Conceito de Luís Filipe Silva

Ficção Científica, Fantástico, Surrealismo, Realismo Mágico, Terror, Horror, Ciberpunk e História Alternativa - e por vezes, se fôr de excelente qualidade, ainda fechamos os olhos a um certo Mainstream...

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 |  17 Jun 2007
Diário de Notícias Fala de Fantasia
Embora erroneamente referindo-se a «literatura fantástica» (termo que encompassa inúmeras variantes literárias e tradições culturais, bem mais extenso e complexo que o abordado), o Diário de Notícias apresenta na edição de hoje um par de textos sobre o estado da Fantasia nas livrarias e nas editoras. De índole relativamente simplista, a explicação sumária dos cronistas, cheia de boa-vontade, não aborda os principais problemas da respectiva edição em Portugal (falta de posicionamento editorial das colecções existentes, ausência de enquadramento dos títulos seleccionados na cultura portuguesa, cuidado nas traduções, cultivo de uma comunidade de leitores com gostos exigentes na matéria, e tantos outros) nem tenta sequer contextualizar os que apresenta face ao mercado internacional (o que é indispensável quando as principais influências conhecidas - as lendas celtas, o exemplo de Tolkien, entre outros - estão muito longe da cultura lusitana). Ainda assim é possível discordarmos com algumas das afirmações, pois não é completamente correcto dizer-se que o «fenómeno chegou [a Portugal] com cerca de 20 anos de atraso face à tradição inglesa», pois isso é negar o extenso trabalho efectuado pelas colecções Argonauta e Livros de Bolso Europa-América, que nos deram a conhecer Le Guin, Zelazny, McCaffrey, Blish, Garrett e tantos outros indispensáveis, décadas antes da presente moda. A afirmação mais acertada provém de Rogério Ribeiro, co-organizador do Fórum Fantástico e director da única revista de literatura especulativa em língua portuguesa, a Bang!, quando afirma notar-se «um desconhecimento da área, mesmo por parte de muitos que a publicam em Portugal», percepção que acaba por se confirmar nas declarações dos editores entrevistados, nas quais se nota uma completa ausência de linhas editoriais bem demarcadas e fundamentadas e se limitam a referir números de vendas e rapidez na tradução de best-sellers mundiais (estes, sim, garantidamente escolhidos com base em linhas editoriais concretas). Quanto será realmente assim ou quanto se deverá a problemas na concepção do artigo, isto só outros artigos, publicados em outros jornais, ajudarão a ajuizar. Fica no entanto a referência para vossa apreciação. [link] [link]

(c) Luís Filipe Silva, 2003/2007. Não é permitida a reprodução não autorizada dos conteúdos.

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