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Idos vão os tempos em que havia colecções numeradas de publicação periódica e orçamento limitado que forçavam os editores a dividir uma obra estrangeira em dois ou mais volumes, com a inevitável mensagem de «Continua no Próximo Número» estampado no final. Se por um lado assim se conseguiam acomodar os cada vez maiores tomos de FC americana, que continuavam a crescer, crescer, nos livritos pequenos de bolso da Europa-América e da Argonauta, os quais se vendiam a preço reduzido, por outro o leitor acabava defraudado, porque não só acabaria por pagar mais no conjunto do que teria pago se o livro tivesse sido editado num só volume (algo que os editores rapidamente perceberam, e era vê-los emagrecer ao limite cada volume individual em casos em que a divisão nem sequer se justificava - o que contribuiu também por alienar os compradores) como, por as colecções serem mensais, acabaria presenteado com uma variedade de romances ainda mais magra que a dúzia anual. Os tempos mudaram, há mais editoras a apostar no fantástico, mas ainda assim ficam pelo caminho alguns verdadeiros tijolos de leitura - nomeadamente aqueles que não têm tido grande sucesso comercial, não obstante a qualidade intrínseca. O mercado parece, contudo, continuar a favorecer as edições de grossura média (300 a 400 páginas) e preço abaixo dos 20 euros. Veja-se por exemplo o caso do sucesso comercial de cada volume da saga As Crónicas de Gelo e Fogo de G.R.R. Martin pela Saída de Emergência, cuja edição nacional representa, em cada volume, metade da respectiva edição americana, face ao desastre da tentativa de lançamento da Roda do Tempo de Robert Jordan pela Bertrand, cujas edições caras e discretas continham a totalidade do texto original (o último volume, o quarto, saiu há bastantes meses; terá a editora desistido?) Algo é certo: é preferível que o mercado esteja receptivo e os editores saibam que é possível apostar em obras mais extensas recorrendo a esta estratégia de publicação. Sem isto, talvez não tivesse sido possível a publicação do monumental O Caderno Secreto de Leonardo, de Jack Dann (perdoem-me se continuo a preferir o excelente título vertido do original: A Catedral da Memória), também da Saída, e com uma cuidada tradução do David Soares. Já anunciámos em Abril o lançamento da primeira parte, eis aqui a segunda (o reduzido tempo de publicação entre as partes é crucial para o sucesso do empreendimento). Recordando o texto da contracapa: «Imagine todas as máquinas de guerra que Leonardo desenhou no papel a ganharem vida e a travarem uma batalha que poderá mudar a História tal como a conhecemos... Numa obra-prima da fantasia histórica, Jack Dann recria a magia da Itália Renascentista e oferece a sua própria história secreta de um ano na vida de Leonardo da Vinci... Florença do século XV. Numa cidade governada pelos Médicis, num tempo em que a magia e a ciência eram uma só, irrompe o génio de Leonardo Da Vinci. Rodeado de figuras brilhantes maiores do que a vida como Sandro Botticelli e Niccòlo Machiavelli, Leonardo vive a vida prestigiada de um artista e ama uma mulher arrebatadoramente bela. Mas um inimigo implacável conspira a sua queda. E cedo este grande artista inventor será forçado a abandonar a cidade onde nasceu, para dar início a uma viagem mística para um destino - e uma aventura - que poderiam ter sido realidade». E voltamos a afirmar: a não perder.
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