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Oscar Wao é um pobre desgraçado de um puto dominicano a tentar superar os desafios da adolescência num corpo avantajado, coberto de acne e avassalado por uma enorme timidez. Como se não bastasse, é um latino em plenos Estados Unidos, sujeito a um conjunto de pressões sociais e necessidade de se afirmar no mundo. A história de muitos. Que interesse tem para os amantes da Ficção Científica? Acontece que Oscar Wao é um fã indomável de FC (embora na vertente mais sci-fi que propriamente literária) e pinta as suas desventuras com referências aos heróis, seres e particularidades do género. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao valeu a Junot Díaz o Pulitzer de 2008, e chegou a Portugal pela mão da Porto Editora. Não é, contudo, uma obra isenta de falhas, e se bem se trate de um percurso interessante pela República Dominicada do passado século, com um estilo apressado, económico e frequentemente certeiro, o uso dos temas da FC acabam por não influenciar o jovem inadaptado como de facto poderiam, o factor literário fica distanciado da vida, e de certa forma contribui para fortalecer o estigma do entusiasta de FC como alguém que não se consegue enquadrar na realidade. A edição nacional é cuidada e a tradução competente, não obstante o ocasional tropeção. O autor polvilha o texto de notas de rodapé, contudo as que foram acrescentadas pela edição portuguesa nem sempre podem ser interpretadas como dogma (por exemplo, os Dorsai e os Lensmen não são «alienigenas da ficção científica», como referido, mas guerreiros humanos do futuro guiados por fortes códigos de honra e valores, e como tal fazendo sentido que sejam mencionados no contexto em que surgem.)
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