Exposição Prolongada à Ficção Científica  

   um blog de Luís Filipe Silva


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05 Agosto 2012

O Conhecimento Nem Sempre se traduz em impacto visual imediato. Se as amplas perspectivas de mundos futuros e viagens intergalácticas emocionantes que Hollywood nos forneceu ajudaram a impelir-nos na aventura espacial, também rapidamente nos frustraram a expectativa, pois a realidade é lenta, perigosa e inóspita. Somos demasiado frágeis para sobrevivermos fora deste imenso globo que nos dá vida. Idos estão os planos das colónias lunares que hoje deviam funcionar em pleno, pois, admitamos, precisamos delas para quê? A Humanidade fará o sacrifício quando para tal for empurrada (por exemplo, por uma catástrofe climatérica) ou desenvolver-se tecnologia de muito fácil instalação e reparação e elevada eficiência energética que torne o custo (pessoal) negligenciável.

E no entanto, há quem viva o sonho e vá, em passinhos de formiga, desbravando terreno, espremendo ao máximo orçamentos insuficientes e aproveitando as reduzidas oportunidades para efectuar medições e testar hipóteses. Uma sonda não substitui o ser humano - comparação injusta pois o ser humano é um mecanismo adaptável multi-funções e a sonda não foi desenhada com este objectivo em mente - mas, na falta de melhores condições, é a extensão possível de um laboratório portátil. E sondas é o que temos enviado aos outros planetas, bem como além do sistema solar. Quem se lembre das naves-geração da FC, das frotas interestelares e dos teleportais, o esforço actual parece infantil, amador. Sim, sem dúvida. Sonhamos mais do que somos capazes de fazer. Talvez esta demonstração sirva como prova de que, enquanto espécie, somos crianças ou bebés de colo.

A Curiosity segue caminho desde há quase um ano e hoje chega ao destino. A aterragem em Marte (arenagem?) será dolorosa, como o vídeo a seguir explica em tons dramáticos, e pode significar o fracasso da missão e a frustração de muitos investigadores. O marketing empresarial, à força da explicação simples, explica que se pretende procurar vestígios de vida - e desde logo, imagens de naves cinzentonas enterradas no solo com aberturas convenientemente expostas e marcadas surgem ao espírito. Na verdade, o que se procura são vestígios de condições para a possibilidade de ter existido vida - um pouco como aterrar no meio de um estádio em ruínas e inferir, pelas marcas no solo, que algures no distante passado, alguém disputou uma partida. Quem fique sentado nas bancadas à espera do resultado vai ter de esperar bastante tempo.

Por isso a investigação não serve para todos. O que é uma pena. Perdem o deslumbre de ver o Universo a desvendar-se perante a nossa observação como um livro que se folheia.

Pensar que foi preciso lutar contra a mesquinhez, contra séculos de Inquisição e doutrina eclesiástica, contra ditaduras nacionais e contra as ditadurazinhas de bairro. Pensar que em igual número de anos explodiram-se cem vezes mais bombas atómicas do que se lançaram sondas planetárias. Pensar que vivemos nesta época gloriosa, de partilha imediata de informação, de conluio directo entre quem avança e quem apoia. Pensar que terá um fim natural, este período tropical entre as duas épocas glaciares da ignorância instituída, o qual, talvez, não esteja tão distante quanto gostaríamos...

Aproveitemos, pois, o conhecimento ao nosso dispor, e acompanhemos este fulgor de glória, tão discreto mas mais olímpico que o mais olímpico dos atletas. Parafraseando o poeta, que o afirmou noutro contexto, A liberdade não é eterna, mas infinita enquanto dura.

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