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Uma das desvantagens para um autor em esticar o pernil, por assim dizer, é que as editoras se esquecem de incluir as suas obras na lista de traduções potenciais. E para quem o esticou há tanto tempo como John Wyndham, seria bem provável, depois das incursões iniciais da Europa-América, Argonauta e Caminho, que nunca mais víssemos um livro seu aportuguesado, ou se tal ocorresse, que a escolha recaisse sobre um dos títulos mais conhecidos. Mas eis que chega a Presença para contrariar esta nossa expectativa. Um autor afastado assim da memória do público irá merecer um esforço adicional de promoção, correcto? Surpreendentemente, Chocky - O Amigo Invisível surge numa colecção não identificada como FC e merece honras da sinopse mais desinspirada do ano: «A família Grove já se tinha confrontado com a amiga imaginária da pequena Polly, a filha mais nova. Tinha sido um período atribulado mas, assim como viera, fora esquecido. Porém, quando já não seria de esperar, é Mathew que aos onze anos começa a ter estranhos diálogos com um personagem aparentemente imaginário. A princípio, os pais tentam não se preocupar, mas torna-se evidente que, longe de ser imaginário, aquele «amigo» possui características claramente alienígenas. A situação acaba por se descontrolar e Mathew fica exposto à atenção dos meios de comunicação e, mesmo, dos sombrios lobbies governamentais.» Não desanimem, Wyndham é dos melhores autores de FC britânicos e, se nunca o leram, começar por este (e depois adentrarem-se n'As Crisálidas) não vos fará mal nenhum.
Antes de George R. R. Martin ser conhecido pelas Crónicas de Gelo e Fogo, era um autor conceituado de ficção científica e fantástico, dando-nos histórias maravilhosas como «Sandkings» - sobre uma experiência pessoal com alienígenas que corre mal -, «Portraits of his children» - que ganhou um Nebula -, «The Road Less Traveled» - guião original para a Quinta Dimensão - e os contos deliciosos da série Tuf Voyaging, sobre um explorador solitário das galáxias. A Portugal chega finalmente Sonho Febril, um romance deste autor sobre vampiros, escrito numa época em que se pensava ainda que os vampiros eram mauzinhos. Neste caso, ambientado em plena época e cenário de Mark Twain, no meio do Mississipi do século XIX. De acordo com a Saída de Emergência: «Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.»
Criaturas Maravilhosas anuncia-se como o livro-sensação para a malta nova: «Lena Duchannes é diferente de qualquer pessoa que a pequena cidade sulista de Gatlin alguma vez conheceu. Ela luta para esconder o seu poder e uma maldição que assombra a família há gerações. Mas, mesmo entre os jardins demasiado crescidos, os pântanos lodosos e os cemitérios decrépitos do Sul esquecido, há um segredo que não pode ficar escondido para sempre. Ethan Wate, que conta os meses para poder fugir de Gatlin, é assombrado por sonhos de uma bela rapariga que ele nunca conheceu. Quando Lena se muda para a mais infame plantação da cidade, Ethan é inexplicavelmente atraído por ela e sente-se determinado a descobrir a misteriosa ligação que existe entre eles. Numa cidade onde nada acontece, um segredo poderá mudar tudo.» Obra inaugural da pena de Margaret Stohl e Kami Garcia que tem feito furor lá fora. Pela Gailivro. [site oficial em português]
Compêndio da actividade anual no mercado brasileiro de literatura fantástica, o Anuário de Cesar Silva e Marcello Simão Branco tem-se afirmado como uma publicação indispensável para divulgar o género no outro lado do Atlântico e ajudar à sua definição - identificando e listando as fontes de publicação, criticando obras, servindo como ponto de referência ao redor do qual outros poderão navegar com concordâncias e discordâncias. Além disso é bastante inclusivo ao considerar de forma significativa, mas com a devida apreciação de qualidade, publicações online, que constituem uma das principais formas de edição por autores brasileiros do Fantástico. De acordo com um dos organizadores, o Anuário de 2009 será colocado à venda durante os meses de Setembro e Outubro, divulgando-se desde já a interessante capa.
O Caso Jane Eyre é um daqueles romances que entende que os mundos descritos nos livros são tão reais e complexos quanto o nosso, embora deles apenas consigamos antever as poucas cenas que o autor nos revela. Não é, portanto, de estranhar que, perante a possibilidade de uma ponte, personagens de lá saltem para cá e vice-versa, situações de ficção se tornem notícia de jornais e que no meio desta confusão haja necessidade de agentes da lei especiais para repor a ordem e separação literária. Quinta-feira Seguinte é uma dessas agentes, e o caso com que é apresentada ao mundo não podia deixar de envolver um dos autores clássicos britânicos - não, não se trata de Austen mas de Brontë. A obra vilipendiada é Jane Eyre, e Jasper Fforde diverte-se a lançar referência atrás de referência bibliográficas para os menos distraídos. Parabeniza-se a decisão da Guerra & Paz por finalmente ter apresentado esta saga aos leitores portugueses, dez anos após o sucesso em Inglaterra.
Sobre Os Cavaleiros da Estrada, de Michael Chambon: «O romance de Michael Chabon A Liga da Chave Dourada: As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay – vencedor do Prémio Pulitzer – nasceu de uma paixão antiga do autor pelos heróis destemidos e dos clássicos da banda desenhada. Agora, regressando à mina desse rico passado, Chabon convoca o espírito jovial das aventuras lendárias – desde As Mil e Uma Noites até Alexandre Dumas ou os livros das Crónicas da Espada, de Fritz Leiber, com as histórias de Fafhrd e o Rateiro Cinzento – traz-nos um pequeno romance encantador cheio de acção, intenso suspense e uma colecção de curiosas personagens dignas dos contos mais arrebatadores de Xerazade. As duas personagens principais formam um estranho par: Zelikman, pálido, espigado, vestido de negro e temperamental, um médico itinerante amigo de chapéus invulgares, e Amram, um antigo soldado, um gigante de cabelo cinzento, tão rápido com a língua como com um machado de guerra afiado. Irmãos de sangue, companheiros de armas, fazem a sua jornada sem rumo pelos montes do Cáucaso por volta de 950 a.C., vivendo como gostam e sobrevivendo como podem – como soldados ou ladrões contratados, e como vigaristas experientes, libertando alegremente os ingénuos do seu dinheiro. Mas ninguém os tinha preparado para o serviço como guarda-costas e defensores de um príncipe do Império Khazar. Estarão estes Cavalheiros da Estrada prontos para serem generais numa revolução de grande escala? A única certeza é que a viagem – ao longo de um caminho povoado de soldados e prostitutas, imperadores maléficos e elefantes extraordinários, segredos, duelos de espada, e todas as peripécias que fazem uma grande aventura – só por si será uma grande façanha.» Note-se a particular menção da Casa das Letras à edição portuguesa do livro de Leiber...
A Lança do Deserto é o segundo volume de Peter V. Brett (colecção 1001 Mundos, da Gailivro) sobre um mundo rural em que os demónios saem à noite para atormentar as aldeias humanas e todos aqueles que não se tenham protegido com runas mágicas. «O Sol põe-se sobre a Humanidade. A noite pertence agora a demónios vorazes que se materializam com a escuridão e que caçam, sem tréguas, uma população quase extinta, forçada a acobardar-se atrás da segurança de guardas de poder semi-esquecidas. Mas estas guardas apenas servem para manter os demónios à distância e as lendas falam de um Libertador; um general, alguns chamar-lhe-iam profeta, que em tempo uniu a Humanidade e derrotou os demónios. No entanto esses tempos, se alguma vez existiram, pertencem a um passado distante. Os demónios estão de volta e o Libertador é apenas um mito… Ou será que não?» A saga começou com o Homem Pintado, e irá terminar com «The Great Bazaar», a publicar em 2012.
«Mary sabe pouco sobre o passado ou sobre o porquê de no mundo existirem dois tipos de pessoas: os que residem na sua vila e os mortos-vivos do lado de fora da cerca, que vivem de devorar a carne dos vivos. As Irmãs protegem a Vila e promovem a continuidade da raça Humana. Depois de a sua mãe ser mordida e se juntar aos amaldiçoados, Mary é enviada às Irmãs para se preparar para o Casamento com o seu amigo Harry. Mas as cercas são quebradas e o mundo que Mary conhece desaparece para sempre. Mary, Harry, Travis, que Mary ama mas que está prometido à sua melhor amiga, o irmão de Mary, a sua mulher e um pequeno órfão partem rumo ao desconhecido em busca de um lugar seguro, respostas às suas perguntas e uma razão para continuar a viver.» Depois de Orgulho e Preconceito e Zombies, a Gailivro continua na senda da ameaça dos mortos-vivos com Floresta de Mãos e Dentes (grande título e bela capa), livro de estreia de Carrie Ryan no género da ficção para jovens. E ser jovem é dificil, neste mundo de regras e ameaças. Regras que por vezes condicionam mais a vida que as próprias ameaças, regras impostas pela situação do mundo e da sociedade, mais limitadoras que os pobres mortos-vivos que vagueiam para lá da segurança. Um tema clássico da natureza perigosa do mundo e da fragilidade do lar, com zombies à mistura. E é o primeiro de uma trilogia. Como deve ser.
Melhor Romance
The Windup Girl - Paolo Bacigalupi
Novela
The Women of Nell Gwynne's - Kage Baker
Noveleta
«Sinner, Baker, Fabulist, Priest; Red Mask, Black Mask, Gentleman, Beast» - Eugie Foster [disponível online na íntegra]
Conto
«Spar» - Kij Johnson [disponível online na íntegra]
Prémio Ray Bradbury
Distrito 9, Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Prémio Andre Norton
The Girl Who Circumnavigated Fairyland in a Ship of Her Own Making, Catherynne M. Valente [disponível online na íntegra]
Outros
Joe Haldeman - Grão-Mestre Damon Knight
Neal Barrett, Jr. - Autor Emeritus.
Vonda N. McIntyre e Keith Stokes - SFWA Service Awards
Tom Doherty, Terri Windling e Donald A. Wollheim - SFWA Solstice Award
A cerimónia foi, pela primeira vez, transmitida em directo pela internet. Particular destaque, a seguir, para o momento de entrega dos prémios (minuto 24 em diante). [Todo o evento]
26 Abr 2011: Encontra-se disponível para leitura gratuita a antologia Lugares Distantes, organizada por Daniel Cavalcante e Jonathan Cordeiro Cavaca, contendo relatos fantásticos de autores portugueses e brasileiros, entre os quais Emanuel R. Marques, João Rogaciano e Bruno Resende Ramos. [link]
14 Nov 2010: Hoje, no Fórum Fantástico: workshops de escrita com David Soares e Luís Pereira, painéis sobre sugestões de leitura, banda desenhada e fantástico, e curtas portuguesas. A não perder [programação]
14 Nov 2010: Atribuidos os prémios franceses Utopiales 2010. Vencedores ex-aequo: Cygnis de Vincente Gessler e Tancrède de Ugo Bellagamba [link]
20 Jul 2010: Lançamento inaugural do jornal Conto Fantástico, dia 21, às 19h, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa.
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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