DO OUTRO LADO DO MAR Roberto de Sousa Causo efectua idêntico resumo sobre a actividade editorial decorrida no Brasil durante o ano de 2007, com alguns destaques notórios a par de esquecimentos notórios, como por exemplo o da nossa própria antologia
Por Universos Nunca Dantes Navegados, composta em 50% por autores brasileiros de renome. Parece ter sido no Brasil também um ano de antologias de ficção curta (aquilo que em português não adulterado por ango-saxonismos se designa por «contos»), sendo um dos projectos mais interessantes o de
Ficção de Polpa - pelo menos a nível de ideia, porque a nível de execução guardo, sinceramente, muitas reservas até ver o produto final, uma vez que o meu próprio conto submetido para o segundo volume destinado à temática Ficção Científica acabou não sendo seleccionado, não por uma questão de qualidade, mas porque, além de ser relativamente grande, tinha, nas palavras do autor, «enredo e Ficção Científica em demasia» e ele procurava algo mais intimista para um público generalista (sim, onde é que eu tinha a cabeça quando enviei uma história destas em resposta a uma convocatória de
pulp fiction de Ficção Científica?...) Apesar destes pequenos atropelos, o Brasil continua a ser um mercado vibrante com dezenas de autores em constante movimento, escrevendo em parcerias, publicando na internet, e batalhando contra o oblívio. Já no início deste ano sai uma antologia apetecível, organizada pelo próprio Causo, com a designação de
Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (
edições Devir Brasil) e a proposta de se tornar na «primeira antologia retrospectiva da FC brasileira, a primeira a impor um conjunto de contos-referência para o género no Brasil», com uma galeria impressionante de autores, desde Machado de Assis, André Carneiro, Jerônimo Monteiro, Jorge Luís Calife, Rubens Teixeira Scavone, Ricardo Teixeira, Levy Menezes, Domingos Carvalho da Silva, Gastão Cruls, e o próprio Causo (ausente da lista de autores da capa) e sua esposa, Finisia Fideli. Aguardamos ansiosamente o segundo volume, ainda não anunciado, desta obra de referência, que decerto incluirá os outros grandes talentos da moderna FC brasileira, como (entre muitos outros) Gerson Lodi-Ribeiro, Bráulio Tavares, Gabriel Boz e Octavio Aragão.

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O ANO É UM CONCEITO MUITO RELATIVO, depende muito do planeta e da época histórica em que o observador se situe, embora neste globo em que estamos haja um consenso histórico em redor aproximado do número 360, determinado pela variabilidade das estações, posição das estrelas, etc. E ainda bem que é assim. Ainda bem que os antigos tinham os olhos abertos para o mundo que os rodeava, embora os enchessem de mitos e explicações irracionais (eles é que dariam grandes audiências para os blockbusters de agora; desconfio que a viagem no tempo será inventada pelas multinacionais de produtos de grande consumo e entretenimento à procura de novos mercados, ou quem sabe pelo novo grupo editorial cá da casa). Se seguissem a aparente atitude umbiguista de muitas figuras públicas do tempos actuais que não se preocupam de explicar o mundo mas em contar histórias que não aconteceram bem assim (mensagens políticas de fim de ano, interpretações jornalísticas sobre o erotismo na literatura portuguesa, e outros quejandos), duvido que alguma vez o Euclide tivesse sequer escrito os
Elementos. Então se a explicação do mundo se centrar sobre um género que poucos admiram ou compreendem (fantástico) num mercado que não o respeita (português) de um país com poucos autores e leitores que o dinamizem, e ainda por cima centrada em livros, como se os livros fossem relevantes para a vida, não podia haver atitude mais umbiguista. Ainda bem que o João Seixas não se intimida e faz mesmo assim uma
revisão nostálgica do ano de calendário que acabámos de assassinar impunes. E se quiserem uma perspectiva internacional, podem sempre seguir
esta senhora, igualmente cáustica. Eu também devia dedicar-me a isto, mas o meu problema é que, no meu caso, ainda estou em 1995 e continuo com 25 anos...
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