|
|
O Triunfo das Mulheres de A. Sacramento Campos (Fronteira do Caos Editores) é um daqueles objectos bizarros no mundo das edições nacionais. Com a chancela de uma pequena editora com algum vulto no nosso mercado, apresenta-se como uma história moralista com infelizes laivos de ficção científica muito à moda do Portugal dos nossos avós: arrasem-se com os malvados e escolham-se as elites dos bons costumes, sem hipótese de voto nem argumentação por parte do colectivo (o uso desta «fórmula mágica» para um mundo melhor continua a surpreender-nos, pois foi usada para fundamentar o Estado Novo, com o resultado que todos conhecemos...). As elites, neste caso, são femininas, à semelhança de AD 2230, de Amílcar de Mascarenhas (estamos em presença de um subgénero marcadamente nacional da FC?). O resumo da editora explica-nos o seguinte: «A enorme degradação política, económica, social e ambiental empurram a humanidade para um beco sem saída. Tudo parece perdido, até que surge Raul Bellow, entidade de conhecimento superior, designado para alterar o destino do planeta que vai contar com o precioso auxílio de um grupo de mulheres apostadas em mudar o mundo. A revolução está em marcha. Como será a nova ordem alicerçada na sensibilidade feminina? Será possível modificar uma sociedade essencialmente machista e esclavagista? Este livro relata-nos o que de mal existe na humanidade, e o que foi possível fazer pela sua regeneração através de uma força que nem sempre se vê – a das Mulheres!» Nuno Fonseca, intrépido navegante nestes incautos mares literários, abriu as páginas deste livro e sobreviveu. As suas palavras são claras. O que nos revelam é mais uma situação que empobrece o fantástico nacional e todos os seus praticantes por inerência. [crítica]
Email
contacto@
tecnofantasia.com
Folhear
Nota