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Não deixa de ser assustadora a voracidade com que a fantasia heróica tem conquistado a oferta das principais casas editoriais do nosso país, as que são conhecidas principalmente pela oferta de mainstream. Trata-se manifestamente de uma oferta perene e dedicada a seguir na crista da onda - a fantasia que é oferecida provém dos catálogos recentes, dos autores da ribalta actuais, sendo que, em nenhum momento, nos deparamos com a edição de um dos clássicos do género (Jack Vance, Lord Dunsany, Sprague de Camp, Poul Anderson). Não se trata assim de uma edição especializada nem de uma editora com conhecimentos do género, algo que é reservado para as chancelas especializadas (Gailivro, Saída de Emergência, e por vezes a Presença) e sem dúvida que passada a moda, logo regressarão a editar aquilo que conhecem. Nada de mal nisso, a não ser uma oportunidade desperdiçada. Porque enquanto todos os olhares estão voltados para aqueles autores que mais se fazem cobrar, outros aguardam, possivelmente com direitos de mais fácil negociação, por um momento ao sol. Afinal, se a fantasia trata de mundos imaginados, um livro escrito nos anos 70 não teria iguais hipóteses de êxito? Fica a questão. E o destaque para Acheron, da Casa das Letras, chancela da Oficina do Livro, escrito pela americana Sherrilyn Kenyon. De acordo com a promoção (pois este não é o tipo de livro que costumemos criticar): «Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples... Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los – aos dois.» Fica a dúvida se "aos dois" (ou "a ambos") inclui a dita mulher, e porque será tão problemático que morra quem ameaça o protagonista. Esta obra conseguiu confundir o autor do texto publicitário. A não perder.
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