por três noveletas: «Para Lá do Rio Negro», «Pregos Vermelhos», «As Jóias de Gwahlur». Nesta saga foram já editados em Portugal A Rainha da Costa Negra, O Demónio de Ferro e o Povo do Círculo Negro.
27 Fev 2010: Lançamento da Guerra da Pirâmide (HM Editora), o segundo romance de Paulo Fonseca na série Império Terra, na Fábrica de Braço de Prata, Lisboa - hoje pelas 17h.
21 Fev 2010: Balanço do ano, acompanhado de interessante sinopse histórica, sobre romances brasileiros de FC. [link]
21 Fev 2010: Lançamento do novo romance de David Soares, O Evangelho do Enforcado, na loja FNAC do Centro Comercial Colombo, Lisboa, dia 24 de Fevereiro pelas 18h30. A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Manuel J. Gandra.
22 Jan 2010: Novo artigo sobre a situação actual da Ficção Científica portuguesa no suplemento do jornal Sol, esta sexta-feira. [link]
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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