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Um título como A Maldição poderia destacar-se na obra de um outro autor; contudo, quando encimado pela «marca» Stephen King, torna-se praticamente num dado adquirido, uma vez que de certa forma todas as suas histórias versam sobre maldições de um tipo ou outro - não se esqueçam que foi ele quem tornou os telemóveis em veículos do inferno em «Cell» -, e conduz o leitor a procurar que bendita obra representa afinal aquela tradução. Felizmente, apagado na capa surge «Duma Key», como se se tratasse de uma tímida confissão da desconfiança dos editores de que o título português poderia não funcionar. E somos assim presenteados com a edição nacional de um pobre construtor cujo acidente profissional o leva a perder um braço e afastar-se da família, para se refugiar no istmo de Duma, a primeira incursão de King ao estado da Flórida. Após umas centenas de páginas de uma perfeita descrição da melancolia de ter-se mais de cinquenta anos, os filhos crescidos e uma vida inteira pelas costas, começa a surgir aos poucos a inevitável intrusão do fantástico, à boa maneira King - sem sobressaltos, intrometendo-se ligeiramente, criando uma atmosfera envolvente e perturbadora. Longe de ser uma obra prima (teria merecido o escalpelo de um editor sem remorsos que lhe reduzisse o tamanho para metade), é no entanto um livro bastante sólido e que confirma o estatuto de grande mestre do terror. Edição da Bertrand.
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