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Um autor mede-se (também) pelo nível das influências e pelo arrojo dos empreendimentos. Ursula Le Guin, na sua mais recente obra publicada em português, recupera para o género feminino uma história sempre muito contada de homens e as suas façanhas militares (e contudo, ela, a comedida Lavínia, causa de guerra) - ela, a comedia Lavínia, filha de Latino, mulher de Eneias, a quem Virgílio dedicou um poema épico (mas não especificamente a Lavínia). Le Guin corrige a injustiça e em Lavínia a mulher do herói conta o épico da sua perspectiva. Se há fantástico nesta história é pela existência de deuses e homens em comunhão, ou seja, é uma forma antiga de fantástico, suavizada pela aceitação moderna de que os deuses são acessíveis como os homens e os homens complexos como os deuses. E pela outra aceitação, de que é legítimo revisitar os velhos mitos, as histórias há muito contadas - uma forma de justiça para os personagens de um romance, pois a cada um caberá, à vez, uma voz individual. Da Editorial Presença e desta feita inserida na colecção Grandes Obras, o que talvez seja mais correcto.
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