Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


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11 Junho 2012

O Que Estranho é a frequência com que, no meu contínuo mergulho pelas entranhas do (pouco) que se possa identificar como Ficção Científica portuguesa clássica, ocasionalmente misturando-se com os praticantes da (pouca) real pulp fiction lusitana, encontro convicções desta natureza, atiradas sem qualquer contexto e sem qualquer relativização face ao género (pois não duvido que o autor tinha um tipo particular de histórias em mente).

Que o mainstream nos castigasse pela nossa ousadia de marginalidade, perfeito - faz parte do jogo. Receber invectivas destas dos que labutam ao nosso lado é mais complicado. E não - não foi o único. Mas ao menos é uma pista adicional - e importante - para compreender a dificuldade de consolidação do género neste país na época em que supostamente devia medrar.

Da entrevista de António Dias de Deus a Raul Correia, autor frequente d'O Mosquito - o negrito é nosso:

(...) D.D. - Há ainda muitas novelas, sem qualquer nome de autor. Poderia identificá-las?

R.C. - Vejamos: «O Falcão da Pradaria» - Raul Correia; «O País dos Ventos Ululantes» - José Padinha; «O Vale do Silêncio» - Raul Correia; «O Punhal do Imperador» - José Padinha?; «O Jura­mento de Águia Negra», «Um Caçador Fez testamento», «Quero Ser Palhaço», «Tobias Contou a História» - José Padi­nha? Quanto a «O Príncipe e o seu Fantasma», sabia que muitas dessas histórias eram adaptações de histórias inglesas? Essa, por exemplo, era de ficção científica. Eu nunca escreveria ficção científica, género que detesto.

D.D. - Sim, é um género que denota grande falta de imaginação.

R.C. - Pois é. Inventa-se um planeta estranho, fabricam-se uns habitantes desse planeta, e, no fim, fazemo-los actuar como se tivessem um comporta­mento humano. Ora, se houvessem outros tipos de vida, eles poderiam ser totalmente diferentes dos nossos. Até talvez nem fosse precisa a existência de água. Nós só falamos daquilo que já conhecemos.

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