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Logo no começo, o divertidíssimo Pandora no Congo apresenta-se como um relato biográfico de um certo Thomas Thompson, que na sua juventude, durante os anos 20 do século passado, começou a ganhar a vida servindo de escritor fantasma de um autor de aventuras conhecido de então. Eram histórias pulp, de cordel, e o cargo fora-lhe transmitido por um amigo, também ele escritor fantasma desse famoso autor, que, dizia, não tinha capacidade de produzir ficção ao ritmo que lhe era exigido (uma nova história a cada três dias). Para quem não saiba, escritor fantasma é alguém que produz texto a soldo, normalmente romances ou biografias, que posteriormente são assinadas por um nome mais conhecido e vendável, ficando o autor original no anonimato. Contudo, o nosso protagonista começa a sentir que está a trabalhar por uma percentagem do que podia vir a ganhar, e a perder o tempo a escrever ficção sem qualidade (é hilariante o momento em que a sua consciência se degladia com as instruções de retratar as tribos de pigmeus africanos como canibais para propósitos literários quando as suas próprias pesquisas o informam que tais tribos são tímidas e pacíficas...) e quando vai dizer isto ao amigo, descobre que na verdade ele não escrevia nada para o referido autor mas que se limitava a passar trabalho e a ficar com uma percentagem. Infelizmente, o tal amigo ia a enterrar nesse próprio dia, pelo que o protagonista fica impedido de lhe dizer umas certas verdades... tenta então encontrar o autor original, mas entretanto descobre que quem encomendava trabalho ao amigo era outro escritor fantasma, também ele apenas limitando-se a passar trabalho e a ficar com a sua comissão. E também este morrera no mesmo dia em circunstância misteriosas. Daqui em diante é um sem-parar de peripécias, numa das melhores apostas do ano da Editorial Teorema, pela mão do espanhol Albert Sánchez Piñol, antropólogo de profissão. Também de destaque As Crónicas da Espada - O Encontro, relançamento em edição limitada e capa diferente, de Fritz Leiber pela Saída de Emergência, a história de como o Rateiro Cinzendo e Fafhrd se encontraram para dar inicio a uma das séries de espada e feitiçaria mais conhecidas da actualidade (o segundo livro está a ser preparado). Ainda na Saída de Emergência: Conan - O Povo do Círculo Negro continua as aventuras do bárbaro inventado por Robert Howard; Edgar Allan Poe apresenta-nos ensaios na forma de Histórias Escolhidas por um Sarcástico; continua a saga das Crónicas de Gelo e Fogo com a publicação do quarto volume O Despertar da Magia, pela mão de George R. R. Martin (que visitará Lisboa já no próximo 1 de Julho, com várias sessões marcadas na capital - estejam atentos a este espaço para mais novidades); e para terminar em chave de ouro, Keith Donohue emociona-nos com a história de uma criança raptada pelas fadas e cuja presença no mundo real é substituída por um desses míticos seres, em A Criança Roubada. Leituras emocionantes para o calor de Junho.
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