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É uma pena que a Editorial Presença não tenha escolhido seguir a versão inglesa desta recente adição à colecção Via Láctea (que apenas difere da versão americana no título) e traduzido o primeiro livro da saga dos dragões de Naomi Novik como Temeraire, o nome do dragão protagonista, ao invés do maismais corriqueiro O Dragão de Sua Majestade. Inicialmente concebida, e escrita, no formato trilogia, o sucesso de vendas e a aquisição por parte de Peter Jackson (famoso realizador do Senhor dos Anéis) da opção de a tornar em filme, esta saga junta os monstros alados míticos com as forças navais de Napoleão Bonaparte (daí o título de origem francesa), resultando numa invulgar mistura de Anne McCaffrey e Patrick O'Brian. Cresceu entretanto para cinco volumes, sem garantias de que vá quedar-se por aqui (o proverbial dragão de ovo de ouro da autora?). Tal como nos livros de McCaffrey dos anos setenta, publicados pela Argonauta, os dragões aqui são também empáticos, também é necessário impressionar a cria no momento em que irrompe do ovo, e também aqui existe uma ligação forte e íntima entre cavaleiro e cavalgado. Nós, que devorámos a saga de Pern na juventude, perguntamo-nos qual a necessidade de repetir ideias, ainda que boas, quando alguém já as tinha desenvolvido tão bem. Talvez por isso a nossa reserva sentida quando a Locus Magazine divulgou a compra dos direitos da série pela editora portuguesa, que esperemos seja editada na totalidade, a bem dos leitores. O sucesso, contudo, impele-nos a sugerir que tentem por vocês mesmos. Afinal, é possível que milhares de pessoas estejam enganadas? Não é, por exemplo, famosa a perspicácia das multidões no momento da voto?
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