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O mercado nacional de literatura fantástica tem por hábito a edição para consumo imediato, para a novidade de ocasião, rapidamente descartada pela próxima obra. Como já afirmámos anteriormente, o esquecimento é um dos principais impedimentos para a consolidação de um género português, com características e personalidades distintas. O esquecimento traduz-se na falta de acessibilidade a obras de referência e na quebra constante de um discurso literário interno, constantemente pautado por influências estrangeiras. É habitual que um novo autor, desconhecendo o que já se fez e o que já se experimentou, procure «traduzir» em língua portuguesa enredos que internacionalmente foram minados à exaustão - o que é natural e válido, pois para construir um edifício de originalidade é preciso primeiramente assentar as bases na língua materna, apesar de ser igualmente válido e possivelmente mais útil o argumento de que as bases já foram assentes em outras línguas e que não há necessidade de replicá-las. A reedição não existe ou existe em casos muito raros, promovidos pelo próprio autor. O Feitiço das Trevas é um destes casos raros. Sendo apresentado como uma nova obra de A. P. Cabral, trata-se na verdade da republicação por nova editora (desta feita a Guerra e Paz) de Igorj de Harmerling - O Escolhido (Editorial Tágide, 2006) e cujo segundo volume A Clepsidra há muito se aguardava. Entende-se a opção desta editora em apresentar a obra com embrulho novo (e com uma capa muito mais apelativa), considerando com alguma razão que a anterior edição não teria tido visibilidade. No entanto, neste meio tão pequeno teria sido simpático uma indicação mais explícita no material promocional - e em particular, esclarecer se a autora reviu ou editou de alguma forma o romance, contribuindo assim para incentivar à compra do livro. O Tratado dos Magos recomeça, desta feita, a saga de Igorj, principe de Harmeling, sobre cujos ombros residirá a esperança do reino (como convém a um bom futuro rei). Esperemos que a saga consiga, nesta nova aposta, concluir-se com êxito. [adquirir]
«A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça...Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção. O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado - um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança para servir a Única e Verdadeira Fé. Um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. É um rapaz estranho e reservado, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga. Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço... não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.» O Braço Esquerdo de Deus tem de tudo a nível de marketing: página no Facebook, sítio Web próprio, t-shirt... o que não parece ter, inusitadamente, é informação detalhada sobre o livro, as respectivas personagens, nem excertos capazes de aliciar os leitores (pois o estilo narrativo parece ser um dos pontos fortes da obra de Paul Hoffman). Sem dúvida que é uma aposta forte e inesperada da Porto Editora, que esperemos lhe traga alguns frutos para poder fortalecer a sua oferta do género fantástico. Além do factor positivo de, cada vez mais, estarmos a acompanhar os grandes lançamentos internacionais como um país que se preze. [site]
«Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo leram - e releram - a história irreverente, iconoclasta e divinamente divertida da infância de Jesus Cristo, segundo o testemunho do seu amigo de infância, Levi bar Alphaeus (também conhecido por Biff). Agora, também tu poderás descobrir o que realmente aconteceu entre a manjedoura e o Sermão do Monte. Numa nova nota final, expressamente concebida para esta edição, Christopher Moore responde às questões mais colocadas pelos leitores acerca do livro e de si, desde a primeira publicação de Cordeiro. Fresco, divertido, pungente e sábio, Cordeiro tem sido alvo de regozijo para os leitores de todo o mundo.» Assim descreve a Gailivro a edição de um dos mais divertidos livros do irreverente Christopher Moore, Cordeiro - O Evangelho Segundo Biff, Amigo de Infância de Jesus Cristo. Em pequenos é quando realmente nos revelamos. Venham descobrir o que o pequeno e angelical Biff tem para nos dizer.
Sobre Guerra Mundial Z de Max Brooks, a editora afirma: «Trabalhando para a Comissão do Pós-Guera das Nações Unidas, Max Brooks teve acesso quase exclusivo aos arquitectos da vitória da Guerra Mundial Z. Se o relatório da ONU fornece um relato factual autorizado de tudo o que aconteceu, nesta obra, de um dos principais autores e investigadores que contribuíram para esse relatório, estão os testemunhos, feitos na primeira pessoa, dos que viveram o surto de epidemia/pandemia e que revelam o terrível custo humano deste conflito. Do doutor Kwng Jingshu, o médico chinês que examinou o “ Doente Zero”, a Paul Redeker, o muito controverso autor do Plano Laranja, Brooks falou com mais protagonistas fundamentais da guerra dos Zombies do que qualquer outra pessoa. Ao longo deste livro, o autor revela a extensão integral das transformações sociais e políticas a que o surto deu origem. A natureza perturbadora destes relatos exige ao leitor alguma coragem. Mas, como diz Brooks, não podemos esconder-nos por detrás das estatísticas entorpecedoras dos relatórios oficiais. Chegou a altura de encarar o verdadeiro horror que foi a guerra dos Zombies.» Max Brooks é filho do conhecido comediante norte-americano Mel Brooks e já tinha escrito o Plano de Sobrevivência aos Zombies, estranhamente mencionado na capa desta edição portuguesa da Gailivro, apesar de ainda não ter sido publicado em Portugal. A abordagem do romance consegue atingir uma dimensão épica, por apresentar cenas da invasão zombie por todo o globo e estar construída com base em pequenos excertos de memórias e entrevistas, como se fosse um documentário acelerado. Desde os momentos iniciais de suspeita à revelação atempada dos zombies, o livro mostra que Brooks aprendeu com a tradição cinéfila da família. Apenas poderíamos desejar que tivesse utilizado um tema menos patético que os zombies. Embora existam momentos de terror, a «zombiezação» é explicada como uma doença, uma epidemia viral ou algo semelhante. Crer que uma doença tornaria a carne resistente a bombas e ao fogo, a ponto de conseguir resistir ao ataque de soldados aquando da defesa de Nova Iorque, é esticar a suspensão do descrédito e tira algo da verosimilhança do livro. Ainda assim, é uma boa leitura, divertida e capaz de dar uma ideia minimamente sustentada do que seria uma verdadeira catástrofe zombie a nível mundial (continuamos a defender que os zombies procurariam assumir primeiramente cargos públicos, mas isso é outro tipo de histórias...) [trailer]
O grande destaque deste início de 2010 vai para a publicação do novo romance de David Soares, O Evangelho do Enforcado pela Saída de Emergência. Continuando a apostar na redescoberta dos mitos da identidade nacional, Soares centra agora a sua atenção sobre os Painés de São Vicente. De acordo com a editora: «Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.» Os primeiros 20 exemplares a serem encomendados pelo site da editora recebem um exemplar autografado pelo autor. [site]
Dagon é uma fanzine da responsabilidade editorial de Roberto Mendes, um dos editores do blogue Correio do Fantástico, que no primeiro número foi publicada pela edita-me, uma casa editorial do Norte. Participam Carla Ribeiro, João Barreiros, Pedro Ventura, Luis Canou, Nuno Fonseca, Larry Niven, Nir Yaniv, Luís Filipe Silva e o próprio Roberto Mendes. Para efeitos de imparcialidade, não é efectuada nenhuma apreciação sobre a mesma, embora gostássemos de deixar um destaque para as inspiradoras ilustrações de Miguel Ministro. A editora também foi alvo de uma recente polémica no meio literário do género fantástico nacional face a uma publicação anterior e autónoma da presente.
«Desde a Grande Vitória do Vale dos Três Rios, os humanos podem respirar de alívio: a grande raça dos minotauros foi banida para sempre da face da Terra e vivem-se épocas de paz. No entanto, muito do que aconteceu nesse momento decisivo perdeu-se na memória dos tempos, e agora há quem aparentemente esteja interessado em descobrir se as velhas profecias e lendas serão mesmo verdade. Estará a raça dos minotauros mesmo extinta? Existirá mesmo o Labirinto da Aliança, de onde sairá aquele destinado a unir e liderar ambas as raças? Uma aventura emocionante repleta de acção, segredos, traições e reviravoltas surpreendentes que deixará rendidos os fãs do género.» Eis a sinopse de Minotauro - A Batalha do Labirinto, de Gabriel García de Oro, mais um livro de fantástico espanhol da Presença
O Atelier Escrit'orio Editora e o Tecnofantasia.com têm para oferecer dois exemplares do recente Brinca Comigo! E Outras Estórias Fantásticas com Brinquedos, colectânea que reúne contos inéditos de João Barreiros, João Ventura, David Soares e Luís Filipe Silva. Os brinquedos são objectos de prazer, fascínio e terror para as crianças desde o início dos tempos, e por vezes esse fascinio e terror invadem a vida adulta, tornando-nos em coleccionadores incansáveis e povoando pesadelos. Os quatro contos deste livro exploram, até certo ponto, a existência autónoma dos brinquedos e de como influenciam o nosso percurso.
Para ser o feliz vencedor deste passatempo, apenas lhe pedimos que conte uma história, em 200 palavras ou menos, sobre o brinquedo mais marcante da sua vida. Explique porque o considera marcante, recorde (ou invente) uma situação peculiar, que fez destacá-lo de todos os outros brinquedos. Mas atenção: a história tem de ser contada do ponto de vista do brinquedo!
Envie as participações para o email indicado no canto superior direito desta página até dia 7 de Fevereiro. As duas participações mais interessantes serão galardoadas e publicadas nestas páginas.
A Liga da Chave Dourada de Michael Chambon é na verdade a reedição de As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay com que a Gradiva nos tinha presenteado no início da década. Livro a redescobrir, sem dúvida, com uma capa mais apelativa, uma fabulosa obra sobre os tempos da pulp fiction pelas mãos de um autor galardoado. De acordo com a editora: «um exuberante triunfo da linguagem e da imaginação, um belíssimo romance no qual as aventuras tragicómicas de dois jovens génios revelam muito do que aconteceu à América em meados do século XX. À semelhança de American Pastoral, de Phillip Roth, e Underworld, de Don DeLillo, As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay é um romance de dimensão épica que abarca diferentes épocas e continentes, uma verdadeira obra-prima assinada por um dos mais talentosos ficcionistas americanos da actualidade. Estamos em Nova Iorque em 1939. Joe Kavalier, jovem artista versado na arte da evasão houdiniesca, acaba de realizar a sua maior façanha até ao momento: escapar clandestinamente da Praga ocupada pelos nazis. Está determinado a fazer fortuna para poder trazer a família para a liberdade. O primo, um rapaz de Brooklyn chamado Sammy Clay, procura um colaborador para criar os heróis, histórias e desenhos da última novidade a atingir o mundo de sonhos americano: as revistas de quadradinhos. Com as suas fantasias, medos e sonhos, Joe e Sammy tecem a lenda desse herói inesquecível – o Escapista. E, inspirados pela bela e esquiva Rosa Saks, uma mulher que ficará ligada a ambos por poderosos laços de desejo, amor e vergonha, criam a sobrenatural Senhora da Noite, Luna. Enquanto a sombra de Hitler se estende sobre a Europa e o mundo, a idade de ouro da banda desenhada começa. O brilhante talento literário (..) tem levado alguns críticos a compararem Michael Chabon a Nabokov.»
Possuidor de uma pujança narrativa e ímpeto de escrita, David Soares vem-nos presenteando, ano após ano, com obras que se encontram a re-escrever imaginários e mitos nacionais de acordo com a tradição do Fantástico. Talvez por esse motivo lhe tenha também sido atribuída uma rara honra, a da reedição de uma das suas obras, numa época de lançamentos efémeros e procura pela next best thing. A Conspiração dos Antepassados surge com cara lavada e introdução de António de Macedo, a antecipar o próximo romance de Soares, O Evangelho do Enforcado. De acordo com a Saída de Emergência: «Na tradição dos melhores thrillers, David Soares convida-nos a espreitar debaixo do véu e a vislumbrar a mais assustadora conspiração da História: um livro assinado por Francisco d'Ollanda, o maior artista português do Renascimento, é cobiçado por uma seita disposta a tudo para o obter. Que terrível segredo terá nas suas páginas para justificar tanto sangue? Fernando Pessoa é convidado por Aleister Crowley, o mágico inglês, a entrar numa aventura cheia de mistério e suspense para descobrir esse segredo que, afinal, talvez tenha a ver com D. Sebastião, e a verdadeira razão porque os portugueses foram derrotados em Alcácer-Quibir. Do exotismo da Tunísia às ruelas húmidas de Londres, das mandíbulas da Boca do Inferno ao coração da Quinta da Regaleira, "A Conspiração dos Antepassados" é uma viagem inesquecível. Misturando verdade, lenda e magia, David Soares apresenta-nos algo nunca visto na literatura portuguesa: um romance cuja meticulosa pesquisa vai agradar aos estudiosos de Fernando Pessoa, e cuja energia e emoção vai encantar os fãs de uma grande aventura.»
26 Abr 2011: Encontra-se disponível para leitura gratuita a antologia Lugares Distantes, organizada por Daniel Cavalcante e Jonathan Cordeiro Cavaca, contendo relatos fantásticos de autores portugueses e brasileiros, entre os quais Emanuel R. Marques, João Rogaciano e Bruno Resende Ramos. [link]
14 Nov 2010: Hoje, no Fórum Fantástico: workshops de escrita com David Soares e Luís Pereira, painéis sobre sugestões de leitura, banda desenhada e fantástico, e curtas portuguesas. A não perder [programação]
14 Nov 2010: Atribuidos os prémios franceses Utopiales 2010. Vencedores ex-aequo: Cygnis de Vincente Gessler e Tancrède de Ugo Bellagamba [link]
20 Jul 2010: Lançamento inaugural do jornal Conto Fantástico, dia 21, às 19h, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa.
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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