Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


05 Dezembro 2007

O PRESIDENTE DE UMA DAS MAIS IMPORTANTES linhas editoriais de ficção científica e fantástico norte-americanas tece um conjunto de observações interessantes sobre a relação entre o trade paperback (livro de capa cartonada com o formato mais comum que hoje em dia se pode encontrar nas lojas) e o paperback (o saudoso livro de bolso que tem passado por um conjunto de tentativas para reimplantação no mercado). O negrito da citação é meu.

Trade paper has never done better for us. It’s been growing steadily for years and it’s certainly nice to see two of our books on nationally respected trade paperback bestseller lists in any one week, but I am worried about mass market. So much of mass market is impulse and impulse is so important to the creation of new readers. The person buying a book from a wire revolving rack in a drugstore as he waits for a prescription, the person who buys a book from an attractive in-line display in a supermarket, in a shop in the hotel lobby, or at a newsstand in an airport or a train station is not necessarily a committed and regular reader. But numerous surveys have shown that if you please them often enough in impulse situations a meaningful number will be converted. These impulse sales are an important part of our outreach and we need to be sure there is a selection which will tempt that consumer. Nielsen surveys have shown science fiction and fantasy as high as 12.4% of fiction sales. If no science fiction is displayed a significant number of potential customers may not be tempted, the same is true of many other categories and in each case new readers will be lost.

A perspicácia desta abordagem é a compreensão do facto de que as pessoas são atraidas pelo que gostam (não poderia haver falácia mais simples...), mas que esse gosto, se devidamente recompensado, poderá levá-las a fazer uma transição do sentimento para o acto na forma mais lata. Ou seja, a mera presença de ficção científica e fantástico, ao captar aqueles novos leitores que se interessam pelo tema com obras de qualidade, interessantes e bem produzidas, incentiva-lhe o gosto pela leitura, ajudando o crescimento global do mercado. Vender o género não pelo historial dos números e para o mercado existente, mas ao mercado que ainda não descobriu que o é. E para isso precisamos de livros extremamente baratos e de difusão alargada, que os livros de bolso costumavam ser. Precisamos de livros que custem, no máximo, 9.99 euros, para não se ultrapassar a barreira psicológica da nota de 10 euros - e de preferência, menos do que isso, de preferência apresentarem metade do preço normal de um trade paperback. Não sei até que ponto as actuais iniciativas do nosso mercado têm tido sucesso (e de novo, continuo a defender que, por muito sã que seja a decisão de publicar clássicos, não são estes que vão dinamizar o mercado...), mas não lhes encontro o dom da ubiquidade - nem, se a memória não me atraiçoa, o condão do baixo custo. Ter livros de bolso em espaços livreiros do mercado português actual em concorrência directa com iguais títulos no formato maior, os quais dão ao livreiro maior margem e logo maior incentivo para vender, é uma forma muito directa de eutanásia do pequeno formato. Estes livros de bolso têm de estar onde as livrarias não chegam - às bancas de jornais, aos cafés, às repartições de finanças, aos bancos, às salas de espera dos consultórios... a todos os sítios em que possa haver um consumidor aborrecido e a perder tempo a olhar para o vazio. Pequenos expositores transparentes com dizeres apelativos a convidar a passar o tempo numa companhia agradável e de baixo custo. Selecção pensada e limitada, apoiada num processo de venda o mais simplificado possível, pois os funcionários do local não teriam a formação necessária para efectuar operações de tesouraria e por isso teriam de seguir um conjunto de passos explícitos e absolutamente directos. Poderia resultar?

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03 Dezembro 2007

A VOZINHA ESCOCESA do Darth Vader. Assim se vê como um líder precisa de uma garganta funda...

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02 Dezembro 2007

E NA SEQUÊNCIA DO VÍDEO ANTERIOR condivo-vos a conhecer esta conferência do famoso Steven Pinker, que descobri há mais de dez anos através do livro The Language Instinct enquanto recolhia informação sobre a linguagem e o processo pelo qual comunicamos, e que eventualmente me permitiu descobrir Chomsky e Barthes e outros. A pesquisa foi efectuada para a elaboração do que seria o romance pós-GalxMente, uma história complexa sobre a (in)capacidade de contacto com seres extraterrestres que me levou a explorar formas alternativas de comunicação, conceitos como geografias de percepção e demais tolices que são tão caras aos autores quando se perdem nos meandros dos seus espaços craneais. Dele estão feitas cerca de 50000 palavras, que irei, talvez, rever um dia e dar-lhes uma forma que me agrade. Eis uma história alternativa.

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CHARLES STROSS em mais uma leitura pública, desta feita nas instalações do Google. Halting States, o romance mais recente, é uma obra sobre as comunidades de jogadores online. Neste universo obviamente imaginado (EUA) os autores fazem tours de promoção das obras, directamente ao público que melhor as apreciará. No nosso universo real, autores-celebridade aparecem em prime time para fazerem queixinhas que um determinado crítico não gostou deles... And so it goes.

(Observação de autor: atentem no modo como Stross utiliza o recurso do narrador na 2ª pessoa, sempre muito difícil e arriscado de conseguir na ficção.)

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NA SENDA DOS AUDIOLIVROS, que estão a ser alvo de interessantes campanhas de marketing neste Natal (das editoras 101Noites e Boca, pelo menos), surgiu nos Estados Unidos esta tendência de produzir podcasts de leitura de ficção, que são basicamente séries de ficheiros áudio disponibilizadas regularmente na internet, em conjunto com uma lista de actualização que alerta o software de reprodução da existência de novos programas, e que se tornam, não só numa forma inovadora de constituir um canal de rádio bastante personalizado, como num meio adicional, e bastante íntimo, de divulgação de autores e livros. Ouvir livros falados não é para toda a gente, e há mesmo quem rejeite a ideia logo à partida - talvez não tenham sido sensibilizados para o facto de que, se alguns livros não podem nem devem ser lidos em voz alta, outros adequam-se naturalmente a este veículo, e perfeitamente ocuparão os momentos mortos nos transportes de e para casa. Na prática, em termos comerciais, o que se procura aqui é ultrapassar a barreira física do processo da leitura, e ocupar, com o consumo de ficção, as horas do dia em que a vista está ocupada mas a audição livre. Mais horas de consumo igual a crescimento do mercado? Assim se espera. Pessoalmente, tenho algumas ressalvas quanto à viabilidade das iniciativas mencionadas acima, não porque pense que os audiolivros não seriam aceites pelo nosso mercado, mas porque ainda não contemplam a definição do mercado, não investem decentemente em tornar o audiolivro cool. E certamente que não será pela publicação de textos clássicos (Pessoa, etc.) que isso acontecerá. Embora não quisesse cair na tentação da postura «se fosse eu, faria assim», a estratégia assumida parece-me ter falhas de abordagem tão óbvias que, se fosse eu, teria, em simultâneo com os lançamentos, produzido um podcast regular com excertos dos audiolivros produzidos e a leitura de textos pequenos e inéditos, mesmo se submetidos por autores desconhecidos. Teria criado um pequeno DN Jovem em formato áudio, e começar a dar apetência à geração actual de ler ficção pelos tímpanos. Demoraria algum tempo, obviamente, mas com os recursos correctamente aplicados, e com alguma criatividade, poderia tornar-se num espaço que, no decurso de um ano, tivesse um público de largas centenas de interessados. Sem pensar no facto de muitos ouvintes preferirem que as obras sejam lidas pelos próprios autores. E de que surgiriam pérolas criativas, fruto da vontade dos jovens escritores, quererem fazer mais e melhor. Explorar os limites das novas tecnologias, que dominariam. Mas talvez esta minha visão seja apenas, e mais uma vez, o fruto da minha fraca opinião da capacidade da nossa lusa cultura de aceitar inovações sem reservas. Fiquem-se com uma entrevista ao editor Stanley Schmidt, grão-mestre da Analog há mais de vinte anos, no site do Paul Levinson.

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25 Novembro 2007

O BLOGUE DE UM PORTUGUÊS com doutoramento, em curso, em Estudos Fílmicos na Universidade de Kent, que participará no livro Reading «Battestar Galactica»: Flesh, Spirit, and Steel com o ensaio «Getting Out of the Sci-Fi Ghetto?: Battlestar Galactica and Genre Aesthetics»: Sérgio Dias-Branco. Parece ser bastante interessante. Uma sugestão aos organizadores do Fórum Fantástico para o próximo ano? (nudge, nudge, wink, wink) [via Indústrias Culturais]

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24 Novembro 2007

O QUE O BRASIL TEM de bom (além do samba, sol, café, abacaxi, geografia imensa, riqueza de mitologias, a Amazónia, extensas praias e lindas mulheres...) é de continuar a apostar na ficção científica em língua portuguesa. Entre outros espaços de publicação, eis um que dura há bastantes anos: a revista Somnium. Publiquei nela um pequeno conto que não ficou na memória, há mais de 10 anos, e ainda a revista continua a dar pontapés e a tentar demarcar-se como um espaço importante no território literário. Nós devíamos tirar daqui uma boa lição. Pedem-me para divulgar, o que faço com todo o prazer: estão à procura de contos e artigos inéditos para o especial de fim de ano. Contos até 3000 palavras, artigos podem ser um pouco mais extensos. Ficção Científica e Fantasia, obviamente. Até 10 de Dezembro, enviem os vossos trabalhos para este email.

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O BATMAN AVANÇA para o novo filme, Dark Knight, e os produtores começam a soltar migalhas para o público debicar até à entrada nas $ala$ de cin€ma... uma das primeiras migalhas fala de inovações técnicas na forma de filmar. Infelizmente não se prevêem inovações na arte de contar a história. Oh, well...

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15 Novembro 2007

ALGO ME FEZ CONFUNDIR a autoria de «A Lotaria» (de Shirley Jackson) com a passagem de Ira Levin com um mundo tantas vezes descrito nas suas obras. É estranho celebrar a memória de um autor com a história de outro, mas a estranheza e a tensão visceral desta história curta enquadram-se de maneira interessante na época e na sociedade. Como se a paranóia de Dick contaminasse todas as nossas paranóias, até não conseguirmos distinguir o que era loucura própria de loucura importada.

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