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Dando-se aqui a conhecer os resultados da 3ª semana, iremos de imediato apresentar o desafio da 4ª, que é o seguinte: inspirados pelo título da obra de Kate Wilhelm, Onde os Últimos Pássaros Cantaram, apresentem um conto, uma peça, um excerto, uma situação, que pudesse ser descrita (literal ou figurativamente) por essa frase. Nada mais se pede - além que, obviamente, deverá estar relacionado de alguma forma com o género fantástico. Relativamente a dimensões, o limite de 500 palavras também será opcional, e se ultrapassar será considerado.
Depois de algumas semanas com desafios muito restritos, cremos que assim, na meta final, poderemos dar liberdade aos autores para dizerem de sua justiça.
Submissões a enviar para o correio electrónico indicado no canto superior direito desta página, em língua portuguesa e inéditas, com indicação do nome do autor. Até ao final do dia de 5 de Julho. [link]
O desafio da 3ª semana consiste na descrição de uma cena de conflito entre dois grupos de clones distintos. Este conflito pode assumir uma qualquer natureza, desde a bélica assumida até à emocional, e portanto os grupos de clones podem ser exércitos, familiares, vizinhos... Os clones são telepatas e conseguem comunicar (não necessariamente de forma verbal) sem usar a fala, mas cada conjunto de clones apenas consegue falar com o seu. A intenção literária é de espelhar o conflito entre dois seres - dois indivíduos - multiplicado pelos vários em que se divide.
Contudo, sugerimos uma dificuldade acrescida (que desta vez é opcional): imaginem que descrevem esta cena como se decorresse num palco ou num ecrã. É uma cena sem falas, apenas com actos, gestos, olhares, expressões. Embora um diálogo vivo ocorra na mente de todos aqueles seres, nós, como espectadores, apenas observamos o resultado. Talvez não seja possivel compreender a razão do conflito. Talvez não seja possível determinar um vencedor. Mas haverá contendas, drama, vitórias, um fluxo dramático - será possível tirar-se dali uma história, como afinal se os clones fossem animais e nós assistissemos a um documentário sobre a Natureza.
Enviem as participações até ao final de sábado, 27 de Junho, hora de Portugal continental, para o email indicado no canto superior direito desta página. Limite de 500 palavras, desta vez. Apenas participações em lingua portuguesa, e inéditas. O vencedor receberá um exemplar do livro. [link]
Clube de Patifes parte de uma simples premissa: e se as actividades de espionagem de Ernest Hemingway (que nunca se contentou em ser meramente um escritor de relevo com uma técnica literária inovadora) em Cuba durante o período da 2ª Guerra tivessem efectivamente descoberto uma grande conspiração que envolvesse os EUA, ao invés de serem esforços amadores e quase ridículos que efectivamente foram? E se os factos fossem de natureza tão perniciosa que se tornassem no verdadeiro motivo do suicídio? Teríamos assim uma obra densamente pesquisada, povoada de factos e perspectivas sobre a vida, presença e história da sociedade norte-americana de então, com participação dos grandes colunáveis da época. Dan Simmons, que conhecemos apenas (infelizmente) como sendo o autor de A Canção de Kali, demonstra mais uma vez a sua maestria em pegar num género literário e produzir um livro de destaque. A descobrir por quem adora romances de espionagem fortemente centrados em factos históricos, como a ficção de Robert Litell. Edição da Saída de Emergência, com excelente tradução de João Seixas.
Um dos temas recorrentes em Onde Os Últimos Pássaros Cantaram, de Kate Wilhelm, editado em Portugal pela Gailivro, é o da clonagem. Os membros do clã familiar Sumner, cuja história forma a base do romance, criam gerações atrás de gerações de cópias de si mesmos como forma de lutar contra a perda de fertilidade humana. Os clones estão tão próximos uns dos outros que desenvolvem uma empatia quase telepática, estabelecendo uma sociedade aparte, valorizando o colectivo e não o indivíduo. Os clones entram em pânico quando se encontram sozinhos por demasiado tempo. Por fim, apercebemo-nos que os clones não partilham o interesse do resto da humanidade em voltarem a reproduzir-se sexualmente, preferindo continuar o processo de clonagem até ao fim dos tempos.O desafio para a segunda semana do passatempo Kate Wilhelm é, com o limite de 250 palavras, descrever uma situação, apresentar uma cena, estabelecer uma história que inclua este confronto entre o individuo e o social, tendo a clonagem por base. E porque sabemos que os nossos leitores gostam de desafios exigentes, acrescentamos a seguinte condição: o texto deverá ter uma veia humorística.
As participações deverão dar entrada até ao final do dia 17 de Junho, para o email indicado no canto superior direito desta página. Deverão ser efectuadas em língua portuguesa.
Idos vão os tempos em que havia colecções numeradas de publicação periódica e orçamento limitado que forçavam os editores a dividir uma obra estrangeira em dois ou mais volumes, com a inevitável mensagem de «Continua no Próximo Número» estampado no final. Se por um lado assim se conseguiam acomodar os cada vez maiores tomos de FC americana, que continuavam a crescer, crescer, nos livritos pequenos de bolso da Europa-América e da Argonauta, os quais se vendiam a preço reduzido, por outro o leitor acabava defraudado, porque não só acabaria por pagar mais no conjunto do que teria pago se o livro tivesse sido editado num só volume (algo que os editores rapidamente perceberam, e era vê-los emagrecer ao limite cada volume individual em casos em que a divisão nem sequer se justificava - o que contribuiu também por alienar os compradores) como, por as colecções serem mensais, acabaria presenteado com uma variedade de romances ainda mais magra que a dúzia anual. Os tempos mudaram, há mais editoras a apostar no fantástico, mas ainda assim ficam pelo caminho alguns verdadeiros tijolos de leitura - nomeadamente aqueles que não têm tido grande sucesso comercial, não obstante a qualidade intrínseca. O mercado parece, contudo, continuar a favorecer as edições de grossura média (300 a 400 páginas) e preço abaixo dos 20 euros. Veja-se por exemplo o caso do sucesso comercial de cada volume da saga As Crónicas de Gelo e Fogo de G.R.R. Martin pela Saída de Emergência, cuja edição nacional representa, em cada volume, metade da respectiva edição americana, face ao desastre da tentativa de lançamento da Roda do Tempo de Robert Jordan pela Bertrand, cujas edições caras e discretas continham a totalidade do texto original (o último volume, o quarto, saiu há bastantes meses; terá a editora desistido?) Algo é certo: é preferível que o mercado esteja receptivo e os editores saibam que é possível apostar em obras mais extensas recorrendo a esta estratégia de publicação. Sem isto, talvez não tivesse sido possível a publicação do monumental O Caderno Secreto de Leonardo, de Jack Dann (perdoem-me se continuo a preferir o excelente título vertido do original: A Catedral da Memória), também da Saída, e com uma cuidada tradução do David Soares. Já anunciámos em Abril o lançamento da primeira parte, eis aqui a segunda (o reduzido tempo de publicação entre as partes é crucial para o sucesso do empreendimento). Recordando o texto da contracapa: «Imagine todas as máquinas de guerra que Leonardo desenhou no papel a ganharem vida e a travarem uma batalha que poderá mudar a História tal como a conhecemos... Numa obra-prima da fantasia histórica, Jack Dann recria a magia da Itália Renascentista e oferece a sua própria história secreta de um ano na vida de Leonardo da Vinci... Florença do século XV. Numa cidade governada pelos Médicis, num tempo em que a magia e a ciência eram uma só, irrompe o génio de Leonardo Da Vinci. Rodeado de figuras brilhantes maiores do que a vida como Sandro Botticelli e Niccòlo Machiavelli, Leonardo vive a vida prestigiada de um artista e ama uma mulher arrebatadoramente bela. Mas um inimigo implacável conspira a sua queda. E cedo este grande artista inventor será forçado a abandonar a cidade onde nasceu, para dar início a uma viagem mística para um destino - e uma aventura - que poderiam ter sido realidade». E voltamos a afirmar: a não perder.
Oscar Wao é um pobre desgraçado de um puto dominicano a tentar superar os desafios da adolescência num corpo avantajado, coberto de acne e avassalado por uma enorme timidez. Como se não bastasse, é um latino em plenos Estados Unidos, sujeito a um conjunto de pressões sociais e necessidade de se afirmar no mundo. A história de muitos. Que interesse tem para os amantes da Ficção Científica? Acontece que Oscar Wao é um fã indomável de FC (embora na vertente mais sci-fi que propriamente literária) e pinta as suas desventuras com referências aos heróis, seres e particularidades do género. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao valeu a Junot Díaz o Pulitzer de 2008, e chegou a Portugal pela mão da Porto Editora. Não é, contudo, uma obra isenta de falhas, e se bem se trate de um percurso interessante pela República Dominicada do passado século, com um estilo apressado, económico e frequentemente certeiro, o uso dos temas da FC acabam por não influenciar o jovem inadaptado como de facto poderiam, o factor literário fica distanciado da vida, e de certa forma contribui para fortalecer o estigma do entusiasta de FC como alguém que não se consegue enquadrar na realidade. A edição nacional é cuidada e a tradução competente, não obstante o ocasional tropeção. O autor polvilha o texto de notas de rodapé, contudo as que foram acrescentadas pela edição portuguesa nem sempre podem ser interpretadas como dogma (por exemplo, os Dorsai e os Lensmen não são «alienigenas da ficção científica», como referido, mas guerreiros humanos do futuro guiados por fortes códigos de honra e valores, e como tal fazendo sentido que sejam mencionados no contexto em que surgem.)
O passatempo irá decorrer durante as próximas 4 semanas, e em cada uma será oferecido um exemplar desta obra importante. Para tal, precisarão apenas de responder ao desafio que será colocado no início de cada semana. Respondam da forma mais criativa possível.
O desafio da primeira semana é o seguinte:
Uma ameaça que tem pairado nas últimas décadas tem sido a do desaparecimento das reservas de petróleo e gás natural que alimentam a nossa tecnologia e sociedade. Isto porque, apesar de todo o progresso da nossa espécie, ainda não encontrámos uma fonte energética mais eficaz do que a primeira que aprendemos, há muitos e muitos anos a dominar: a combinação do oxigénio com o carbono, ou seja, o fogo. E sempre tivemos receio de ficar sem carbono suficiente para queimar. Mas... e se for o contrário? E se o planeta passar por uma quebra significativa da produção de oxigénio? E se o filoplâncton começar a deaparecer em grande volume dos nossos oceanos? E se o ar que respiramos se tornar demasiado precioso para alimentar a combustão (inclusive porque a tornaria mais difícil)?
Poderemos viver sem o nível existente de combustão mundial? Podemos encontrar formas alternativas e eficientes de energia? Podemos adaptar a nossa existência a esta dificuldade inesperada?
Respeitando o limite de 250 palavras, descrevam o impacto na sociedade, contem uma história breve, inventem uma situação anedótica/trágica. Enviem-na no corpo de um email para o endereço indicado acima, à direita, nesta página, até ao final do dia de sábado, 6 de Junho. A contribuição mais interessante receberá um exemplar da obra de Kate Wilhem, e será anunciada (e publicada) no domingo, 7.
Não, não se trata de nenhum Makeover radical, mas da mais recente edição da Scarium, fanzine brasileiro de ficção científica e fantasia que celebra neste 25º número uns invejáveis sete anos de existência. Trata-se de um especial mulheres, escrito por mulheres (Giulia Moon, Nilza Amaral, Regina Drummond, Martha Argel, Cristina Lasaitis e Ana Cristina Rodrigues) e homens (Nelson Magrini, Richard Diegues, Mario Carneiro, Marcelo Augusto Galvão, Ademir Pascale e Marco Bourguignon), vocacionado para o fantástico. Ou como diz o próprio editorial: «Uma edição de homenagem às mulheres? Não é bem assim! Afinal, uma revista carregada de homenagens também não combina muito com o horror. Então, que tal falarmos apenas de mulheres? Mulheres sombrias, bruxas, fantasmas, guerreiras, mocinhas, dondocas etc… Foi assim que surgiu mais uma edição com o “modo Scarium de ser”. Demos liberdade aos autores para escreverem sobre o tema, e o único requisito era que fosse um conto de horror e – que contasse uma história de mulheres, claro!». [link]
Encontra-se disponível, para descarregamento gratuito e leitura imediata, o sexto número da Bang!, revista de fantástico em português, editada pela Saída de Emergência. Tratando-se de um especial dedicado a Edgar Allan Poe, conta com as participações de António de Macedo, Nuno Fonseca (a dobrar), Renato Carreira, Frederico Jácome, José Gil, João Seixas e Vasco Curado no plantel nacional, e textos dos estrangeiros Michael Moorcock, Jack Dann, Robert Howard, Richard Curtis, e Paul McAuley. A não perder. [link]
24 Jun 2009: O livro As Tribos do Sul de Madalena Santos (Gailivro) terá sessão de lançamento na Bulhosa de Entrecampos amanhã, 25, às 18.30, com apresentação de Rogério Ribeiro.
24 Jun 2009: Novidades editoriais: Saída de Emergência adquiriu os direitos para a publicação de Terry Pratchett, autor que já tinha sido alvo de uma tentativa de lançamento em Portugal, pela Temas & Debates - aparentemente com pouco sucesso. Estamos em crer que a nova editora estará melhor posicionada para garantir uma boa penetração do autor de fantasia mais vendido em Inglaterra nas nossas livrarias. (fonte: tweet da editora).
23 Jun 2009: Novidades editoriais: Little Brother será publicado pela Editorial Presença, consistindo assim na primeira obra de Cory Doctorrow em língua portuguesa. (fonte: tweet do autor).
22 Jun 2009: Já são conhecidos os pormenores do Fantasticon 2009: III Simpósio de Literatura Fantástica organizado por Sílvio Alexandre, a decorrer entre 25 e 26 de Julho em São Paulo, Brasil. [link]
[MAIS]
Destaque
Por Universos Nunca Dantes Navegados - Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa. 14 histórias da pena de autores portugueses e brasileiros, numa antologia inédita, que exploram os universos da ficção científica e da fantasia. Venha conhecer a obra de Telmo Marçal, João Ventura, Octávio Aragão, Yves Robert, Maria Helena Bandeira, Gabriel Boz, entre outros. [MAIS DETALHE]
Recentes
O Futuro à Janela em E-book - Em 1991, a Editorial Caminho atribuia o prémio bienal de originais de Ficção Científica em língua portuguesa a uma colectânea de 11 contos e um poema, intitulada O Futuro à Janela. Em 1998, esse mesmo livro era re-editado numa colecção de jovens autores portugueses do Círculo de Leitores. Hoje, o livro continua a desbravar territórios numa versão gratuita em e-book, para leitura e divulgação. Era a obra de estreia de Luís Filipe Silva, que agora vai mantendo o site que se encontram a ler e escrevendo outras coisas. Versão em ficheiro PDF, 400kb. [link]
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