31 Julho 2008
Crónicas de Praga. Ficção científica. Não vim preparado. Saber que existe um Ondrej Neff e que foi seleccionado pelo Morrow como um dos representantes da FC europeia no seu recente Hall of Fame, a par do João (livro que por sinal acaba de ser editado em checo, pelo que pelo menos três nomes portugueses são mencionados oficialmente, mesmo que by proxy) não é decididamente o mesmo que entrar numa livraria comum - ou seja, não especializada do género - e encontrar uma secção inteira (ou seja, um enorme espaço de loja) dedicada apenas à Ficção Científica. Perceber que esta secção é separada da Fantasia, e em alguns estabelecimentos, do Horror. Descobrir ao ponto da emoção que a FC ultrapassa a Fantasia (I kid you not)! E prostrar-me de joelhos perante um conjunto de estantes reservadas a obras de autores checos, dezenas, publicadas nos últimos quinze anos. Space opera de Robert Fabian. Sátira de Martin Antonín. Os romances de Ondrej Neff. Antologias anuais, antologias comemorativas de encontros, antologias temáticas. Uma colecção dedicada exclusivamente à FC polaca. A versão traduzida da Fantasy & Science Fiction em edição mensal. E depois as traduções: Bucknell, Reynolds, Miéville, Morgan, Stross. As Dangerous Visions do Ellison. Sarah Zettel. Poucos vestígios de Asimov ou Heinlein, apenas um Silverberg antigo. A série completa da continuação de Dune pelo Kevin Anderson e Herbert fils. Desconhecendo a língua, nada sei dizer a respeito da qualidade. Talvez não passem de imitadores dos americanos, como praticamente todos os europeus. Mas a mera existência destes tomos de 500 páginas com ciber-guerreiros e naves interestelares nas capas é suficiente para redespertar um sonho antigo que se tem vindo a desvanescer neste mundo tecnófobo e efeminado da fantasia pseudo-medieval.[] [31.Jul.2008 22:12:12]




