Conceito de Luís Filipe Silva

Ficção Científica, Fantástico, Surrealismo, Realismo Mágico, Terror, Horror, Ciberpunk e História Alternativa - e por vezes, se fôr de excelente qualidade, ainda fechamos os olhos a um certo Mainstream...

[Conheça o Manifesto]


Os acontecimentos mais recentes da ficção científica e fantástico em Portugal e no mundo

Lançamentos |  27 Dez 2009
Os Dragões Também Se Embalam
«Durante séculos, o mundo de Pern enfrentou uma força destrutiva, conhecida por Fios. Porém, os magníficos dragões que sempre protegeram Pern, assim como os homens e as mulheres que neles voavam, começaram a escassear. À medida que cada vez menos dragões deslizam pelos ares e a destruição insiste em cair do céu, Menolly, uma rapariga de quinze anos, tem apenas um sonho: cantar, tocar e compor a música que lhe é tão familiar - deseja tornar-se Harpista. Mas, apesar do seu grande talento, o pai acredita que uma rapariga não merece ocupar uma posição tão respeitada e proíbe-a de seguir os seus sonhos. Menolly foge e depara-se com nove lagartos-de-fogo que poderão salvar o seu mundo… e mudar a sua vida para sempre.» A Canção do Dragão marca o regresso a um dos universos mais conhecidos do fantástico recente, proveniente de uma era editorial em que as obras de fantasia precisavam de ser explicadas em termos de ficção científica para serem publicadas. Neste caso, os Fios são entidades alienígenas que caem da lua de Pern e os dragões treinados para os combaterem produto de engenharia genética. Tudo porque Pern é afinal uma colónia espacial que perdeu a memória dos tempos - a trilogia principal inclui a clássica cena de descoberta da espaçonave enterrada, algo que não faria sentido nos dias actuais. O presente livro inicia uma segunda trilogia que, contudo, é uma tentativa de recuperar a inocência antes da descoberta, e por esse motivo recupera o tempo narrativo da primeira trilogia segundo a perspectiva de um conjunto diferente de personagens. De Anne McCaffrey, publicada pela Gailivro, com algumas saudades das opções de tradução encontradas por Eurico da Fonseca nos tempos da colecção Argonauta.

Lançamentos |  02 Dez 2009
Contendas e Joanetes
O enredo de A Guerra É Para Os Velhos pode resumir-se assim: «No dia em que fazia setenta e cinco anos, John Perry realizou dois feitos. Visitou a campa da esposa pela última vez, e a seguir alistou-se no exército. Eis a boa nova: a humanidade viaja entre as estrelas. Eis a má nova: são poucos os planetas no universo capazes de abrigar a vida e já há quem os tenha na mira...  Humanos e alienígenas defrontam-se numa guerra eterna pela posse destes territórios, procurando sobreviver e expandir-se a todo o custo. É uma guerra suja, sangrenta, sem tréguas. E enquanto for possível às forças de defesa coloniais, a terra continuará afastada do centro do conflito. Mas uma guerra não acontece sem soldados. E se a guerra é eterna, não é possível sacrificarmos constantemente os nossos jovens. Temos de sacrificar os nossos velhos. Prometer-lhes uma vida nova, lá longe, nas colónias. Um corpo rejuvenescido. Um recomeço. Só precisam de se alistar aos setenta e cinco anos de idade, abandonar para sempre a terra e tudo o que conheciam. E não tombar em batalha...» Da autoria de John Scalzi e edição da Gailivro, é um dos poucos livros de Ficção Científica publicados este ano em Portugal (a par de Com a Cabeça na Lua, Onde os Últimos Pássaros Cantaram, Darwinia e As Atribulações de Jacques Bonhomme), e consigue conter alguns dos atributos (bons e maus) da antiga FC dos anos 1950, na tradição de Robert Heinlein (embora Heinlein fosse no geral bastante mais político e acérbico nas opiniões manifestadas, além de um melhor contador de histórias na sua época inicial). Um texto leve e divertido, com bastante aventura e algum humor. Para efeitos informativos, foi traduzido pelo autor desta recomendação.

Destaques |  19 Nov 2009
Um Português Escreveria «Aqueron»
Não deixa de ser assustadora a voracidade com que a fantasia heróica tem conquistado a oferta das principais casas editoriais do nosso país, as que são conhecidas principalmente pela oferta de mainstream. Trata-se manifestamente de uma oferta perene e dedicada a seguir na crista da onda - a fantasia que é oferecida provém dos catálogos recentes, dos autores da ribalta actuais, sendo que, em nenhum momento, nos deparamos com a edição de um dos clássicos do género (Jack Vance, Lord Dunsany, Sprague de Camp, Poul Anderson). Não se trata assim de uma edição especializada nem de uma editora com conhecimentos do género, algo que é reservado para as chancelas especializadas (Gailivro, Saída de Emergência, e por vezes a Presença) e sem dúvida que passada a moda, logo regressarão a editar aquilo que conhecem. Nada de mal nisso, a não ser uma oportunidade desperdiçada. Porque enquanto todos os olhares estão voltados para aqueles autores que mais se fazem cobrar, outros aguardam, possivelmente com direitos de mais fácil negociação, por um momento ao sol. Afinal, se a fantasia trata de mundos imaginados, um livro escrito nos anos 70 não teria iguais hipóteses de êxito? Fica a questão. E o destaque para Acheron, da Casa das Letras, chancela da Oficina do Livro, escrito pela americana Sherrilyn Kenyon. De acordo com a promoção (pois este não é o tipo de livro que costumemos criticar): «Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples... Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los – aos dois.» Fica a dúvida se "aos dois" (ou "a ambos") inclui a dita mulher, e porque será tão problemático que morra quem ameaça o protagonista. Esta obra conseguiu confundir o autor do texto publicitário. A não perder.

Lançamentos |  28 Out 2009
Dos Antípodas
Trudi Canavan é uma autora australiana que ascendeu à fama com o conjunto de livros da série juvenil O Mágico Negro, comprovando que nesta era de globalização viver nos antípodas não impede de se ser conhecido. Depois de povoar durante anos as prateleiras das edições em língua inglesa, eis que a Bertrand, na senda de publicação de autoras australianas de fantasia, publica o seu A Guilda dos Mágicos, o primeiro tomo do Mágico Negro, ou não fossem as sagas de fantasia mais vastas e intermináveis que o mundano mainstream. A editora assim nos informa: «Todos os anos os mágicos de Imardin reúnem-se para purgar as suas ruas da cidade.Mestres de disciplina e da magia, sabem que ninguém se pode opor à sua vontade. Porém, o seu escudo protector não é tão impenetrável quanto acreditam. Quando uma multidão de pessoas é expulsa da cidade, Sonea, uma jovem rapariga, enraivecida com a autoridade dos mágicos e do tratamento que impuseram à sua família levando-os à miséria, atira uma pedra ao escudo. Para espanto de todos, a pedra atravessa o escudo e deixa um dos mágicos inconsciente. Trata-se de um acto inconcebível, e a Guilda dos Mágicos apercebe-se que o seu pior pesadelo se tornou realidade: existe alguém com poderes mágicos por treinar à solta pelas ruas, e deverão encontrá-la o mais depressa possível, antes que os seus poderes fora de controlo libertem forças que irão destruí-la a ela e à cidade.»

Eventos |  12 Out 2009
Novo Concurso Literário
Em 2003, Jeff VanderMeer e Mark Roberts davam pela primeira vez à estampa o volume de culto The Thackery T. Lambshead Pocket Guide to Eccentric & Discredited Diseases (Guia de Bolso Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas), no qual uma impressionante selecção de autores, entre os quais se contam Neil Gaiman, Michael Moorcock, Paul di Fillipo, China Miéville ou Alan Moore, davam largas à imaginação criando um impressionante catálogo de doenças surrealistas, divertidas e acutilantemente satíricas, através do qual traçam um hilariante e inteligente retrato da nossa própria cultura. No mundo ficcional que serviu de base à criação deste objecto literário único, o guia do Dr. Thackery T. Lambshead teria sido «publicado» pela primeira vez em 1915, em pleno fulgor da Primeira Grande Guerra, e posteriormente distribuído ao longo de 30 anos por médicos de todo o mundo sob a forma cópias dactilografadas e fotocópias. O Guia de Bolso chega finalmente a Portugal pelas mãos da Saída de Emergência e com uma particular participação de João Seixas como seleccionador de textos originais que irão enriquecer os prontuários médicos formulados pelos autores da edição original. O concurso encontra-se aberto a todos. Requer-se «casos pautados, para além da maior competência clínica, pela irrepreensível utilização da língua portuguesa ao serviço de uma imaginação transbordante, original e satírica.» Prazo de entrega: último dia de 2009. [mais informações]

 |  12 Out 2009
A Derrota da Literatura
O Triunfo das Mulheres de A. Sacramento Campos (Fronteira do Caos Editores) é um daqueles objectos bizarros no mundo das edições nacionais. Com a chancela de uma pequena editora com algum vulto no nosso mercado, apresenta-se como uma história moralista com infelizes laivos de ficção científica muito à moda do Portugal dos nossos avós: arrasem-se com os malvados e escolham-se as elites dos bons costumes, sem hipótese de voto nem argumentação por parte do colectivo (o uso desta «fórmula mágica» para um mundo melhor continua a surpreender-nos, pois foi usada para fundamentar o Estado Novo, com o resultado que todos conhecemos...). As elites, neste caso, são femininas, à semelhança de AD 2230, de Amílcar de Mascarenhas (estamos em presença de um subgénero marcadamente nacional da FC?). O resumo da editora explica-nos o seguinte: «A enorme degradação política, económica, social e ambiental empurram a humanidade para um beco sem saída. Tudo parece perdido, até que surge Raul Bellow, entidade de conhecimento superior, designado para alterar o destino do planeta que vai contar com o precioso auxílio de um grupo de mulheres apostadas em mudar o mundo. A revolução está em marcha. Como será a nova ordem alicerçada na sensibilidade feminina? Será possível modificar uma sociedade essencialmente machista e esclavagista? Este livro relata-nos o que de mal existe na humanidade, e o que foi possível fazer pela sua regeneração através de uma força que nem sempre se vê – a das Mulheres!» Nuno Fonseca, intrépido navegante nestes incautos mares literários, abriu as páginas deste livro e sobreviveu. As suas palavras são claras. O que nos revelam é mais uma situação que empobrece o fantástico nacional e todos os seus praticantes por inerência. [crítica]

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(c) Luís Filipe Silva, 2003/2007. Não é permitida a reprodução não autorizada dos conteúdos.

Breves   Subscrever

20 Jul 2010: Lançamento inaugural do jornal Conto Fantástico, dia 21, às 19h, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa.

27 Fev 2010: Lançamento da Guerra da Pirâmide (HM Editora), o segundo romance de Paulo Fonseca na série Império Terra, na Fábrica de Braço de Prata, Lisboa - hoje pelas 17h.

21 Fev 2010: Balanço do ano, acompanhado de interessante sinopse histórica, sobre romances brasileiros de FC. [link]

21 Fev 2010: Lançamento do novo romance de David Soares, O Evangelho do Enforcado, na loja FNAC do Centro Comercial Colombo, Lisboa, dia 24 de Fevereiro pelas 18h30. A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Manuel J. Gandra.

22 Jan 2010: Novo artigo sobre a situação actual da Ficção Científica portuguesa no suplemento do jornal Sol, esta sexta-feira. [link]

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Destaque


Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]

Recentes

O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]

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